Mercado Financeiro

Com ômicron, Powell e adiamento na votação da PEC dos Precatórios, Bolsa cai 1,12% e renova a mínima do ano

O dólar subiu 1,28%, cotado a R$ 5,70, influenciado pelo cenário externo

Data de publicação:01/12/2021 às 18:34 - Atualizado 2 meses atrás
Compartilhe:
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter Mais Retorno
  • Telegram Mais Retorno
  • WhatsApp Mais Retorno
  • Email Mais Retorno

Após oscilar entre altas e baixas ao longo de todo o dia, a Bolsa de Valores reforçou o movimento de queda e fechou com variação negativa de 1,12% nesta quarta-feira, 01. O que levou o Ibovespa a cair mais acentuadamente, renovando pelo segundo dia consecutivo o menor patamar para fechamento do ano, aos 100.775 pontos, foi a perspectiva de um adiamento na votação da PEC dos Precatórios no plenário do Senado Federal.

Durante a tarde, Eduardo Braga, o líder do MDB no Senado, afirmou que pedirá o adiamento da votação, que estava prevista para hoje, para amanhã, quinta-feira, 2. O senador considera que a medida é "mais prudente" porque a PEC pode ser deliberada de forma online, enquanto a votação para autoridades exige a presença física dos senadores. O Senado discutiu, nesta quarta, a indicação de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal, que foi aprovada.

pec dos precatórios bolsa
PEC dos Precatórios continua afetando a Bolsa | Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

"A PEC vai demorar. Como não faz diferença hoje ou amanhã, vota amanhã. Tendo em vista tudo o que aconteceu hoje, de sabatina, seria até mais prudente que a PEC ficasse para amanhã. A gente leria o texto com tranquilidade, as assessorias avaliariam e a gente votaria amanhã", comentou Braga.

O adiamento gerou mau-humor no mercado porque, embora seja considerada uma manobra fiscal, a aprovação da PEC dos Precatórios deixa mais definidos os rumos para o Orçamento de 2022, sem a perspectiva de furo no teto de gastos. A proposta visa abrir espaço fiscal para financiar o pagamento das parcelas de R$ 400 do Auxílio Brasil por meio do parcelamento de dívidas judiciais do governo federal e da reformulação do teto de gastos.

Powell, ômicron e os mercados

Além da atenção ao cenário fiscal doméstico, também esteve no radar dos investidores a fala do presidente do Fed, Banco Central americano, Jerome Powell. Embora em tom mais suave ao afirmar que a alta dos salários não vai exercer nova pressão sobre a inflação e, portanto, para uma retirada ainda mais rápida dos incentivos monetários, Powell voltou a se referir à necessidade de acelerar esse processo, além do que demonstrou preocupação com o avanço da ômicron. Isso também refletiu nos mercados.

A ômicron, variante do covid-19, já está presente em, pelo menos, 23 países, inclusive no Brasil e nos Estados Unidos. O que se sabe até aqui é que a variante é potencialmente mais contagiosa. De acordo com Rafael Riberio, analista da Clear Corretora, "isso eleva a probabilidade de novos lockdowns pelo mundo, o que justifica o alto nível de incerteza dos investidores e a volatilidade vista ao longo do dia. Por enquanto, diversos países fecharam suas fronteiras para evitar uma crise de novos casos".

Em contrapartida, até o momento, os relatos sobre os infectados pela ômicron ao redor do mundo indicam que os sintomas são leves e que a variante não evolui para formas mais agressivas da doença na mesma medida que a cepa Delta. Especialistas ressaltam que, apesar das notícias preliminares, é importante esperar resultados mais concretos nas próximas semanas para entender melhor o perigo que a ômicron representa.

"Caso (a variante) se mostrar pior do que o esperado, deveremos observar uma onda de pessimismo pelas bolsas no último mês do ano, o que gera ainda mais preocupações para a bolsa brasileira que já está em tendência de baixa", destaca Ribeiro.

Com os temores acerca da ômicron, os mercados americanos fecharam, mais um dia, no vermelho. Os índices S&P 500, Dow Jones e Nasdaq 100 recuaram 1,27%, 1,34% e 1,60%, respectivamente. Já o dólar, também refletindo a aversão ao risco por parte dos investidores, subiu 1,28% ante o real, cotado a R$ 5,70. A moeda americana é uma das principais opções de investimento em momentos de incerteza, por ser considerada uma moeda forte.

O dia na Bolsa

A alta no preço do minério de ferro nos mercado internacionais fez com que a Vale e as siderúrgicas caminhassem durante todo o dia em terreno positivo e com altas expressivas, de mais de 2%. No entanto, com as perspectivas de que a votação da PEC dos Precatórios será adiada, a mineradora devolveu boa parte da valorização do dia e fechou em leve alta de 0,40%.

A Gerdau conseguiu se manter no patamar positivo e avançou 1,43%. Ainda no campo das commodities, a Petrobras viveu o mesmo movimento que a Vale e subiu 0,58% no pregão da Bolsa.

Os bancões, que juntos correspondem a cerca de 17% da composição do Ibovespa, também operaram em alta durante boa parte do dia, mas com as incertezas no cenário fiscal, inverteram o sinal e fecharam, majoritariamente, no vermelho. As ações do Itaú, Santander, Bradesco e Banco do Brasil recuaram 0,65%, 1,27%, 0,40 e 1,70%, nesta ordem.

Entre as maiores altas do dia estão alguns dos papéis que mais caíram na véspera. A petroquímica Braskem, a produtora de papel e celulose Suzano e a varejista de produtos de animais Petz avançaram 5,45%, 3,37% e 1,32%, respectivamente.

Já entre as maiores baixas da Bolsa, Magazine Luiza despencou 11,79% e Méliuz, 11,37%.

Sobre o autor
Bruna Miato
Repórter na Mais Retorno