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Ethereum 2.0: atualização da rede blockchain deve começar nesta semana; saiba o que esperar do Merge do Ethereum

Atualização está prevista para começar nesta terça-feira, 06, e deve ser concluída entre 10 e 20 de setembro

Data de publicação:05/09/2022 às 05:00 -
Atualizado 16 dias atrás
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Um dos eventos mais aguardados do universo das criptomoedas tem data marcada. Segundo os desenvolvedores da blockchain Ehtereum, a atualização da rede, que marca o principal passo em direção ao Ethereum 2.0, terá início às 8h30 desta terça-feira, 06. Por se tratar de tecnologias e processos complexos, toda a atualização deve demorar alguns dias e as perspectivas são de que ela seja concluída entre 10 e 20 de setembro.

Também conhecida como "Merge do Ethereum" - palavra em inglês para fusão -, a atualização da rede prevê a migração das operações do sistema de prova de trabalho (proof of work, ou PoW) para prova de participação (proof of stake, ou PoS). O principal impacto da mudança é ambiental, com uma redução expressiva no uso de energia elétrico, mas também é econômico.

ethereum 2.0 merge
Ether é, atualmente, a segunda criptomoeda com maior capitalização, atrás apenas do bitcoin | Foto: Reprodução

"As chances de o upgrade dar certo são de mais de 99%. Todos os testes feitos foram concluídos com sucesso. Então eu não tenho a menor dúvida de que vai dar certo, a questão é se vai ter sucesso na primeira tentativa do dia 15 de setembro, a data prevista para acontecer. Se fosse para arriscar, eu diria que sim", diz Caio Villa, diretor de investimentos da Uniera.

O que vai mudar com o Ethereum 2.0?

Toda blockchain precisa de uma rede de consenso para verificar os dados e validar as operações que acontecem naquele ambiente. Atualmente, o modelo utilizado pelo Ethereum (que a forma de mineração tradicional, também usada pelo Bitcoin) é a prova de trabalho, onde os mineradores, por meio de computadores de altíssima tecnologia e processamentos, competem entre si para poder verificar operações e, a partir deste trabalho, são recompensados com ether (ETH), a criptomoeda da rede.

Os mineradores precisam decifrar códigos matemáticos complexos e, por isso, precisam de máquinas muito potentes, o que envolve muita energia elétrica, explica Felipe Vella, analista de renda variável da Ativa Investimentos. No Ethereum 2.0, no entanto, a exigência para que os mineradores possam se cadastrar e, assim, receber transações para verificar é de que sejam mantidos, pelo menos, 32 ETH "trancados" na carteira de cada um dentro da rede.

"O que vai acontecer é que a prova de participação vai permitir que o Ethereum escale de maneira mais fácil, porque vai custar mais barato e vai ser mais rápido transacionar."

Felipe Vella, analista de renda variável da Ativa Investimentos

A atualização não deve afetar diretamente as pessoas que possuem ether no início, mas sim os mineradores presentes na rede, que precisam aceitar fazer parte da migração e, assim, terão todos os seus dados históricos direcionados para a nova rede, com o novo sistema operacional. Ainda assim, alguns especialistas ressaltam que é preferível evitar transações com a criptomoeda nos horários em que a atualização estiver sendo feita.

Na prática, o que vai acontecer é que toda a rede Ethereum será fundida ao Beacon Chain, que é uma rede paralela que, desde 2020, já opera no modelo de prova de participação. Dessa forma, o Ethereum 2.0 é a fusão da rede tradicional com a paralela, migrando para o sistema operacional que envolve menos energia e menos gastos.

Como o Merge do Ethereum pode impactar o mercado?

Caio Villa afirma que "sobre as perspectivas de valorização disso no futuro, são as melhores possíveis." Com a necessidade de manter ethers trancados na carteira para a possibilidade de verificar as transações, o especialista explica que a criptomoeda pode passar por um processo deflacionário, já que menos ativos estarão em circulação.

"A depender do guess em cada transação, a gente pode ter um sistema deflacionário, então, sem dúvidas, que as perspectivas a longo prazo são de uma valorização grande no preço do ativo. Possivelmente, você vai conseguir até aumentar o preço do ativo sem necessariamente ter que aumentar sua capitalização de mercado, porque ele poderá se tornar deflacionário."

Caio Villa, diretor de investimentos da Uniera

Em contrapartida, Felipe Vella destaca que a migração para o Ethereum 2.0 pode trazer alguns impactos negativos para outras redes. O analista afirma que há outras blockchains que surgiram para resolver este problema de energia e custos altos da mineração tradicional, caso de algumas bastante conhecidas, como Polygon e Solana, por exemplo.

Neste sentido, Vella acredita que alguns participantes importantes dessas blockchains, como protocolos, aplicativos de finanças descentralizadas e aplicativos centralizadores, podem migrar para a Ethereum, que deve assumir o protagonismo das redes com prova de participação como sistema operacional.

"Se efetivamente o Ethereum conseguir fazer essa migração para prova de participação de maneira eficiente, se não tiver nem problemas, isso vai diminuir as taxas sensivelmente - que é o que o mercado espera -, e a rede vai drenar a liquidez de outras blockchains", explica o analista da Ativa. Tal movimento, segundo ele, seria "ótimo" para o Ethereum e o ether e pode trazer algums impacto negativo para a cotação de outras criptomoedas.

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Sobre o autor
Bruna Miato
Repórter na Mais Retorno