Economia

Em pronunciamento realizado no começo da tarde desta quarta-feira, 8, um dia depois dos atos antidemocráticos do 7 de Setembro, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que "a Constituição jamais será rasgada", mencionando que as questões que já foram discutidas e decididas pelos poderes, como o voto impresso, devem ser superadas.

O parlamentar disse ainda, sem citar nomes, que é hora de dar fim às "bravatas em redes sociais" e se voltar aos problemas que atingem o Brasil real, como a pandemia, o desemprego e alta de preços. Lira apresentou o poder Legislativo como um "motor pacificador" que está disposto a ajudar no fim dos confortos entre Executivo e Judiciário.

arthur lira
Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados

"Esperei até agora para poder me pronunciar porque não queria ser contaminado pelo valor de um ambiente já por demais aquecido. Não me esqueço um minuto que presido o poder mais transparente e democrático", afirmou o presidente da Câmara.

Em seguida, Arthur Lira disse que os deputados não pararam "diante de crises que só fazem o Brasil perder tempo, perder vidas e perder a oportunidade de progredir, de ser mais justo e de construir uma nação melhor para todos", ressaltando que a Câmara votou e aprovou o Auxílio Emergencial e leis que facilitaram o acesso à vacinação, além de dar andamento às pautas reformistas.

Ainda sobre a crise institucional, o parlamentar enfatizou que não pode "admitir questionamentos sobre decisões tomadas e superaras, como a do voto impresso. Uma vez definida, vira-se a página." Ele destacou, também, que seguirá defendendo o direitos dos parlamentares à livre expressão, cabendo à Câmara decidir sobre punições em casos inconstitucionais.

"Os poderes têm delimitações. O tal quadrado deve circunscrever seu raio de atuação. Isto define respeito e harmonia", ressaltou Lira. "A Câmara dos Deputados está aberta a conversas e negociações para serenarmos, para que todos possamos nos voltar ao Brasil real, que sofre com o preço do gás, por exemplo."

O deputado finalizou seu discurso afirmando que o "único compromisso inadiável e inquestionável que temos em nosso calendário está marcado para 3 de outubro de 2022 com as urnas eletrônicas. São as cabines eleitorais, com sigilo e segurança, que o povo expressa sua soberania" e pedindo respeito às leis, à ordem e ao Brasil.

Confira o discurso de Arthur Lira na íntegra

"Diante dos acontecimentos de ontem, quando abrimos as comemorações de 200 anos como nação livre e independente, não vejo como possamos ter ainda mais espaço para radicalismo e excessos. Esperei até agora para poder me pronunciar porque não queria ser contaminado pelo valor de um ambiente já por demais aquecido.

Não me esqueço um minuto que presido o poder mais transparente e democrático. Nossa casa tem compromisso com o Brasil real, que vem sofrendo com a pandemia, com o desemprego e com a falta de oportunidades. Na Câmara dos Deputados, aprovamos o Auxílio Emergencial e votamos leis que facilitaram o acesso à vacinação. Avançamos na legislação que permite a criação de mais emprego e mais renda.

A casa do povo seguiu adiante com as pautas do Brasil, especialmente as reformas. Nunca faltamos para com os brasileiros. A Câmara não parou diante de crises que só fazem o Brasil perder tempo, perder vidas e perder a oportunidade de progredir, de ser mais justo e de construir uma nação melhor para todos.

Os poderes têm delimitações. O tal quadrado deve circunscrever seu raio de atuação. Isto define respeito e harmonia. Não posso admitir questionamentos sobre decisões tomadas e superaras, como a do voto impresso. Uma vez definida, vira-se a página, assim como também vou seguir defendendo o direito dos parlamentares à livre expressão e a nossa prerrogativa de puni-los internamente, se a casa, com sua soberania e independência, entender que cruzaram a linha.

Conversarei com todos e com todos os poderes. É hora de dar um basta a essa escalda e um infinito looping negativo. Bravatas em redes sociais, vídeos e um eterno palanque deixaram de ser um elemento virtual e passaram a impactar o dia a dia do Brasil de verdade. O Brasil que vê a gasolina chegar a R$ 7, o dólar valorizado em excesso e a redução de expectativas.

Uma crise que infelizmente é super dimensionada nas redes sociais, que apesar de amplificar a democracia, estimula incitações e excessos.

Em tempo, quero aqui enaltecer a todos os brasileiros que foram às ruas de modo pacífico. Uma democracia vibrante se faz assim: com participação popular e liberdade e respeito a opinião do outro.

Foi isso que inspirou Niemeyer e Lúcio Costa quando imaginaram a Praça dos Três Poderes. Colocaram o Executivo, o Judiciário e o Legislativo no meio, equidistantes, mas vizinhos e próximos suficiente, para que hoje a gente possa se apresentar como uma ponte de pacificação entre Judiciário e Executivo. E este papel que queremos desempenhar agora.

A Câmara dos Deputados está aberta a conversas e negociações para serenarmos, para que todos possamos nos voltar ao Brasil real, que sofre com o preço do gás, por exemplo. A Câmara dos Deputados apresenta-se hoje como motor de pacificação. Na discórdia, todos perdem, mas o Brasil, a nossa história tem ainda mais o que perder.

Nosso País foi construído com união e solidariedade e não há receita para superar a grave crise socioeconômica sem estes elementos.

Está casa tem prerrogativas que seguem vivas e quer seguir votando e aprovando o que é de interesse público e entende e estende a mão aos demais poderes para que se voltem ao trabalho, encerrando desentendimentos.

Por fim, vale lembrar que temos a nossa Constituição, que jamais será rasgada. O único compromisso inadiável e inquestionável que temos em nosso calendário está marcado para 3 de outubro de 2022 com as urnas eletrônicas. São as cabines eleitorais, com sigilo e segurança, que o povo expressa sua soberania. Que até lá tenhamos todos serenidade e respeito às leis, à ordem e, principalmente, à terra que todos amamos."

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Repórter na Mais Retorno

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