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Copom reforça receio com risco fiscal e descontrole da inflação, e vê chance de alta da Selic, apontam analistas

Incertezas sobre política fiscal levam o Copom a ser mais incisivo sobre possibilidade de alta da Selic em 2023

Data de publicação:08/12/2022 às 01:04 -
Atualizado 2 meses atrás
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Entre os vários pontos destacados pelo Comitê de Política Monetária, em comunicado divulgado logo após o término da reunião, dois deles chamaram a atenção dos analistas de mercado, a forma mais incisiva com que o colegiado expressou sua preocupação com as pressões sobre a inflação, notadamente os riscos fiscais, e a possibilidade de novas altas da Selic.

“O tom do comunicado veio com bastante ressalva e cautela”, disse Idean Alves, educador financeiro, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil. “Ficou claro que o Copom poderá elevar novamente os juros no futuro, caso seja preciso, e seguirá vigilante sobre a Selic, avaliando se a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período prolongado será capaz de assegurar a convergência da inflação”. Ele explica que o Comitê resolveu alongar o período de estabilização do processo inflacionário, de 2023 até 2024, já sinalizando que as atuais condições no mercado de renda fixa poderão permancer por mais tempo.

Selic
Selic pode ter novos ajustes se inflação ficar acima do esperado - Foto: Agência Brasil

Para Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed, casa de análise e empresa de tecnologia e educação para investidores, “o comunicado ressalta que existem fatores de risco relacionados à inflação e que (os diretores do BC) continuam vigilantes, mesmo optando pela manutenção da taxa de juros, e deixam claro que há espaço para novos ajustes caso entendam que expectativas inflacionárias estão desencorando".

Um ponto de destaque, na opinião de Jorge, é a demonstração de receio do colegiado com a condução da política fiscal e os efeitos sobre os preços e expectativas de inflação no futuro. “O Banco Central começa, de fato, a demonstrar um pouco mais de preocupação com o âmbito fiscal e isso vai impactar as suas decisões político-monetárias".

Segundo o analista de renda fixa, da Suno Research, Vinicius Romano, o principal objetivo do Banco Central “é consolidar não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas no horizonte relevante, aproximadamente seis trimestres à frente".

Na lista dos principais riscos para alta da inflação e dos juros, o analista da Suno esclarece que o Copom considera a maior persistência na inflação global e a elevada incerteza sobre o fiscal. Ao mesmo, tempo, atuariam com pressões de baixa, a queda dos preços das commodities no mercado internacional, a recessão global, e a manutenção de medidas implementadas pelo governo para 2023.

Impactos na economia

Alves, da Ação Brasil, levanta a questão do impacto que a permanência dos juros pode trazer à economia: "O que mais preocupa no comunicado é o prolongamento do aperto monetário por mais tempo, que além do controle da inflação, pode ter um efeito rebote para o crescimento da economia brasileira".

Ele explica que, “em meio a mais gasto público e mais impostos, as empresas precisam repassar isso via preço para o consumidor final, o chamado ‘imposto indireto’, que contribui para a pressão inflacionária”. Esse efeito poderá obrigar o Copom, caso necessário, a promover alta de juros nas próximas reuniões. 

Na prática, a população, em especial a de baixa renda e a classe média, ficarão mais pobres no final do dia, porque por mais que haja políticas assistencialistas, e farto acesso ao crédito, o que gera uma falsa percepção de riqueza, todo esse dinheiro será corroído pela perda do compra causado pela inflação.

Idean Alves, Ação Brasil

Como ficam as aplicações

Para as aplicações de renda fixa, Romano ressalta que "entendemos que o patamar atual da Selic proporciona um bom retorno com um baixo risco para os ativos pós-fixados, já que estes não sofrem com volatilidade e são proporcionalmente impactados pela movimentação da taxa básica de juros."

Já os títulos indexados à inflação, para ele, trazem um carrego interessante no médio/longo prazo, já que alguns papéis oferecem um juro real acima de 6% ao ano. Considerando o objetivo principal do Banco Central brasileiro, no processo de desinflação e ancoragem das expectativas, são recomendáveis esses títulos vinculados ao IPCA com duration intermediária (em torno de 5 anos).

E com as fortes altas apresentadas pelos os juros futuros, os títulos prefixados de curto prazo ainda estão interessantes em termos nominais, se comparados às outras classes dentro da renda fixa, os papeis pós-fixados ou atrelados à inflação.

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Sobre o autor
Regina Pitoscia
Editora do Portal Mais Retorno.

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