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Commodities e energia elétrica, setores defensivos, são destaques nas carteiras recomendadas pelas casas para dezembro

Vale foi a empresa que mais apareceu entre as recomendações

Data de publicação:02/12/2021 às 05:00 -
Atualizado 7 meses atrás
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Montar uma carteira de ações em dezembro que ofereça proteção ao patrimônio pode parecer uma tarefa pra lá de desafiadora ao investidor. O índice Bovespa derreteu novamente em novembro, 1,53%, a quinta queda mensal consecutiva. Não bastasse o cenário doméstico - com o avanço nos níveis de inflação, juros subindo, o crescimento desacelerando e o cenário fiscal ainda com muitas incertezas - na última semana, o surgimento de uma nova variante de covid-19 ajudou a azedar ainda mais o humor do mercado, o que nocauteou a Bolsa de Valores.

Para facilitar a tarefa, a Mais Retorno reuniu as principais recomendações de sete casas de investimento para dezembro. Entre os destaques, as ações ligadas às commodities e energia elétrica ganharam mais espaço nos portfólios. Na prática, são ações mais defensivas que, faça chuva, faça sol, haja alta da inflação ou tensões na esfera política, os papéis respondem a fatores externos ou são de empresas com receitas atreladas à inflação.

carteiras recomendadas dezembro
Destaques entre as carteiras recomendadas de dezembro

Commodities: destaque para o minério de ferro

Com a deterioração do cenário macroeconômico brasileiro, as perspectivas para empresas de diversos setores também se transformaram. As companhias que têm uma forte relação com o consumo doméstico e dependem da preservação da renda dos consumidores, como é o caso das construtoras, por exemplo, tendem a ter suas receitas impactadas com a desaceleração da atividade econômica.

Em contrapartida, os papéis ligados às commodities devem oferecer maior proteção. Isso porque essas empresas trabalham fortemente com a exportação, além de não ficar depende do cenário interno, a receita delas é em dólar. Além do que, vale lembrar que quando o preço das commodities sobe nos mercados internacionais, o faturamento das exportadoras também vai junto, valorizando suas ações.

Entre as companhias do setor, a que mais apareceu nos portfólios para dezembro foi a Vale, presente nas carteiras recomendadas do Banco Safra, Ativa Investimentos, Warren e Banco Inter.

O Safra, que também manteve em seu portfólio a Petrobras, comenta que "apesar dos menores preços do minério de ferro e da maior incerteza sobre o nível de crescimento da China, que podem limitar o desempenho do papel (da Vale) no curto prazo", a visão segue positiva para os papéis da mineradora.

"A empresa deve continuar a gerar um fluxo de caixa sólido e manter níveis atrativos de remuneração aos acionistas. Adicionalmente, o prêmio de qualidade para o minério tende a se manter próximo do nível atual, devido à busca por maior eficiência e elevados padrões ambientais das siderúrgicas", completa o banco.

O Inter, em contrapartida, destaca que com a desvalorização do minério de ferro nas últimas semanas, a Vale apresentou uma "queda expressiva" no último mês, o que "abriu importante oportunidade de entrada no papel". A instituição, reforça, também, as boas expectativas de dividendos da companhia.

Ainda entre as empresas que trabalham com minério de ferro, destaque para a Gerdau, que foi recomendada pelo BTG Pactual, Inter e Ativa.

"Incluímos Gerdau em nossa carteira para nos aproveitar da resiliência da companhia no mercado doméstico e de sua exposição ao mercado norte-americano, onde atualmente atua com capacidade quase plena. O bom terceiro trimestre da companhia foi coroado com o anúncio de distribuição de fortes proventos. Ademais, em termos de valuation, vemos Gerdau negociando com um prêmio inferior à média histórica dos últimos dois anos frente aos pares", explica a Ativa.

Outras commodities nas carteiras recomendadas do mês

Com o objetivo de obter valorização com os preços elevados do petróleo nos mercados internacionais, o BTG Pactual manteve em seu portfólio a exposição aos papéis da PetroRio, bem como a Genial Investimentos e a Warren, que afirmou, em relatório, que a petroquímica tem um papel de destaque na carteira de dezembro.

Entre as empresas de commodities agrícolas, a JBS, produtora e exportadora de proteínas, foi recomendada pela Guide Investimentos, pela Ativa e pelo Inter.

Os analistas da Genial, que colocou em sua carteira as ações da empresa agrícola Jalles Machado, comentam que as "commodities agrícolas apresentaram desempenho positivo em novembro. O aumento contínuo dos preços dos alimentos, em grande parte é explicado pelo aumento dos preços dos fertilizantes, que por sua vez estão sendo impulsionados pelo aumento dos preços do gás natural".

"O cenário hoje traz grandes incertezas pelo número de variáveis e cenários possíveis que temos à frente, porém, ainda acreditamos que as commodities agrícolas em sua maioria permanecerão próximas das máximas mesmo diante do fortalecimento do dólar", completa a corretora em análise.

O setor de papel e celulose também ganhou força nos portfólios do mês: a Klabin aparece nas carteiras recomendadas da Warren, do Inter e da Guide, enquanto a Suzano foi recomendada pelo BTG Pactual.

Sobre a Klabin, a Guide comenta que, "no cenário atual a empresa tem se beneficiado em todos os seus segmentos: embalagem para alimentos e bebidas, tissue (papel higiênico e lenços de papel), e caixas de papelão para transporte dos produtos no e-commerce. Os volumes crescentes nas vendas, tanto de papel quanto de celulose, demonstram este cenário positivo".

Já o BTG explica que incluiu a Suzano em seu portfólio de dezembro por acreditar "que a dinâmica dos preços de papel e celulose é promissora", além de aumentar a posição da instituição ao dólar, em tempos de valorização acentuada da moeda americana.

Empresas de energia elétrica ganham espaço

Outra categoria de empresas que tende a sentir menos os impactos da deterioração econômica são as utilities - companhias que prestam serviços essenciais e que continuam a ser utilizados mesmo em momentos de crise, como é o caso do setor de energia elétrica. Justamente por isso, essas empresas são consideradas por especialistas como ações defensivas para o portfólio.

Entre as sete casas de investimento, o papel de energia elétrica mais vezes indicado foi o da Vibria Energia, que aparece nas carteiras recomendadas da Ativa, da Guide e da Warren.

"Após o Investor Day da companhia ocorrido no início do mês, os papéis performaram consistentemente neste mês com o mercado acreditando que a companhia conseguirá dar continuidade à sua conquista de market share e de maiores rentabilidades", destacam os analistas da Ativa.

A CPFL Energia e a Eneva também foram recomendadas por mais de uma casa: a primeira está nos portfólios do Banco Safra e do BTG Pactual, enquanto a segunda aparece nas carteira da Genial e da Warren.

Sobre a CPFL, o Safra comenta que ela é uma "empresa de energia integrada, com negócios em distribuição, geração, transmissão, comercialização de energia elétrica e serviços. A empresa detém uma operação de alta qualidade que garante fluxo de caixa estável e apresenta uma boa opção para investidores em um mercado volátil".

O banco pontua, ainda, que a CPFL é uma boa pagadora de dividendos e segue sendo uma das "Top Picks do setor" para a instituição.

Sobre o autor
Bruna Miato
Repórter na Mais Retorno