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Fundos de Investimentos

Conheça o ETF Bolsa Estatais (PUBL11), do Inter, atrelado ao desempenho das gigantes do governo na Bolsa

Entre os ativos presentes no fundo estão empresas de petróleo, energia, seguros, resseguros, bancos e saneamento

Data de publicação:05/01/2022 às 01:57 -
Atualizado 4 meses atrás
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O mercado de ETFs (Exchange Traded Funds, ou fundos de índice) segue aquecido no Brasil. A cada dia, um novo produto surge no mercado, aumentando o leque de opções para os investidores. O Banco Inter, juntamente com o escritório de investimentos EQI e a Teva Índices, lançou o ETF Bolsa Estatais, que tem o ticker PUBL11, atrelado às gigantes estatais listadas na Bolsa brasileira.

De acordo com Felipe Bottino, diretor do Inter Asset, a ideia de criação do ETF foi embasada no bom momento para investir nesse tipo de ativo na Bolsa. “Quando observamos os múltiplos das companhias, como por exemplo, o Preço sobre Lucro (PL), em sua maioria, as estatais são negociadas com um desconto significativo em relação aos pares, sejam nacionais ou internacionais. Ou seja, tem um valuation atrativo para o investidor”, aponta.

Situação das estatais no Brasil em números (dados de 2020)
Petrobras está entre as empresas de maior peso no ETF Bolsa Estatais do Inter - Foto: Arquivo

O PUBL11 chega ao mercado em 2022 – no mês de fevereiro – ano de eleições, nos quais tradicionalmente as estatais ficam mais valorizadas na Bolsa por conta do aumento do volume de negociação. "É um volume absurdo, que cresce quatro vezes mais do que o habitual”, destaca Bottino.

Para o diretor, o investidor que busca especular sobre o cenário político brasileiro pode aproveitar a cesta de ativos do ETF para montar sua posição de acordo com sua convicção do resultado eleitoral.

O portfólio de ativos do PUBL11 é diversificado. Conta com bancos, empresas de petróleo, energia, água e esgoto, seguros e resseguros, aviação, entre outros.

Comparativamente, nas simulações realizadas pelo Inter, segundo documento de apresentação do PUBLI11, o índice teve um retorno de 40,7% contra apenas 15% do Ibovespa em 2018, ano eleitoral. E em 2016, ano de impeachment, o PUBLI11 registrou retorno de 27,9%, contra apenas 15,3% do principal índice da Bolsa.

ETF Bolsa Estatais (PUBL11)

  • Gestores: Inter Asset e EQI Gestão de Recursos
  • Preço por cota: R$ 10,49
  • Investimento inicial: R$ 209,80
  • Taxa de administração: 0,5%
  • Taxa de performance: não há

Outras comparações do índice Bolsa sem Estatais

Segundo informações do relatório Panorama de Estatais, do Banco Inter, se comparado o desempenho das companhias estatais contra o índice Bolsa sem Estatais e contra o Ibovespa, elaborado pela Teva Índices, obteve-se um desempenho acumulado, desde 2016 até o momento, de 111% do índice de estatais, contra 103% do índice sem estatais e 105% do Ibovespa.

“Em dois períodos distintos, o índice de estatais se descolou dos demais entre 2018 e 2020, com uma agenda de privatizações em evidência”, destaca a equipe de Research do Inter no documento, que é assinado por Rafaela Vitória, economista-chefe do banco, Matheus Amaral, coordenador de Equity Research, e Daniel Arruda, analista de Research.

Durante a pandemia, com maior pressão sobre o governo para alcançar a vacinação, a agenda de privatizações perdeu força e, de acordo com o Inter, houve desconto das estatais frente às demais. “Contudo, no fim de 2021 as companhias voltaram a se destacar”.

Confira quais são os ativos que fazem parte do ETF PUBL11

EmissoresParticipação
Petrobras20%
Banco do Brasil20%
Eletrobras11,6%
Cemig10,2%
Embraer8,8%
BB Seguridade 6,8%
Sabesp 6,4%
Copel 6,2%
IRB Resseguros 3,1%
Sanepar 2,3%
Caixa Seguridade2,2%
Copasa MG1,3%
Bamrisul1,2%
Fonte: Banco Inter

Privatização

Em anos de eleição, como é o caso de 2022, o mercado espera uma agenda de privatizações, aspecto que também pode ajudar a elevar a valorização das ações das estatais.

Nos últimos anos, não somente o debate sobre privatização voltou à cena, mas também houve a realização de alguns leilões e avanços na legislação que permite a venda de empresas federais como a Eletrobras e os Correios.

“Apesar do avanço ter sido modesto, algumas empresas foram leiloadas a partir de 2016, além da venda de importantes subsidiárias dos grandes grupos estatais”, destaca o relatório do Inter.

No caso da Eletrobrás, foram vendidas as subsidiárias de distribuição Celg, Cepisa, AmE, EletroAcre, Ceron e Ceal. A Petrobras também leiloou a Tag, a Logigás e a BR Distribuidora. “Tivemos também leilões estudais da CEB, pelo governo de Brasília, da Cesp em São Paulo, da Emae no Rio e das CEEE-D, CEEE-T e Sulgás no Rio Grande do Sul”, reforçam os especialistas do banco.

Considerando a atual conjuntura do País, a equipe de Research do Inter acredita que a necessidade de investimentos e as restrições por parte do governo podem continuar resultando em novas privatizações nos próximos anos, “que também serão embasadas pelos bons resultados obtidos não somente pelas vendas dos anos 1990, mas pelas atuais trocas de gestão”.

Situação das estatais no Brasil em números (dados de 2020)

  • Empresas controladas pelo governo de forma direta: 46
  • Empresas controladas pelo governo de forma indireta: 141
  • Volume de ativos total: R$ 5,3 trilhões
  • Resultado líquido: R$ 60,6 bilhões
  • Distribuição de Juros sobre Capital Próprio (JCP) e dividendos ao governo: R$ 5,4 bilhões
  • Número de empregados total: R$ 460,2 mil
  • Participação no PIB: 3,4%
  • Volume total de investimentos R$ 79,1 bilhões, com maior participação da Petrobras e Eletrobras

Quem são os ‘titãs’ do governo?

As principais estatais federais pertencem a seis grandes grupos empresariais: Petrobras, Eletrobras, Banco do Brasil, BNDES, Caixa e Correios. Dentre elas, o BNDES, Caixa e Correios não são listadas na Bolsa. Segundo o relatório do Inter, somente os seis gigantes possuem cerca de R$ 5,1 trilhões em ativos.  

Estratégia para o mercado de ETF

Segundo Bottino, a entrada do Banco Inter no mercado de ETFs, além de aproveitar o bom momento de forte expansão desse tipo de investimento no Brasil, tem a intenção de simplificar a vida dos seus clientes, oferecendo produtos financeiros com baixo custo, eficiência e liquidez.

“A intenção é integrar o ETF em nossa plataforma B2C e incentivar o autosserviço, algo que já faz parte da nossa estratégia de atuação”, reforça.

O ETF PUBLI11 é o segundo de três novos ETFs que o Inter está trazendo ao mercado. O GURU11 foi lançado no último dia 27 de dezembro e o NOGV11 estará disponível em janeiro de 2022.

Radiografia do mercado de ETF no Brasil

Recém-chegados ao mercado, os ETFs movimentaram algo perto de R$ 343 bilhões de janeiro a novembro deste ano, na Bolsa de Valores, a B3. 

Segmento movimentado por um universo de aproximadamente 500 mil investidores, sendo quase a totalidade de pessoas físicas, 488.429, e o restante distribuído entre investidores institucionais e outros, segundo dados de novembro da B3. Ao todo, são 56 produtos listados na B3 até a última revisão deste artigo.

De fato, o que é um ETF?

O ETF é um fundo de ações que tem como referência um índice da Bolsa de Valores. Sua composição é feita com o objetivo de atingir rendimentos iguais ou superiores ao indicador utilizado. Por exemplo, o BOVA11 tem como referencial o índice Bovespa (IBOV).

Investir em ETF pode ser uma boa alternativa para os iniciantes na Bolsa, pois ele tem exposição indireta ao mercado de ações e possui gestão passiva. Seu patrimônio é dividido igualmente em cotas, que são negociadas na Bolsa. Assim, o preço delas varia conforme os valores das ações que o compõe.

Vantagens dos ETFs

Uma das grandes vantagens de investir em ETF é a diversificação. Geralmente, ele é composto por diversos papéis e de segmentos diferentes, sem contar que esse tipo de ativo é focado em um índice da renda variável.

Outra vantagem do ETF é a volatilidade mais baixa. Como a sua exposição é indireta, mesmo que uma das ações tenha alta volatilidade, há outra que é mais estável. Então, o todo mantém o equilíbrio.

No Brasil, esse tipo investimento ainda é bastante recente. Foi lançado em 2004, inicialmente para investidores institucionais, mas foi em 2020 que esse mercado deu um salto ao tornar-se disponível também para o investidor pessoa física.

A gestão desse investimento é feita por profissionais especializados, que diariamente acompanham o mercado para tomar decisões certeiras de compra e venda e, assim, obter os melhores resultados.

Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.