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Em cenário de escalada da inflação, em que a autoridade monetária é obrigada a aumentar os juros, de modo a brecar e segurar a alta dos preços, a renda fixa vai se tornando cada vez mais interessante. Mas mesmo em nível de 6,25% ao ano, a taxa básica de juros, a Selic, está rodando abaixo da inflação, ou seja, a maioria das opções em renda fixa não está sendo capaz de proteger o investidor.

Há quem procure proteção na renda variável, nas chamadas ações defensivas. São papéis de empresas e setores consolidados, com uma geração de caixa forte e previsível mesmo nos momentos mais sensíveis, de crise econômica. Por contarem com uma situação de maior solidez, as empresas que emitem essas ações são menos vulneráveis a turbulências. Enquadram-se ainda nessa categoria, títulos de empresas que têm suas receitas corrigidas de acordo com a inflação, condição de blindagem contra a alta de preços. 

Foto: Envato ações defensivas
Ações defensivas são opções para momentos de inflação alta para proteger o investidor contra a desvalorização do dinheiro

Em seu último encontro, no dia 22, o Comitê de Política Monetária (Copom) mais do que elevar em um ponto percentual a taxa de juros, sinalizou ajustes na taxa dentro da mesma toada de um ponto porcentual nas duas últimas reuniões que acontecem ainda este ano.

Rachel de Sá, chefe de Economia da Rico, explica que a taxa, provavelmente, avançará para além do patamar neutro, o que quer dizer que "não estimula e nem desestimula a economia", em 6,5% ao ano.

A alta da inflação, o IPCA-15 de setembro veio acima do esperado (1,14%) e no acumulado em 12 meses o indexador bate os 10,05%, A consequente elevação dos juros impactam diretamente os resultados das empresas e, por tabela, os seus papéis.

Setores que vão sofrer mais

De acordo com a analista de investimento da Rico, Paula Zogbi, o setor mais afetado é o imobiliário, já que juros mais altos tornam a compra de imóveis mais difícil para o morador e menos atraente aos investidores que podem ter retornos mais altos na renda fixa.

Junto com o imobiliário, o setor de varejo também acaba sofrendo. A equação é simples: a inflação corrói o poder de compra dos consumidores, além do que os juros mais altos pesam nos financiamentos para quem for comprar a prazo.

Paula afirma, ainda, que todas as companhias são impactadas, de uma forma ou outra, pela elevação da Selic.

"O que a gente faz para avaliar o valor justo de uma ação é calcular os fluxos de caixa futuros por uma taxa de desconto”. A analista explica que essa taxa de desconto não é a Selic pura, mas ela servirá como base de cálculo. Portanto, quanto mais alta a Selic, mais alta a taxa de desconto.

O que considerar na escolha

A analista considera que, neste momento de instabilidade econômica, o ideal para montar um portfólio com posições defensivas são as ações de empresas líderes em seus setores.

Isso porque essas companhias têm mais facilidade em repassar preços em períodos de inflação ao consumidor, além de apresentar "um crescimento já comprovado por serem empresas de alta qualidade".

Energia elétrica e commodities

Paula afirma que um setor que sempre se destaca em períodos de crise para que o investidor possa adotar uma posição mais defensiva é o de utilities - empresas que prestam serviços essenciais para a população, como as de energia elétrica. Operadores do mercado explicam que "quando o mercado estressa, os investidores fogem para as empresas mais estáveis e perenes".

Embora o Brasil esteja enfrentando uma de suas maiores crises hídricas da história, a maioria das empresas do segmento não é atingida em termos de receita porque continua fornecendo seus serviços, além do que elas são corrigidas pela inflação.

Não à toa, em agosto, que foi um mês negativo para a Bolsa de Valores, a B3, cinco companhias elétricas se destacaram por apresentar valorização expressiva.

Os maiores avanços nas ações do setor de energia no último mês ficaram por conta da CPFL Energia (14,61%), Cemig (10,39%), EDP Brasil (7,65%), Companhia Paranaense de Energia (7,35%) e Equatorial (4,67%).

Outros papéis que podem ser boas opções na carteira defensiva são os de commodities, que são ativos reais, contam com seu valor intrínseco, e por isso se valorizam mesmo em períodos de inflação alta, explica a economista Rachel de Sá. 

Algumas commodities, no entanto, estão passando por um movimento recente de queda, especialmente o minério de ferro, acompanhando as medidas restritivas da China para reduzir a produção de aço.

Ainda assim, desde que a retomada econômica começou ao fim de 2020, os preços das commodities, tanto agrícolas quanto minerais, continuam em patamares muito elevados, o que ajuda o investidor a proteger o seu dinheiro contra a inflação.

"Não enxergamos uma alta muito maior para as commodities nos próximos meses, mas acreditamos que elas vão se estabilizar em patamares altos e não devem cair muito", afirma Rachel. 

Uma outra opção para ter o dinheiro empregado em commodities, mas não diretamente nas empresas que são mais suscetíveis às oscilações, é optar pelos fundos de commodities, lembra a analista da Rico, que contam com os papeis de várias exportadoras, diluindo os riscos.

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