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Mercado Financeiro

Mercado inicia o mês em véspera de alta dos juros, mas outras pressões estão na agenda de fevereiro

Conflito geopolítico e volta das atividades dos parlamentares com risco fiscal em pauta devem mexer com o mercado

Data de publicação:01/02/2022 às 00:30 -
Atualizado 4 meses atrás
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O mercado financeiro dá de cara, na abertura dos negócios de fevereiro, com a primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), que vai decidir o rumo da taxa Selic. O veredito será dado amanhã, quarta, 2, no fim do encontro de dois dias.

Mas é unânime a expectativa de que a taxa básica suba 1,50 porcentual, do nível atual de 9,25% ao ano para 10,75%. Será a primeira vez que a Selic voltará a dois dígitos desde julho de 2017. Lá fora, o dia começou com os futuros americanos em baixa e o mercado asiático com leves ganhos.

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Fevereiro deve ser mais desafiador ao mercado pela proximidade de alta dos juros americados - Foto: Reprodução

Sobre a Selic, ainda que uma alta desse calibre seja considerada favas contadas pelo mercado, a reunião do Copom deve deixar investidores e gestores mais cautelosos, sem disposição para grandes iniciativas, que antecede ao dia da decisão do Copom. 

O encontro do colegiado do BC abre o novo mês que é visto, pelos especialistas, como mais desafiador para o mercado financeiro do que janeiro. A expectativa de início de elevação das taxas de juros nos Estados Unidos, previsto para março, tende a influenciar com mais intensidade os negócios nos mercados, principalmente na Bolsa.

Especialmente em um momento que crescem, no horizonte global, as incertezas com o risco de um conflito militar entre Ucrânia e Rússia, que teria tudo para elevar a tensão geopolítica e reforçar a instabilidade nos mercados. Uma crise que, ademais, poderia pressionar ainda mais a inflação, fenômeno que atinge a maioria dos países e põe em debate a perspectiva de alta dos juros.

Além da elevação dos juros nos EUA e da tensão militar no Leste da Europa, os mercados devem acompanhar e eventualmente reagir ao avanço da pandemia provocada pela variante ômicron ou até por nova cepa, alertam especialistas.

A torcida do investidor local é de que o conflito possa ser contornado diplomaticamente para que o ímpeto estrangeiro permaneça indicando a compra de ativos na Bolsa, já que o indicativo, segundo Filipe Teixeira, sócio da Wisir Research, é de que ainda exista espaço para "seguirmos avançando em direção às nossas máximas históricas de um ano atrás"

O cenário doméstico, bastante amigável na virada do ano com o recesso parlamentar, pode passar a influenciar mais também as decisões de agentes de mercado em relação a expectativas fiscais, com o aumento de pressão por maiores gastos públicos, à medida que a campanha eleitoral tende a ganhar mais espaço e gerar mais embates entre os potenciais candidatos à corrida presidencial.

Exterior

Wall Street: futuros em leve queda com dúvidas sobre ciclo de juros do Fed

A mudança de patamar dos juros americanos já está na conta dos mercados, mas o que ainda gera dúvidas é o número de vezes que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) poderá aumentar os juros ao longo do ano, o que deve trazer volatilidade ao mercado.

E isso é visto como fator importante para a escolha da decisão de investir em ações ou na renda fixa, com opções mais conservadoras e menos risco, que se beneficiam da alta das taxas de juro.

Na véspera, o índice Nasdaq 100 conseguiu respirar com um bom alívio, com alta de 4%. No ano, o indicador reporta queda de 9%, refletindo o temor do mercado sobre o impacto de juros mais elevados sobre as empresas de crescimento.

A temporada de balanços segue em curso. Até agora, das 172 empresas que integram o S&P que reportaram lucros no quarto trimestre de 2021, 78,5% superaram as estimativas dos analistas, segundo Refinitiv.

Futuros/bolsas americanas

  • S&P 500: - 0,25%
  • Dow Jones: - 0,17%
  • Nasdaq 100: - 0,07% (dados atualizados às 7h42)

Europa: bolsas operam no positivo com novos dados econômicos

No continente europeu, as principais praças financeiras apresentam apetite ao risco nesta terça-feira, com o mercado às voltas com a publicação de vários dados econômicos do bloco e também de alguns países importantes, como a Alemanha.

De acordo com a Eurostat, agência oficial de estatísticas da União Europeia, a taxa de desemprego da zona do euro caiu de 7,1% em novembro para 7% em dezembro. O resultado veio abaixo do que esperavam os analistas, que previam taxa de 7,2%. A agência estima que havia 11,481 milhões de desempregados na região em dezembro do ano passado. Em relação a novembro, o número de pessoas sem emprego na região teve queda de 185 mil.

Durante a manhã, a IHS Markit também divulgou que o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial da zona do euro subiu 58 em dezembro para 58,7 em janeiro, atingindo o maior nível desde agosto do ano passado. A leitura ficou abaixo da previsão dos analistas, que apostavam em alta para 59. No entanto, o avanço acima da marca de 50 mostra que a manufatura na região se expandiu em ritmo mais forte no mês passado.

Na Alemanha, o PMI industrial subiu de 57,4 em dezembro para 59,8 em janeiro, atingindo o maior nível em cinco meses, de acordo com a IHS Markit. O número ficou abaixo da projeção dos analistas, de 60,5, mas mantém sinalizando um avanço mais intenso no setor no país.No entanto, quando o assunto é o varejo no país, o cenário é contrário. Segundo a Destatis, agência de estatísticas do país, as vendas no comércio da Alemanha sofreram um tombo de 5,5% em dezembro ante novembro de 2021, em meio a uma nova onda de covid-19 e a retomada de medidas de restrição. Os analistas esperavam uma queda menor para o período, de 1,3%. Na base anual de comparação, as vendas ficaram estáveis.

No Reino Unido, o PMI industrial caiu de 57,9 em dezembro para 57,3 em janeiro, de acordo com a IHS Markit em parceria com a CIPS. O resultado ficou acima da previsão dos especialistas, de 56,9.

Bolsas europeias/principais praças financeiras

  • Stoxx 600 (Europa): + 1,05%
  • Ftse 100 (Londres): + 0,81%
  • DAX (Frankfurt): + 1,07%
  • CAC 40 (Paris): + 1,05% (dados atualizados às 8h03)

Bolsas asiáticas: Tóquio e Sydnei fecham em alta com Wall Street, com outros mercados fechados

As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam em alta nesta terça-feira, após mais uma rodada de ganhos em Wall Street no dia anterior. Outros mercados acionários asiáticos, como os da China, Hong Kong, Taiwan e Coreia do Sul, não operaram hoje devido a feriados para a comemoração do ano-novo lunar.

Em Tóquio, o índice japonês Nikkei subiu 0,28%, aos 27.078 pontos, sustentado por ações da área de eletrônicos.

Na Oceania, a bolsa australiana foi impulsionada por ações de tecnologia e financeiras. O S&P/ASX 200 avançou 0,49% em Sydney, aos 7.006 pontos. Nesta madrugada, o Banco Central da Austrália (RBA) manteve sua taxa básica de juros em 0,10%, mas decidiu encerrar seu programa de compras de títulos do governo. / com Júlia Zillig e Agência Estado

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.