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Mercado Financeiro

Com nova variante de covid-19 no radar, Bolsa cai 3,39% e dólar sobe a R$ 5,61

Cenário fiscal brasileiro ficou em segundo plano no pregão desta sexta-feira

Data de publicação:26/11/2021 às 18:53 -
Atualizado 2 anos atrás
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O anúncio do surgimento de uma nova variante de coronavírus, potencialmente mais transmissível, na África do Sul, fez a Bolsa de Valores, a B3, registrar uma forte queda de 3,39% nesta sexta-feira, 26, refletindo a aversão global ao risco. O Ibovespa fechou aos 102.224 pontos, mas no dia chegou a renovar sua mínima do ano, atingindo os 101.495 pontos. Na semana, a Bolsa caiu 1,38%.

O dólar, por sua vez, fechou em alta de 0,78% neste pregão, cotado a R$ 5,61. Em relação à última sexta-feira, o dólar perdeu força frente o real, acompanhando as sinalizações de que a PEC dos Precatórios deve avançar no Senado Federal, e apresentou recuo de 0,07%.

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Bolsa cai os 102 mil pontos | Foto: Envato

Os mercados internacionais também foram penalizados com a volta da pandemia de covid-19 ao centro das atenções. Nos Estados Unidos, os índices S&P 500, Dow Jones e Nasdaq 100 derreteram 2,09%, 2,53% e 2,09%, nesta ordem. Na Europa, o índice Stoxx 600, que mede o desempenho de 600 empresas por todo o continente, caiu 3,67%, a 464,04 pontos.

A nova variante do coronavírus, batizada de Omicron pela Organização Mundial da Sáude (OMS), foi classificada como preocupante e já levou vários países, como EUA, Canadá e o continente europeu, a restringir viagens e entrada de visitantes vindos do sul da África, destaca o BTG Pactual.

O analista da Clear Corretora, Rafael Ribeiro, ressalta que, entre as notícias que causaram mais preocupação até agora, está o fato de a nova cepa já ter passado por 50 mutações, algo inédito e que coloca sob perspectiva a eficácia das vacinas contra essas mutações. Até o momento, mais de 70 casos já foram confirmados na África do Sul, quatro em Botsuana, e um em Hong Kong, Israel e Bélgica.

No Brasil, o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, afirmou que "há possibilidade da nova variante já estar em circulação" por aqui, mas até o momento não há registros, destaca a Wisir Research. A Anvisa recomendou a restrição dos voos vindos da região para o País. O presidente Jair Bolsonaro, entretanto, descartou essa possibilidade em conversa com apoiadores mais cedo.

Ribeiro explica que "em termos de investimento em renda variável, uma nova variante com o potencial risco como essa aumenta muito o nível de aversão ao risco, ainda mais para o Brasil, que já está debilitado em relação a perspectivas econômicas".

Os especialistas afirmam que o maior temor do mercado com a Omicron, somado à quarta onda de covid-19 na Europa, é que as medidas restritivas de circulação cresçam globalmente, impactando a recuperação econômica dos países.

O dia na Bolsa

O dia foi de queda generalizada na Bolsa, com os investidores migrando para investimentos tidos como mais seguros para proteger o patrimônio contra uma possível recessão econômica na esteira do novo avanço da pandemia.

As commodities viveram um pregão de queda nos mercados internacionais, uma vez que a redução na circulação de pessoas reduz, também, a demanda por diversos produtos. Assim, Vale e Petrobras, que juntas correspondem por cerca de 23% da composição do Ibovespa, registraram queda expressiva de 2,13% e 3,31%.

Outras empresas ligadas às commodities, como CSN, Usiminas e Gerdau também fecharam no vermelho, com variação negativa de 4,44%, 6,44% e 2,21%, respectivamente. A maior queda neste campo, porém, ficou por conta da PetroRio, que derreteu 9,19%.

Já os bancões Bradesco, Itaú e Santander que, junto, têm cerca de 17% da carteira teórica da B3, caíram 3,95%, 1,68% e 3,45%, na sequência.

As maiores baixas do dia, no entanto, vieram das companhias aéreas e empresas de turismo, um dos setores mais afetados pela pandemia. Vale lembrar, ainda, que na véspera os pilotos de companhias aéreas iniciaram uma greve reivindicando aumento nos salários. As ações da Azul, Gol e CVC despencaram 13,78%, 11,17% e 10,95%, nesta ordem, no pregão da Bolsa.

Cenário fiscal

Com a covid-19 ganhando o centro das discussões globais, o cenário fiscal interno ficou em segundo plano, principalmente por conta da falta de avanços de temas que estão sendo acompanhados de perto, como a PEC dos Precatórios.

O governo quer votar a PEC na próxima terça-feira, 30, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário, mas ainda há pressão por mudanças. O PSD, partido do presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, que tem a segunda maior bancada, age para adiar a votação e ameaça dar votos contra se não houver alterações.

"Não posso garantir (aprovar na próxima semana). Na verdade, ela tem que cumprir a etapa da Comissão de Constituição e Justiça. Finalizada na comissão, vai a plenário e, assim que chegar, eu vou ter o senso de urgência em relação à PEC porque ela precisa ser apreciada", disse Pacheco em coletiva de imprensa.

Pacheco afirmou que a PEC tem prioridade no Senado, mas que o plenário também terá prioridade para avaliar as indicações de autoridades que dependem de aprovação dos senadores, entre elas a do ex-ministro André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal (STF).

O impasse em torno da proposta dos precatórios começou a atrasar o cronograma do Orçamento de 2022, aumentando o risco de o projeto orçamentário não ser votado pelo Congresso neste ano. "Nós vamos tentar justamente evitar isso. Por isso, é uma luta contra o tempo", afirmou o presidente do Senado.

Outro fator que ganhou relevância no dia foi a petição contra a transparência de dados do Orçamento Secreto. Após discutirem a redação do ato conjunto do Congresso, no qual assumem o descumprimento de decisão judicial, os presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, apresentaram formalmente uma petição ao Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter a decisão da Corte que impôs transparência ao orçamento secreto. / com Agência Estado

Sobre o autor
Bruna Miato
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