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BRF e JBS apresentam bons resultados no trimestre, sustentados pelas operações internacionais

O destaque ficou por conta das receitas líquidas das empresas

Data de publicação:12/11/2021 às 07:00 -
Atualizado 6 meses atrás
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Em dia de alta na Bolsa de Valores brasileira, a B3, esta quinta-feira, 11, contou com a divulgação de diversos balanços corporativos e, muitos deles, com resultados fortes que animaram o mercado. Entre as empresas que apresentaram seus números na véspera, destaque para duas do setor de alimentação, a Brasil Foods (BRF) e a JBS, que surpreenderam positivamente os especialistas com suas receitas líquidas.

De acordo com analistas de diferentes casas de análise, a escalada da inflação em diversos segmentos econômicos, inclusive nos alimentos, ajudaram as companhias a registrar um aumento na receita no terceiro trimestre. Mas além disso, e principalmente, o atual nível do dólar frente o real alavanca os resultados com as exportações. Ao mesmo tempo, a alta nos preços dos grãos impactou negativamente algumas operações.

Foto: Reprodução/JBS
Foto: Reprodução/JBS

Brasil Foods

A BRF reportou uma receita líquida de aumento R$ 12,39 bilhões entre julho e setembro deste ano, alta de 24,6% sobre os R$ 9,943 bilhões do terceiro trimestre de 2020. A maior parte dessa receita veio dos negócios da companhia no Brasil, chegando a R$ 6,392 bilhões no período, uma alta de 20% na comparação anual.

De acordo com a própria empresa, os preços dos produtos no País passaram por um reajuste e ficaram mais caros, afim de "reequilibrar as margens da indústria ante um cenário inflacionário global e sem precedentes".

O Bank of America (BofA), que afirma que "a resiliência do negócio em meia a um ambiente tão desafiador é uma surpresa positiva", questiona se essa tendência de alta na receita deve continuar à medida que os preços da carne bovina estão caindo, o que pode levar a um afastamento dos consumidores das categorias de aves, suínos e alimentos processados.

A BRF, no entanto, comunicou em seu balanço que, apesar da inflação e, consequentemente, a queda na confiança do consumidor - além da deterioração do cenário macroeconômico -, o consumo de carne de frango e de carne suína avança pelo País, enquanto o de bovina cai.

Em análise, a Ativa Investimentos destaca que a "forte expansão de receitas se deu em todos os segmentos em que (a BRF) opera". A corretora considera que a receita líquida da companhia continua "resiliente" e que o atual nível do dólar também contribuiu para os números registrados pela empresa, tendo em vista que a BRF atua também com exportações.

No segmento internacional, a receita líquida da exportadora de alimentos foi de R$ 5,449 bilhões, alta de 26,4% sobre o período de julho a setembro de 2020.

"A companha apresentou 62% de crescimento anual na receita líquida operacional no segmento de exportações diretas, com aumento de preços em dólares de 32% ano a ano, em função de maior demanda internacional por alimentos, principalmente nas regiões do Oriente Médio, Norte da Áfria e Américas. A BRF continua com a liderança nas exportações para a Arábia Saudita", explicam os analista da Ativa.

Prejuízos para a BRF

O destaque negativo no trimestre para a operação da BRF ficou por conta da Ásia, onde "apesar da boa dinâmica de preços no Japão e na Coréia do Sul, preços muito mais baixos na China afetaram a lucratividade", conforme explica o BofA. Segundo a Ativa, a queda de preço da carne suína na China, em função da recomposição do rebanho no país, prejudicou as margens no segmento Ásia.

Embora os resultados operacionais da BRF tenham sido positivos, a companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 271 milhões no trimestre e, com base em comunicado emitido ao mercado, o prejuízo se deve, sobretudo, ao resultado financeiro, "dada a atualização do valor justo da opção de venda relacionada à combinação de negócios da 'put option' Banvit".

As duas casas de análise destacam que as despesas financeiras da produtora de alimentos cresceu 77% na comparação anual, também em razão de despesas com juros acima do esperado. O fluxo de caixa livre da empresa ficou negativo em mais de R$ 300 milhões. "Embora algum capital de giro possa ser liberado, o fluxo de caixa em 2021 deve ser negativo, o que é preocupante dado o ambiente ainda desafiador e com taxas de juros em alta", comenta o BofA.

Além da queima de caixa, outro fator relevante para o prejuízo reportado pela companhia é a alta no preço dos grãos, especialmente o milho. "A BRF opera sobretudo no segmento de aves, cuja exposição ao ciclo dos grãos é bastante considerável. A recente alto do milho impactou os resultados da empresa", explica a Ativa.

Com base nos resultados da empresa, a corretora considera que a BRF tem um plano de metas "audacioso" de expansão de receitas e EBITDA até 2030, que, se bem-sucedido, poderá criar valor significativo para os acionistas.

"No entanto, estamos neutros em relação à BRF devido aos desafios de atuar num segmento mais vulnerável ao aumento de preços de grãos, que recentemente estão em patamares bastante elevados. Além disso, consideramos que a previsibilidade da demanda chinesa de aves e suínos é mais incerta do que a de bovinos, o que também implica risco maior na companhia", comentam os analistas da Ativa.

O BofA também manteve sua recomendação como neutra para os papéis da companhia, com um preço-alvo de R$ 30 por ação.

JBS

A receita líquida da JBS no terceiro trimestre de 2021 foi de R$ 92,625 bilhões, uma alta de 32,2% ante o mesmo período do ano passado. Enquanto isso, o lucro líquido da companhia disparou 142,1% na comparação anual, chegando a R$ 7,586 bilhões entre julho e setembro - ou um lucro por ação de R$ 3,01.

"A empresa registrou um recorde no terceiro trimestre, mostrando os benefícios de ter um produto diversificado e plataforma geográfica, que aliados a um balanço sólido, têm permitido seu crescimento e retorno de caixa aos acionistas", afirmam os analistas do BofA.

De acordo com o banco, boa parte desse bom resultado vem do cenário internacional. Se por um lado, as operações da JBS nos Estados Unidos disparou, com o Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no país mais que dobrando em relação ao ano anterior, por outro o nível de exportação da JBS também cresceu significativamente no terceiro trimestre.

A Ativa Investimentos compartilha do mesmo ponto de vista. "Tanto a JBS Brasil como a JBS US Beef e JBS Pork tiveram resultados bons em exportações, dado a resiliente demanda chinesa pela carne bovina. A China continua a aumentar sua participação nas exportações americanas, tornando-se o terceiro maior destino das exportações americanas de carne bovina", ressalta a corretora.

Outro ponto positivo que os analistas das duas instituições destacam é a antecipação do pagamento de dividendos por parte da JBS.

"A baixa alavancagem e o recorde histórico de receita, lucro e EBITDA permitiram à JBS ser uma das maiores pagadoras de dividendos do ano, além de ter liderado um grande programa de recompra de ações para adquirir 10% das ações em circulação da companhia, o que demonstra o compromisso da empresa em gerar valor para os acionistas", explica a Ativa.

Com o cenário microeconômico da companhia, o BofA manteve a recomendação de compra para os papéis da JBS, com um preço-alvo de R$ 55 por ação.

Pontos de atenção

Assim como a BRF, a JBS também sentiu a pressão inflacionária advinda do aumento das matérias-primas, com a escalada do preço dos grão, principalmente o milho. Essa pressão atingiu negativa e principalmente as operações da Seara, que tiveram queda de 10,2% no Ebtida na comparação anual.

"A JBS Brasil sofre com a ainda vacilante demanda interna pela carne bovina, em função do cenário econômico desafiador do Brasil, com elevado nível de desemprego. Além disso, o embargo chinês à carne bovina brasileira concorreu para que a JBS Brasil tivesse queda de 11% no número de bovinos processados no período", comenta a Ativa.

Também preocupa os analistas a redução no nível de exportações de carne suína para a China, em decorrência da recomposição do rebanho suíno chinês.

Sobre o autor
Bruna Miato
Repórter na Mais Retorno