Logo Mais Retorno
Empresa

Vale a pena comprar ações de Eletrobras com o FGTS? Reservas começam nesta sexta-feira

Investidor deve evitar a concentração de recursos no papel da estatal

Data de publicação:03/06/2022 às 00:30 -
Atualizado um mês atrás
Compartilhe:
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter Mais Retorno
  • Telegram Mais Retorno
  • WhatsApp Mais Retorno
  • Email Mais Retorno

Começa hoje, 3, e vai até dia 8 o período do pedido de reserva para quem vai comprar ações da Eletrobras. Sem essa solicitação, em um banco ou corretora, o interessado não terá acesso aos papeis que serão ofertados no processo de privatização da estatal de energia elétrica. Mas vale a pena?

A compra poderá ser feita com recursos próprios ou com o emprego do dinheiro do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.  A Eletrobras ofertará até R$ 6 bilhões em ações para o investidor que vai usar os recursos da conta vinculada do FGTS para a aquisição.

Eletrobras
Foto: Paulo Cesar Menezes

Algumas condições são distintas para a participação com recursos próprios e com o uso do FGTS. Quem vai tirar o dinheiro da conta vinculada pode usar desde R$ 200 até a metade do saldo da conta para a compra.

Investimento por meio de fundo de privatização

O investimento do FGTS em ações da Eletrobras é feito por meio de fundos criados por instituições financeiras. São duas categorias: Fundos Mútuos de Privatização (FMP-FGTS), com a migração de dinheiro da conta do FGTS para a compra de ações, e FMPs, Migração, com a transferência de recursos de outras carteiras da mesma modalidade para o novo fundo.

Esses FMPs, Migração receberão recursos de outras carteiras, da mesma modalidade de fundos similares existentes, como os da Petrobras e da Vale. O limite de até metade do saldo do FGTS para emprego em Eletrobras considera a soma de todas as aplicações que investidor tem em FMPs, e não apenas na conta vinculada do Fundo de Garantia.

Os interessados têm à disposição cerca de 21 fundos, em bancos e gestoras, para investir o FGTS em ações na oferta da Eletrobras. São eles: Alfa, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Bradesco, BTG Pactual, Caixa Econômica Federal, Daycoval, Genial, Guide, Itaú, Safra, Santander e XP. Alguns oferecem mais de um fundo de privatização.

Pesquise antes de escolher a gestora

O investidor deve fazer uma pesquisa para escolher um banco ou uma corretora, porque algumas condições podem ser diferenciadas no mercado. Uma é a taxa de administração cobrada, que varia de 0,2% a 1,5% ao ano. A Daycoval, por exemplo, não vai cobrar taxa nesse tipo de fundo, mas ela pode chegar a 0,55% no Santander.

Escolhida a gestora do fundo, o investidor deve acessar o aplicativo FGTS, com o CPF, e autorizar o banco ou a corretora a consultar o saldo e fazer a reserva. Em seguida, a instituição repassa o pedido e informa à Caixa quanto o investidor quer aplicar.

O investidor pode comprar as ações da privatização ainda com recursos próprios. O período para o pedido de reserva de papeis da estatal, nesse caso, também vai de hoje ao dia 8. O valor mínimo para a compra direta, sem o uso do FGTS, é R$ 1 mil e o máximo, R$ 1 milhão.

O preço que o investidor pagará pelas ações na privatização da Eletrobras será conhecido no dia 9 de junho. O valor será definido após o processo chamado bookbuilding, em que os investidores manifestam o interesse na compra. As ações passam a ser negociadas na B3 em 13 de junho.

Prós e contras

Ao comprar os papeis de Eletrobras com os recursos do FGTS o investidor está trocando uma rentabilidade de 3% ao ano mais Taxa Referencial (TR) pela perspectiva de ganho maior com a valorização das ações.

Uma troca de renda fixa pela renda variável que acena com oportunidades, mas que envolve risco, de acordo com os especialistas. O investidor pode tanto ganhar mais que o acanhado rendimento do FGTS como perder com a desvalorização das ações da estatal.

A indicação é que, por isso, se participe da privatização da estatal com apenas uma parcela dos recursos da conta vinculada. Algo como 20% a até no máximo 30%, como diversificação da carteira de investimentos.

Uma tacada mais arrojada que valeria também para o emprego de recursos próprios mantidos em disponibilidade, sem envolver o dinheiro da reserva de emergência de aplicações financeiras com baixo risco.

Evite o risco de concentração

Especialistas recomendam cautela aos investidores. Entendem como exagerado, por exemplo, o uso de metade do dinheiro do FGTS – como permite a legislação - para a compra de ações da Eletrobras. Consideram uma opção de alto risco e até uma temeridade a concentração de recursos em papeis de apenas uma empresa.

Os especialistas veem com reservas também a migração de recursos do FGTS investidos em fundos FGTS-Petrobras e FGTS- Vale para a compra de ações da Eletrobras. A menos que o objetivo seja a diversificação de carteira, eles entendem que é melhor permanecer onde está, porque Petrobras e Vale tendem a oferecer melhores retorno que a Eletrobras.

O tempo do pedido de reserva para quem optar pela compra de ações com os recursos transferidos de outros FMPs, como os de Vale e Petrobras, para o FMP, Migração da Eletrobras é mais curto. Termina na segunda-feira, 6 de junho.

Leia mais:

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.