Mercado Financeiro

O mercado financeiro retoma os negócios nesta sexta-feira, 4, após o feriado de Corpus Christi, mais que como compromisso de fechamento da semana.

Será um dia mais na expectativa de analistas e investidores, para que os mercados confirmem a trajetória positiva que vem sendo sustentada nos últimos dias, cristalizada na valorização contínua e nas seguidas quebras de recorde de alta, em número de pontos, da bolsa de valores e na persistente queda do dólar.

Não houve negócios no Brasil na véspera, mas o expediente de negociações nos mercados internacionais foi normal, o que não afasta a possibilidade de eventuais ajustes dos mercados locais ao que aconteceu com os principais ativos no exterior, ontem.

Bolsa de olho na PEC emergencial
Mercado financeiro pode ter ajustes pelo feriado e atento ao payroll nos Estados Unidos - Foto: Arquivo

Davi Lelis, especialista e sócio da Valor investimentos, afirma que, no dia seguinte a um feriado local e com negociação no exterior, os mercados costumam assimilar os sentimentos que permearam esse período e, conforme a avaliação, reagir positiva ou negativamente a eles.

Há também na agenda externa do dia eventos que podem influenciar o humor e o comportamento dos mercados.

A especialista de Investimentos da Rico Investimentos, Júlia Aquino, diz que os investidores estão de olho nos dados de payroll, sobre nível de emprego e renda, que serão divulgados nos Estados Unidos nesta sexta-feira e podem influenciar as expectativas sobre inflação e juros, com reflexos no mercado doméstico.

Recordes de ações são nominais

De todo modo, as perspectivas seguem otimistas para a Bolsa, de acordo com especialistas, que se ocupam de simular cálculos e contas para ver até onde o Ibovespa poderá chegar. E deixam claro que, embora bastante comemoradas, as máximas históricas do índice são apenas nominais, como explica Júlia Aquino.

De acordo com ela, a pontuação nominal do Ibovespa no momento não reflete onde o principal índice da B3 deveria estar hoje, se atualizado pela inflação oficial calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Nesse caso, ele deveria estar muito além dos níveis atuais, considerados recorde. Pelo número de pontos no fechamento da última quarta-feira - 128.267 pontos - o Ibovespa teria de avançar mais de 23% para chegar ao pico alcançado em 2008.

O entendimento de muitos analistas e especialistas é que existe, portanto, ainda bastante espaço para a bolsa de valores avançar.

Os prognósticos de boa parte do mercado apontam que o Ibovespa encerre o ano equilibrado em um intervalo entre 145 mil e 150 mil pontos. Com possibilidades de ajustes para cima ou para baixo dependendo do ritmo de crescimento da economia e do avanço de vacinação contra a covid.

NY: futuros operam estáveis

Os contratos futuros das bolsas de Nova York operam próximo da estabilidade nesta sexta-feira, com os investidores em compasso de espera por conta da divulgação do relatório de empregos (payroll) dos Estados Unidos que acontece logo mais.

"Os mercados aguardam o relatório de emprego dos EUA amanhã, já que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) tem afirmado que o emprego é a variável-chave para determinar quando é hora de sinalizar a redução das compras de ativos", afirmam analistas do Danske Bank.

 Na véspera, o índice acionário Dow Jones recuou 0,07%, aos 34.577,04 pontos, o S&P 500 caiu 0,36%, aos 4.192,85 pontos, e o Nasdaq recuou 1,03%, aos 13.614,51 pontos.

Os indicadores da economia americana divulgados no dia anterior vieram melhores do que o esperado por analistas, mas impulsionaram a alta nos juros dos Treasuries, o que impactou principalmente o Nasdaq.

Em maio, o país gerou 978 mil empregos no setor privado, de acordo com a ADP. O resultado veio acima da estimativa de analistas, que indicava criação de 680 mil vagas.

Os pedidos de auxílio-desemprego, por sua vez, caíram 20 mil na semana passada, para 385 mil. A previsão era de que o total somasse 393 mil.

Além disso, o índice de gerentes de compras (PMI) do setor de serviços americano subiu ao recorde histórico de 70,4 em maio, enquanto o mesmo dado medido pelo para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês) avançou de 62,7 em abril para 64,0 no mês passado.

CPI da Covid: Bolsonaro

A atenção dos investidores continua em cima dos desdobramentos dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. Na véspera, em live, o presidente Jair Bolsonaro disse que recusaria um convite para depor, caso recebesse um.

Bolsonaro afirmou que a comissão estaria perdendo uma oportunidade de, segundo ele, de discutir o "tratamento imediato" que, para o presidente, consiste no uso de medicamentos com ineficácia cientificamente comprovada contra a covid-19, como é o caso da hidroxocloroquina.

Na última quarta-feira, o comando da CPI no Senado afirmou, em nota pública, que o pronunciamento do presidente em cadeia nacional é “consequência do trabalho da comissão e da pressão da sociedade brasileira que ocupou a rua contra o obscurantismo”. No entanto, a nota diz que a fala de Bolsonaro vem com um “atraso fatal e doloroso”.

Bolsas asiáticas fecham mistas

As ações asiáticas encerraram a sexta-feira de forma mista. No Japão, fecharam no negativo, enquanto a China e Austrália registraram elevações modestas.

O índice Nikkei fechou em baixa de 0,40%, aos 28.941,52 pontos. Já o sul-coreano Kospi ficou em baixa de 0,23%, aos 3.240,08 pontos. O índice Hang Seng seguiu o mesmo caminho, concluindo o dia em queda de 0,12%, aos 28.908, 00 pontos.

Na China, os mercados resistiram à ordem de oferta que altera a proibição de investimentos dos Estados Unidos em empresas locais.

O pedido nomeou 59 empresas com laços com militares da China ou na indústria da vigilância, incluindo a Huawei Technologies, a maior fornecedora de equipamentos para redes e telecomunicações do mundo.

Já na Austrália, o movimento da bolsa foi contrário. O índice S&P/ASX 200 fechou em alta de 0,49%, aos 7.295,40 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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