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Recondução de Powell ao Fed lá fora e situação fiscal no Brasil favorecem alta do dólar

Algumas condições como relação entre exportações e importações e juros em alta podem segurar escalada da moeda

Data de publicação:25/11/2021 às 08:00 - Atualizado 8 dias atrás
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A situação fiscal do Brasil continua gerando muita apreensão aos investidores. A PEC dos precatórios foi aprovada na Câmara, fato que tirou um pouco de pressão no câmbio, que caiu de R$ 5,75 para R$ 5,40 em quase 3 semanas. O Dollar Index segue forte e subindo e o dólar/real caiu um pouco, como pode ser observado no gráfico abaixo que mostra as cotações de fechamento semanal destas duas moedas (atualizado até 22/11/21).

Fonte: Wagner Investimentos.

Motor externo: o DXY está em tendência de alta de médio prazo e de longo prazo e ganhou muita força nas últimas semanas basicamente por cinco motivos:

  1. Dados econômicos acima do esperado nos Estados Unidos e mais fracos na Europa e na China;
  2. Início do processo de redução de compra de ativos pelo Fed (tapering);
  3. Avanço da Covid na Europa, que adota novas medidas de distanciamento social, inclusive lockdowns;
  4. Inflação persistente e alta nos Estados Unidos. A Europa está adotando novas medidas de restrição devido a Covid e isso deve piorar ainda mais os gargalos de suprimentos na cadeia produtiva global;
  5. Joe Biden fez o esperado e reconduziu Jerome Powell para a presidência do Fed. Porém, parte do mercado apostava que Lael Brainard, que assumirá a vice-presidência, pudesse ser a escolhida. Powell e Brainard são “dove” (“pomba”) e, traduzindo o economês, favoráveis a juros baixos, mas, Brainard é mais “dove” do que Powell, ou seja, mais adepta a juros baixos.  

Motor interno: A PEC dos precatórios foi aprovada na Câmara e está no Senado com expectativa de ser aprovada no início de dezembro, porém há risco de “fatiamento” do texto em meio as negociações políticas. Assim, o mercado não sabe como ficará o texto final, gerando dúvidas. Além disso, há duas más notícias:

  1. Congresso deve incluir cláusula de reajuste automático anual para o Auxílio Brasil e  para a tabela do Imposto de Renda, aumentando a indexação, algo muito negativo para as expectativas de inflação;
  2. O Ministério da Economia reviu o valor que a PEC dos precatórios abre no Orçamento e aumento de R$ 91 bilhões para R$ 106 bilhões, valor 15% acima do divulgado até a semana passada.

Em resumo: os dois motores estão ligados para favorecer o dólar a subir!

Próximos eventos relevantes:

  • 01 de dezembro – PMI Manufacturing (EUA, Europa e China)
  • 02 de dezembro – PIB 3º trimestre (Brasil)
  • 03 de dezembro – Payroll (EUA). PMI Serviços (EUA e Europa)
  • 08 de dezembro – Reunião do Copom
  • 10 de dezembro – IPCA (Brasil) e CPI (EUA)
  • 15 de dezembro – Reunião do Fed (comunicado, conferência de imprensa e novas projeções)

Caminhos para o dólar/real:

Acreditamos que o Dollar Index seguirá em tendência de alta, fato que sugere que o dólar/real seguirá em tendência de alta. É muito difícil estimar até que patamar o dólar/real subirá ou se fez máxima. Há muitos fatores em questão e destaco os que precisam ser acompanhados para compreender melhor a dinâmica do dólar no Brasil:

  1. Eleições: falta mais ou menos um ano para conhecermos o futuro Presidente. Se os principais candidatos (supondo Bolsonaro, Lula, Moro e Leite / Dória) seguirem uma linha de ajuste fiscal, essas eleições podem não ser tão dramáticas como as de 2014 e 2018. Vamos aguardar a composição das chapas!  É importante destacar que a única análise que interessa nesta coluna é a econômica;
  2. Termos de troca: o Banco Central publicou uma apresentação de Roberto Campos Neto de 19 de outubro e há um gráfico muito interessante sobre termos de troca:

Resumidamente, “termos de troca” é uma média ponderada. É a relação entre os preços de exportações e os preços das importações ponderados pelo peso de cada item na composição da balança comercial. Quanto mais alta a relação significa que com as mesmas exportações é possível importar mais. Essa melhora no Brasil se deve à explosão dos preços das commodities.

Observe que no Brasil e nos outros países destacados há uma diferença muito grande entre a taxa de câmbio e os termos de troca. Assim, esse fundamento até o momento não tem funcionado, mas no longo prazo há uma convergência! Em resumo, o dólar deveria cair;

  • Taxa Selic. Há um ano era possível comprar dólares com custo mensal de R$ 0,01 e hoje esse custo está em torno de R$ 0,05, fato que dificulta apostar em dólar muito alto a partir de um nível elevado, como R$ 5,60. Além disso, observando o relatório Focus, o mercado projeta Selic em dois dígitos em 2022 e IPCA abaixo de 5%, fato que deixa o juro real (acima da inflação) acima de 5%, muito elevado em termos globais.

Concluindo: termos de troca muito favoráveis para o Brasil, taxa Selic em dois dígitos e com juro real alto e cenário eleitoral eventualmente mais favorável seriam fatores internos (motor interno) que podem limitar a alta do dólar ou até mesmo provocar uma queda do dólar. Lembre-se sempre de analisar o “motor externo” e o “motor interno” conjuntamente!

Desejo a todos uma ótima semana e bons negócios!

Abraços,

José Faria Júnior

Disclaimer: este material foi elaborado com a exclusiva finalidade de apresentar conteúdo meramente indicativo, não devendo, em nenhuma hipótese, ser interpretado como um texto, relatório de acompanhamento, estudo ou análise sobre câmbio ou valores mobiliários que possam auxiliar ou influenciar no processo de decisão. As informações utilizadas para a sua elaboração foram obtidas de fontes públicas consideradas confiáveis e de boa fé, porém não há nenhuma garantia, expressa ou implícita, sobre mudanças, que não implica na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança. Desta forma, a Wagner Investimentos e o analista envolvido em sua elaboração não aceitam responsabilidade por qualquer perda direta ou indireta decorrente da utilização do conteúdo deste documento.

Sobre o autor
Jose Faria Júnior
Jose Faria JúniorJosé Raymundo de Faria Júnior é economista graduado pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e mestre em Administração pela Fecap. Sócio desde 2006 da Wagner Investimentos, possui as certificações financeiras CFP®️, CNPI, CGA e é Consultor de Valores Mobiliários.
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