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Com o ciclo de alta dos juros perto do fim, é um bom momento para investir em crédito privado? Especialistas opinam

Retorno pode ser interesse, mas é importante também conhecer a qualidade do ativo

Data de publicação:06/09/2022 às 05:00 -
Atualizado 3 dias atrás
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O ciclo de aperto monetário parece estar próximo do fim, possivelmente com "um ajuste final" neste mês, de acordo com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto em sua fala nesta segunda-feira, 5, mas a indicação é a de que os juros vão permanecer em níveis elevados por um bom tempo.

Com a Selic, taxa básica de juros, em 13,75% ao ano, podendo chegar a 14%, tudo em uma tentativa de frear o avanço da inflação, especialistas do mercado financeiro consideram que é o momento pode ser oportuno para investir no mercado de crédito privado.

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Foto: Reprodução

Para Guilherme Gatto, executivo da mesa de crédito privado da Ativa Investimentos, o momento é "super favorável" para os investimentos do setor. Ele afirma que as precificações de emissões primárias e a rentabilidade oferecida pelas emissões secundárias estão em níveis bastante atrativos. "Estamos no clímax da curva de juros, então tem muita oportunidade boa para alocar o dinheiro", pontua o especialista.

Gatto ressalta que muitos ativos de crédito estão sendo negociados com taxas prefixadas altas, além de oferecer como rentabilidade a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Alguns produtos, ressalta ele, chegam a oferecer um retorno do IPCA + 7% ao ano, entregando uma rentabilidade superior à taxa Selic.

Opções dentro do mercado de crédito privado

De acordo com Daniel Gonzales, diretor de crédito privado da Fram Capital, não é só o momento atual que se mostra favorável para esse tipo de investimento. "Sempre é bom investir no mercado de crédito privado, desde que a precificação do crédito esteja adequada", afirma. "O que determina se um negócio é bom ou ruim é a precificação."

"Estamos em um momento, em decorrência da pandemia e crise econômica (apesar do começo de uma retomada mais recente), em que há muitas empresas que entraram com pedido de recuperação judicial. Então, há diversas oportunidades de crédito por valores muito convidativos. Algumas empresas em pedido de recuperação judicial têm dívidas com credores e esses credores não têm condições financeiras de esperar o pagamento dessa dívida em diversas parcelas por vários anos. Portanto, muitos desses credores estão dispostos a vender seus créditos para fundos de investimentos, as vezes por 20% ou 30% a menos do valor."

Daniel Gonzales, Diretor de Crédito Privado da FRAM

Entre várias operações, a Fram conta com equipe de especialistas que investe na aquisição de créditos de empresas em recuperação judicial e em créditos de transações imobiliárias, em que os seus fundos financiam as construtoras que não foram capazes de entregar seus empreendimentos. Em troca, a Fram recebe os valores pagos pelos adquirentes dos imóveis.

Além destes, Gonzales destaca que a Fram oferece também produtos mais tradicionais como precatórios, debêntures, CRIs e CRAs, todo dentro do segmento de crédito privado.

Embora o retorno esteja convidativo, o investidor não deve esquecer que o principal risco do crédito privado está ligado à inadimplência. Até porque os investimentos não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Preocupar-se com a qualidade dos ativos é fundamental para ser bem-sucedido. Nesse sentido, o especialista da Fram recomenda estudar e conhecer o mercado de crédito privado além de procurar por orientação profissional antes de tomar uma decisão de investimento. "Olhar para as garantias é tão importante quanto olhar para o retorno na hora de escolher".

Mercado aquecido

O mercado de crédito privado anda tão aquecido que movimentações dentro de casas de investimentos começaram a acontecer. A mais recente foi na Ativa, com a chegada de Guilherme Gatto para completar a mesa do segmento.

Gatto ressalta que o objetivo de sua chegada na corretora é melhorar as operações e negociações com as emissões secundárias (de dívidas que já foram criadas e são negociadas entre plataformas), e também desenvolver a área de emissões primárias (quando os ativos de dívidas ainda precisam ser criados), focando em clientes com valores menores de dívidas, público que não consegue ser atendido por grandes bancos.

"O mercado de ações tem melhorado nessas últimas semanas, mas mesmo assim temos muita volatilidade para sentir até as eleições. Outras questões macroeconômicas globais também podem impactar o crescimento aqui no Brasil e impactar outros ativos que não os ativos de crédito. Podem impactar as ações, o câmbio, os juros, a renda fixa padrão. Mas o investimento em crédito privado hoje está se mostrando uma boa opção para para a composição do portfólio."

Guilherme Gatto, Executivo da Mesa de Crédito Privado da Ativa Investimentos

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Sobre o autor
Bruna Miato
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