Mercado Financeiro

A Bolsa encerrou o pregão desta terça-feira, dia 1º, em alta de 1,63% e renovou seu recorde histórico para os 128.267,05 pontos. Os investidores reagiram positivamente à alta do PIB obtida no 1º trimestre, acima do esperado, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O dólar recuou 1,51%, cotado aos R$ 5,146 reais, o menor nível deste ano com queda de 4,50% desde início de janeiro. No dia 21 de dezembro de 2020, a moeda ficou em R$ 5,123.

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Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

Os dados divulgados pelo IBGE apontaram uma alta de 1,2% do Produto Interno Bruto nos três primeiros meses do ano em relação ao registrado no 4º trimestre de 2020, reforçando os sinais da retomada da economia brasileira, mesmo durante a segunda onda da pandemia da covid-19.

Em relação ao 1º trimestre do ano anterior, a alta foi de 1,0%. Os números vieram acima da expectativa do mercado, que apostava em uma elevação entre 0,50% e 0,55%, e mediana de 0,9%.

De acordo com o economista da Alta Vista Investimentos, José Mauro Delella, o crescimento sucede os resultados positivos do PIB dos dois últimos trimestres. Além disso, Delella destacou a participação dos grupos de atividades.

“A agropecuária teve uma influência bastante significativa, mas vale destacar o crescimento também dos setores de indústria e serviços, que mesmo com uma nova onda de pandemia, conseguiram manter um desempenho notável”, aponta.

Nesse sentido, o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, destaca a expansão do setor de serviços. "Mesmo após o agravamento da crise pandêmica nos últimos meses, os serviços seguiram mostrando robustez na recuperação, o que se torna mais um argumento no sentido de que a economia está mais forte que o inicialmente previsto", explica.

Para o economista da Alta Vista, esse resultado deve impulsionar novas revisões nas expectativas do PIB para 2021 nas próximas semanas, chegando próximo ao patamar entre 5,0% e 5,50%.

Commodities valorizadas

A alta de 2,5% no preço do petróleo e o segundo dia de subida no preço do minério de ferro estão refletindo no bom desempenho dos papéis das petroleiras, siderúrgicas e mineradoras na B3.

As ações da Petrobras valorizaram-se em 1,56%. Já a Vale reportou perdas de 1,37%, CSN teve avanço de 5,54%, Usiminas, com elevação de 1,46% e Gerdau, de 3,64%.

Altas na B3

Nas altas desta terça-feira estão a Embraer, com avanço de 4,05% em seus papéis, reflexo do anúncio feito pela empresa sobre a parceria com a Eve Urban Air Mobility Solutions, para o desenvolvimento de produtos e serviços de mobilidade urbana aérea nos Estados Unidos e Reino Unido.

A Ultrapar também registrou lucros, por conta da proximidade de venda da Oxiteno pelo Grupo Ultra, que deve acontecer neste mês. As ações da companhia valorizaram 7,75%.

A Cosan também viveu um dia de ganhos na Bolsa, com elevação de 2,86%.

Wall Street em dia positivo

As bolsas de Nova York abriram o pregão em alta nesta terça-feira, após o feriado do Memorial Day, à medida que o otimismo com a recuperação econômica segue em elevação.

Além disso, os investidores estão atentos à fala de membros do Fomc (Copom americano) que possam indicar qualquer movimento do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) sobre a retirada dos estímulos à economia.

O S&P 500 fechou perto da estabilidade e recuou 0,05%. O Dow Jones, na contramão, teve elevação de 0,13%, e o Nasdaq caiu 0,27%.

Os investidores também seguem em compasso de espera para conhecer os principais dados dos Estados Unidos, incluindo o payroll, na próxima sexta-feira, 4. São números que ajudarão a avaliar os caminhos e a velocidade de recuperação.

CPI da Covid: provas contra Bolsonaro

Os investidores seguem acompanhando os passos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado. O colegiado avalia que já há provas suficientes de que o governo Jair Bolsonaro não quis comprar vacinas para combater o novo coronavírus.

O presidente da comissão, senador Omar Aziz, disse que, com um mês de funcionamento, o colegiado conseguiu reunir evidências de que o presidente seguia orientações de um “gabinete paralelo” ao Ministério da Saúde e agiu de forma “deliberada” para atrasar a compra dos imunizantes, apostando na chamada “imunidade do rebanho”.

Para Aziz, a CPI já tem motivos par pedir ao Ministério Público o indiciamento de agentes públicos por crime sanitário e contra a vida. “Já temos provas suficientes de que o Brasil não quis comprar vacina”, disse.

Embora sem dizer os nomes de quem deverá ser apontado como cúmplice da crise no País, sob o argumento de que, no comando da comissão, não pode fazer esse tipo de comentário, o senador afirmou ser impossível não responsabilizar Bolsonaro.

Além disso, na véspera, a CPI, definiu a ministra Rosa Weber como relatora da ação conjunta movida por governadores em busca de salvo-conduto para não comparecerem ao Senado para depor.

Reforma tributária fatiada

Os investidores estão atentos ao andamento das conversas sobre a reforma tributária. O presidente da Câmara, Arthur Lira, voltou a defender a tramitação de uma reforma enxuta que seja possível de ser aproada, apenas com a união dos impostos federais.

Segundo Lira, por causa da complexidade, a reforma tributária deverá ser aprovada após a reforma administrativa. "O sistema (tributário) do Brasil é muito amplo. Durante muitos anos foi muito pormenorizado por temas e por situações, por regionalizações, por dificuldades geográficas, por amplitudes do tamanho do País." "

Entre os pontos que Lira pregou durante evento na tarde do dia anterior, destaque para a delimitação dos limites à Receita Federal de legislar por resolução e a criação, proposta do Ministério da Economia, de novo imposto.

Reforma administrativa: jogo contra

Dentro da agenda de reformas, a administrativa também está no radar do mercado financeiro. Vice-presidente da Frente Parlamentar pela Reforma Administrativa, a senadora Katia Abreu disse na véspera que "alguns setores do governo estão contra a reforma administrativa" e reclamou da falta de diálogo em torno da proposta.

"Vejo Paulo Guedes (ministro da Economia), que deveria ser maior interessado, lutando muito pouco por essa reforma", afirmou Katia durante audiência pública da comissão da covid-19 no Senado. "Talvez o presidente (Jair Bolsonaro) esteja preocupado em desagradar esse setor", disse.

Guedes admitiu reservadamente ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que Bolsonaro não quer a aprovação da reforma administrativa e não trabalhará por ela. Na última segunda-feira, Pacheco questionou o comprometimento do governo com a proposta.

Bolsas asiáticas fecham em alta

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta terça-feira, após dados mostrarem o setor manufatureiro chinês se expandindo no ritmo mais forte deste ano.

Na China continental, o Xangai Composto subiu 0,26%, aos 3.624,71 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,41%, aos 2.429,57 pontos, com ganhos liderados por ações de petrolíferas.

Pesquisa da IHS Markit com a Caixin Media apontou que o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial chinês aumentou levemente entre abril e maio, de 51,9 para 52 em maio, mas atingiu o maior patamar de 2021, sugerindo que a segunda maior economia do mundo segue se recuperando dos choques da pandemia da covid-19.

O resultado contrastou com o PMI industrial oficial da China, que usa amostragem diferente e recuou marginalmente no mesmo período, de 51,1 para 51. Leituras do PMI acima de 50 indicam expansão da atividade.

Em outras partes da Ásia, o Hang Seng se valorizou 1,08% em Hong Kong, aos 29.468,00 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 0,56% em Seul, aos 3.221,87 pontos, e o Taiex subiu 0,55% em Taiwan, aos 17.162,38 pontos.

Exceção, o japonês Nikkei caiu 0,16% em Tóquio, aos 28.814,34 pontos, pressionado por ações de siderúrgicas e farmacêuticas.

Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no vermelho, apagando ganhos de mais cedo no fim do pregão. O S&P/ASX 200 recuou 0,27% em Sydney, aos 7.142,60 pontos.

No começo da madrugada, o RBA - como é conhecido o banco central da Austrália - manteve seu juro básico na mínima histórica de 0,10% e voltou a descartar altas da taxa antes de 2024. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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