Mercado Financeiro

A Bolsa encerrou o pregão desta quarta-feira, 2, em alta de 1,04% e renovou seu recorde histórico aos 129.601,44 pontos. Os bancos, responsáveis por 17% da carteira teórica do Ibovespa, puxaram boa parte dos resultados, além da produção industrial e da expectativa sobre a divulgação do Livro Bege americano.

O dólar recuou 1,20%, cotado a R$ 5,084, nível mais baixo desde o dia 17 de dezembro de 2020, quando a moeda foi comercializada a R$ 5,0788.

Foto: B3/Divulgação
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

O Bradesco registrou alta de 3,27%, seguido pelo Itaú, com elevação de 3,13%, do Banco do Brasil, com avanço de 3,59% e do Santander, com ganhos de 1,53%.

Duas empresas com grande participação na carteira teórica da B3, a Petrobras e a Vale também fecharam em alta na Bolsa, beneficiadas pela elevação do preço do petróleo e do minério de ferro, respectivamente. As ações da petroleira obtiveram ganhos acentuados de 2,71%, enquanto a mineradora registrou avanço de 1,32%.

Produção industrial

Durante a manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção industrial de abril caiu 1,3% perante o mês de março e avançou 34,7% em relação ao mesmo período de 2020. O resultado surpreendeu os analistas de forma negativa.

Vale destacar que neste período do ano passado o País enfrentava o início da pandemia, com as atividades industriais praticamente interrompidas.

Segundo análise da XP Investimentos, apesar da queda, o setor industrial retomará o crescimento nos próximos meses, embora a um ritmo gradual. Por outro lado, problemas na cadeia de suprimentos - com destaque para o setor automotivo - permanecem como principal risco a ser monitorado.

"De fato, esta é nossa maior fonte de preocupação com relação ao ritmo de recuperação da indústria brasileira ao longo de 2021, e não o acúmulo de estoques e/ou enfraquecimento da demanda interna", aponta a XP. A projeção da casa para a expansão da produção industrial é de 8,5% para 2021.

Sobe na B3

Nesta quarta-feira, além dos bancos, papéis das empresas Dasa e Marfrig registraram fortes altas, com elevações de 8,78% e 2,38%, respectivamente.

Dólar em queda

Após abrir em alta, o dólar virou o sinal e encerrou o dia em forte queda no mercado doméstico nesta quarta-feira. A moeda americana recuou 1,20%, cotada a R$ 5,084.

Segundo analistas, a perda de força é uma reação a expectativa de ingresso de fluxo cambial. Fontes informaram ao Estadão Conteúdo que a CSN pretende captar entre US$ 500 mi e US$ 750 mi e fechar a operação no feriado.

Mais cedo, a PetroRio anunciou no mercado externo emissão de bonds de cinco anos, com opção de recompra em três anos, disseram fontes. A emissão deve ficar em torno de US$ 500 milhões.

O estrategista Jefferson Laatus, do grupo Laatus, afirma que o mercado de câmbio local acompanha a alta do no exterior e há também alguma demanda defensiva antes do feriado de amanhã no Brasil, após forte queda nas últimas sessões.

Segundo ele, a valorização do dólar é limitada por expectativas de ingressos de novos fluxos de investidores estrangeiros para a Bolsa, em meio a novas ofertas de ações, e de alta de juros, além de uma recuperação mais forte esperada para a economia brasileira neste ano.

NY com rumo misto

As bolsas de Nova York operam em alta nesta quarta-feira, com os investidores absorvendo os dados do Livro Bege da autoridade monetária e com o discurso público do presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Jerome Powell.

O índice S&P 500 registrou elevação de 0,14%, com Dow Jones na mesma esteira, com avanço de 0,07%, e Nasdaq, em queda de 0,21%.

O documento, que avaliou a situação da economia do início de abril até o final de maio, mostrou uma expansão em ritmo moderado no período, com uma taxa de crescimento mais rápida do que a observada no relatório anterior.

"O mercado está relativamente otimista quanto ao aumento da pressão inflacionária", disse Brian O'Reilly, chefe de estratégia de mercado da Mediolanum International Funds. "Ainda é um mercado de ações movido pela liquidez que está descartando qualquer notícia ruim", acrescentou ele.

Em meio a preocupações de que essa forte recuperação impulsione os preços de forma duradoura, o vice-presidente para Supervisão do Fed, Randal Quarles, afirmou que continua a avaliar que o avanço recente da inflação é algo esperado e não exige um aperto na política monetária.

CPI da Covid: Luana Araújo

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid ouve, nesta quarta-feira, a médica infectologista Luana Araújo.

No início de maio, seu nome chegou a ser anunciado pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para o cargo de secretária extraordinária de enfrentamento à covid-19, mas a nomeação foi cancelada nove dias depois.

Luana entregou o cargo ao ministro porque não aceitou pressões vindas do Palácio do Planalto, segundo informações do mercado. A intenção da comissão é esclarecer o episódio.

Na véspera, a médica Nise Yamaguchi prestou depoimento ao colegiado. Em interrogatório conturbado, Nise negou que faça parte de um "gabinete paralelo" ao Ministério da Saúde e de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro.

E também negou que tenha solicitado a alteração da bula da cloroquina, a fim de que o documento indicasse o remédio para tratar a covid-19.

Reforma administrativa: Guedes de volta

O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a reforçar a tese de que o presidente Jair Bolsonaro e o governo federal estão apoiando a reforma administrativa, proposta que deve rever formas de contratação de novos servidores públicos federais.

Na véspera, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, cobrou do governo uma definição sobre o assunto. Segundo fontes ouvidas pelo O Estado de S.Paulo, a medida teria perdido o apoio do governo.

De acordo com os relatos, em um encontro entre o senador e o ministro, Guedes teria dito que o presidente não trabalha mais pela aprovação do texto. Entre os motivos citados por Pacheco para a indecisão, o principal seria o custo de desagradar servidores públicos em um ano pré-eleitoral.

Bolsas asiáticas fecham sem direção única

As bolsas asiáticas fecharam sem direção única e com variações majoritariamente modestas nesta quarta-feira, seguindo o comportamento de Wall Street, que na véspera ficou perto da estabilidade apesar de dados econômicos animadores dos EUA.

O índice acionário japonês Nikkei subiu 0,46% em Tóquio hoje, aos 28.946,14 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 0,07% em Seul, aos 3.224,23 pontos, e o Taiex registrou ganho marginal de 0,02% em Taiwan, aos 17.165,04 pontos.

Na China continental, os mercados ficaram no vermelho, com investidores embolsando lucros de valorização recente. O Xangai Composto recuou 0,76%, aos 3.597,14 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto teve queda de 1,18%, aos 2.400,90 pontos.

O dia foi negativo também em Hong Kong, com baixa de 0,58% do Hang Seng, osa 29.297,62 pontos.

Já na Oceania, a bolsa australiana terminou a sessão em nível recorde, após números de crescimento surpreenderem positivamente e mostrarem que o país retornou a níveis pré-pandemia. O S&P/ASX 200 avançou 1,05% em Sydney, aos 7.217,80 pontos.

Ações de petrolíferas e mineradoras lideraram os ganhos, após forte avanço nos preços do petróleo e do minério de ferro. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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