Mercado Financeiro

Mercado segue atento aos dados econômicos internos e externos

O otimismo, reforçado pelo crescimento do PIB no primeiro trimestre acima do esperado, deve continuar ditando o tom do mercado financeiro nesta quarta-feira, 2, com os…

Data de publicação:02/06/2021 às 11:07 - Atualizado 6 meses atrás
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O otimismo, reforçado pelo crescimento do PIB no primeiro trimestre acima do esperado, deve continuar ditando o tom do mercado financeiro nesta quarta-feira, 2, com os dois principais segmentos, ações e dólar, seguindo trajetórias distintas.

A Bolsa subindo degrau a degrau, em busca de patamares mais elevados, e o dólar escorregando ladeira abaixo.

bolsa de valores brasileira - B3
Sede da B3 em São Paulo (SP) - Foto: B3/Divulgação

O mercado está animado, mas especialistas lembram que a Bolsa colecionou na véspera a quinta valorização consecutiva e, em ambiente de falta de expectativas ou fatos novos, pode haver uma pausa para a venda de ações e realização de lucros.

Um movimento visto como saudável para que o mercado, após o reposicionamento de papeis na carteira dos investidores, retome o fôlego para novas altas.

Na falta de novidades domésticas – está prevista apenas a divulgação, nesta quarta-feira, do volume de produção industrial de abril -, a tendência é que o mercado financeiro volte a reagir mais a fatores externos.

O principal foco é o comportamento dos preços das commodities, que continua sendo um dos grandes fatores de sustentação ao avanço da Bolsa.

A expectativa é considerada positiva em relação às ações de empresas e exportadoras de commodities, mas o analista Rafael Ribeiro, da Clear Corretora, entende que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) favorece também as empresas ligadas ao setor doméstico, como as lojas de varejo.

São empresas que, segundo ele, tiveram bons resultados mesmo com o lockdown no começo do ano e tendem a acenar com números ainda melhores ao longo do ano com a possibilidade de reabertura da economia.

Dólar em queda

A expectativa de especialistas é que as cotações do dólar continuem sofrendo correções para baixo, influenciadas tanto por fatores externos quanto domésticos. A desvalorização do dólar, em relação às demais divisas, é considerada fenômeno global e no Brasil não é diferente. Com um fator adicional de baixa.

A principal pressão contra o real, que se desvalorizava em relação ao dólar, tinha origem nas incertezas com o equilíbrio das contas públicas em meio a uma pandemia que demandava gastos emergenciais para auxiliar famílias e empresas na travessia da crise da Covid-19.

A preocupação com o desarranjo fiscal aumentou durante o debate do Orçamento 2021, mas após sua aprovação pelo Congresso e sanção pelo presidente Bolsonaro a inquietação com o risco fiscal arrefeceu. 

E, com ela, a pressão sobre o dólar, um ativo que o investidor costuma procurar como proteção em momentos de insegurança econômica ou política. O dólar fechou a terça-feira no nível mais baixo do ano.

NY: futuros próximos da estabilidade

Os contratos futuros negociados nas bolsas de Nova York operam próximo da estabilidade nesta quarta-feira, com os investidores aguardando a publicação do Livro Bege da autoridade monetária, que acontece hoje, e com o discurso público do presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Jerome Powell.

"O mercado está relativamente otimista quanto ao aumento da pressão inflacionária", disse Brian O'Reilly, chefe de estratégia de mercado da Mediolanum International Funds. "Ainda é um mercado de ações movido pela liquidez que está descartando qualquer notícia ruim", acrescentou ele.

Na véspera, o índice Dow Jones avançou 0,13%, em 34.575,31 pontos, o S&P 500 caiu 0,05%, a 4.202,04 pontos, e o Nasdaq teve perda de 0,09%, a 13.736,48 pontos.

Também no dia anterior, a IHS Markit revelou que o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria dos EUA subiu ao nível recorde de 62,2 em maio. O mesmo indicador, medido pelo Instituto de Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês), teve inesperado avanço a 61,2.

Em meio a preocupações de que essa forte recuperação impulsione os preços de forma duradoura, o vice-presidente para Supervisão do Fed, Randal Quarles, afirmou que continua a avaliar que o avanço recente da inflação é algo esperado e não exige um aperto na política monetária.

CPI da Covid: Nise Yamaguchi

Na véspera, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid ouviu a médica Nise Yamaguchi, conhecida por defender a prescrição da cloroquina para o tratamento precoce contra a covid-19.

Durante o depoimento, entre várias informações, a médica negou que a proposta de decreto discutida em reunião no Palácio do Planalto fosse para alterar a bula da cloroquina, a fim de que o documento indicasse o remédio para tratar a doença.

O relato da médica contraria os depoimentos dados pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e pelo presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres. Barra Torres chegou a dizer à CPI que foi deseducado com Nise ao ouvir a sugestão de alterar a bula do medicamento.

Com a divergência nos testemunhos, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), disse que quer fazer uma acareação entre a médica e o presidente da Anvisa na comissão. Questionada sobre as declarações de Barra Torres e Mandetta, Nise negou diversas vezes que tenha minutado tal proposta, ou que a sugestão de decreto faria tal modificação.

Em interrogatório conturbado, Nise negou que faça parte de um "gabinete paralelo" ao Ministério da Saúde e de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro. Mas relatou várias reuniões com integrantes do governo e com Bolsonaro para discutir o uso da cloroquina e outros medicamentos sem eficácia comprovada para a covid-19.

Reforma administrativa

O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a tese de que o presidente Jair Bolsonaro e o governo federal estão apoiando a reforma administrativa, proposta que deve rever formas de contratação de novos servidores públicos federais.

Na véspera, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, cobrou do governo uma definição sobre o assunto. Segundo fontes ouvidas pelo O Estado de S.Paulo, a medida teria perdido o apoio do governo.

De acordo com os relatos, em um encontro entre o senador e o ministro, Guedes teria dito que o presidente não trabalha mais pela aprovação do texto. Entre os motivos citados por Pacheco para a indecisão, o principal seria o custo de desagradar servidores públicos em um ano pré-eleitoral.

Bolsas asiáticas fecham sem direção única

As bolsas asiáticas fecharam sem direção única e com variações majoritariamente modestas nesta quarta-feira, seguindo o comportamento de Wall Street, que na véspera ficou perto da estabilidade apesar de dados econômicos animadores dos EUA.

O índice acionário japonês Nikkei subiu 0,46% em Tóquio hoje, aos 28.946,14 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 0,07% em Seul, aos 3.224,23 pontos, e o Taiex registrou ganho marginal de 0,02% em Taiwan, aos 17.165,04 pontos.

Na China continental, os mercados ficaram no vermelho, com investidores embolsando lucros de valorização recente. O Xangai Composto recuou 0,76%, aos 3.597,14 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto teve queda de 1,18%, aos 2.400,90 pontos.

O dia foi negativo também em Hong Kong, com baixa de 0,58% do Hang Seng, aos 29.297,62 pontos.

Já na Oceania, a bolsa australiana terminou a sessão em nível recorde, após números de crescimento surpreenderem positivamente e mostrarem que o país retornou a níveis pré-pandemia. O S&P/ASX 200 avançou 1,05% em Sydney, aos 7.217,80 pontos.

Ações de petrolíferas e mineradoras lideraram os ganhos, após forte avanço nos preços do petróleo e do minério de ferro. / com Júlia Zillig e Agência Estado

Sobre o autor
Tom Morooka
Tom MorookaColaborador do Portal Mais Retorno.
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