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Renda Fixa

Ômicron e a renda fixa: como alocar os recursos no atual cenário de incertezas

Especialistas explicam que a renda fixa pós-fixada é a melhor opção

Data de publicação:30/11/2021 às 05:00 -
Atualizado 6 meses atrás
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Na última sexta-feira, 29, os mercados globais foram pegos de surpresa com a notícia de que uma nova variante de covid-19, potencialmente mais transmissível, foi descoberta na África do Sul. Como reflexo de um cenário tomado por incertezas quanto às questões de saúde pública, atividade econômica e, consequentemente, decisões de política monetária, as bolsas de valores aqui e lá fora despencaram.

Especialistas explicam que, enquanto não houver respostas mais claras sobre os riscos dessa nova cepa, batizada de Ômicron pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a tendência é que os mercados sigam com bastante volatilidade nas próximas semanas, reagindo a notícias pontuais sobre a doença. Neste contexto, a renda fixa se apresenta como uma opção mais segura e menos volátil para o investidor que busca proteger seu patrimônio.

Foto: Reprodução ômicron
Ilustração 3D de uma célula do coronavírus, responsável pela covid-19 | Foto: Reprodução

Impactos que a Ômicron pode trazer para a economia

Rachel de Sá, chefe de economia da Rico Investimentos, explica que a nova variante pode oferecer dois grandes perigos para a economia. O primeiro deles é em relação à cadeia global de produção e suprimentos. Com as primeiras ondas de covid-19 e as medidas restritivas de circulação, diversos pontos da cadeia de produção ficaram paradas ou tiveram suas atividades reduzidas, diminuindo a oferta de muitos produtos ao redor do mundo.

Ao mesmo tempo, para estimular a economia em um contexto em que parte considerável da população perdeu o emprego e teve uma queda brusca em sua renda, os bancos centrais de vários países passaram a adotar medidas de política monetária de transferência de renda e redução na taxa de juros. Assim, a demanda cresceu enquanto a oferta permanecia baixa, um combo perfeito para a escalada nos preços que pode se repetir com a Ômicron.

Além disso, Rachel destaca que o momento atual é de expectativa em torno dos rumos da taxa de juros nos Estados Unidos, maior economia do mundo. O Federal Reserve (Fed, banco central americano) já havia sinalizado em suas últimas reuniões que essa alta pode começar já no ano que vem. Porém, a depender dos desdobramentos sociais e econômicos do avanço do coronavírus pela nova cepa, os planos da instituição podem ser adiados a fim de manter a economia americana aquecida.

No Brasil, a economista explica que soma-se à deterioração macroeconômica, com inflação e juros subindo e Produto Interno Bruto (PIB) desacelerando - consequência da pandemia e das medidas adotada para preservar a saúde e a renda da população -, o cenário fiscal, já bastante comprometido. "A nova variante pode elevar os debates em relação ao nível de gastos do governo e às mudanças nas regras fiscais", afirma ela.

Rachel considera, ainda, que "o mais acertado é esperar as próximas semanas para entender o que é esta nova variante e qual o seu impacto na economia e nos mercados".

As opções em renda fixa

Para Nelson Muscari, coordenador de fundos da Guide Investimentos, tomar qualquer decisão de investimento com base na descoberta da Ômicron "é um pouco arriscado", tendo em vista que pouco se sabe sobre a variante, seu nível de transmissão e riscos à saúde.

A economista da Rico compartilha da mesma opinião e ressalta que, no curto prazo, a melhor estratégia é não fazer grandes mudanças no portfólio até que a OMS e outros órgãos de saúde pública tenham mais informações.

No entanto, para o médio e longo prazo, especialistas afirmam que a renda fixa pode ajudar a manter a carteira mais protegida contra os riscos decorrentes do avanço da covid-19 para a economia global, sobretudo uma pressão inflacionária ainda mais acentuada e, consequentemente, uma possível elevação dos juros para frear a alta nos preços.

"Nesse cenário de incerteza da trajetória de inflação e juros, o que melhor performa é a renda fixa pós-fixada. Mas, claro, é importante não colocar todos os recursos em apenas um tipo de investimento", comenta Andressa Siqueira, especialista em Investimento da Magnetis.

Muscari explica que os títulos pós-fixados, ou seja, aqueles que são indexados à rentabilidade de um índice até o final do prazo de investimento - geralmente o CDI -, podem se beneficiar da tendência de alta dos juros no Brasil. O especialista explica que "com a inflação sendo afetada, os juros vão subir também" e, assim, o retorno que esses títulos oferecem acompanham o movimento de valorização. Uma boa opção para a proteção do patrimônio.

No mesmo sentido, o especialista em Renda Variável da Valor Investimentos, Everton Medeiros, explica que, caso a Ômicron "não seja contida em tempo hábil", as incertezas levam a uma aversão ao risco no mercado, o que faz o investidor migrar da renda variável para a renda fixa.

Outro tipo de ativo dentro da renda fixa que pode oferecer uma rentabilidade que pelo menos acompanhe a inflação são os títulos atrelados à inflação - geralmente híbridos, ou seja, com um retorno guiado por uma taxa pré-fixada mais a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Muscari afirma que, caso a inflação esteja muito alta até o vencimento do título, o investidor vai ter um retorno que diminui os impactos da desvalorização do dinheiro.

Medeiros considera que "a melhor estratégia para um investidor cauteloso é estar bem alicerçado em títulos indexados à inflação e manter uma posição de segurança no exterior. Uma concentração elevada em ações brasileiras deixaria a carteira vulnerável demais a oscilações de curto prazo".

Já em relação aos títulos pré-fixados, aqueles que têm uma rentabilidade definida jno momento de aquisição do investimento, Andressa Siqueira afirma que, por não acompanharem a evolução da inflação e dos juros, comprar tais ativos "pode significar uma marcação a mercado desfavorável e até perda de poder aquisitivo".

Sobre o autor
Bruna Miato
Repórter na Mais Retorno