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Magalu: ações caíram 71% em 2021 e continuam patinando; saiba o que acontece

Cenário macro desafiador está no centro do mix de fatores negativos que afeta a empresa

Data de publicação:10/01/2022 às 00:30 -
Atualizado 6 meses atrás
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As ações da Magalu (MGLU3) estão em trajetória de queda livre desde o início de 2021. Após atravessar com brilho o período mais difícil da crise da pandemia do coronavírus em 2020, ano em que acumulou uma valorização de 110%, melhor desempenho entre as demais pares do varejo, as ações da empresa desandaram. E não param de cair.

MGLU3 recuou 71% no ano passado, de cerca de R$ 25 no fim de dezembro de 2020 para ao algo ao redor de R$ 6 no fechamento de dezembro de 2021. E permanece patinando, empacada em torno desse piso de preço, entre idas e vindas, nesta virada de ano.

magalu

Os papeis da Magalu não caem sozinhos. Após compor a lista das maiores quedas de 2021, as ações do setor de varejo em geral continuam com as pernas bambas, sobretudo as de empresas com exposição ao e-commerce. Via Varejo (VIIA3) recuou 67% e Americanas (AMER3), 62%, em 2021.

Paulo Luives, especialista da Valor Investimentos, o mergulho das ações da Magalu e das demais, de maneira geral, reflete uma combinação de fatores de elevada adversidade e só tende a ser revertida com mudanças no cenário macro e respostas positivas do setor varejista.

Mix negativo afeta papéis da Magalu

“É um mix de tudo de negativo que apareceu pelo caminho e contribuiu para que as ações da empresa viessem ladeira abaixo”, pontua o especialista. Luives começa apontando as projeções pessimistas para a economia, “a deterioração do cenário macroeconômico de inflação em alta que obrigou o Banco Central (BC) a subir os juros com força e impactou as expectativas para o consumo”.

A subida da inflação, que se tornou persistente, levou o BC a aumentar a Selic, que de 2,00% ao ano em março avançou para o nível atual de 9,25% e permanece com viés de alta. Inflação corrói a renda e o juro encarece o crédito, ambos os fatores que inibem o consumo. Sobretudo no varejo. A Magalu está sendo castigada por esse cenário,

A desaceleração do consumo discricionário, de eletrônicos e produtos de linha branca, aquecido durante a pandemia de 2020, “piorou muito as condições para a Magalu, que não apresentou o resultado que o mercado esperava para o varejo no terceiro trimestre”, analisa.

O setor de utilities forma uma classe de produtos-chave do comércio eletrônico vistos como cíclicos “por causa do tíquete médio mais elevado”, o que torna seu consumo menos constante ou sazonal.

Aumento da concorrência

As lojas físicas não responderam a contento e as vendas por e-commerce, que havia impulsionado as vendas durante o fechamento da economia em 2020, passaram também por uma dinâmica competitiva mais acirrada, “com novos entrantes no comércio eletrônico”.

A entrada de players estrangeiros, como a Shopee e o AliExpress, no jogo das vendas eletrônicas fortaleceu a competição, o que acentuou a intensidade da queda de faturamento e das ações da varejista na B3. “Isso contribuiu para derrubar as ações da varejista para cerca de R$ 6.”

O aumento da concorrência no setor com a entrada de novos players de robusta musculatura explica apenas em parte das dificuldades por que passa a Magalu.  “Os papeis continuam sofrendo também por causa do cenário macro mais desafiador, com PIB fraco, inflação de dois dígitos, desemprego alto”, aponta Luives. “Enfim, o cenário é muito ruim, principalmente para o comércio discricionário”, reforça.

O especialista não arrisca palpite sobre a tendência ou perspectiva do setor varejista em geral e da Magalu especificamente, “mas, como o mercado costuma antecipar, o cenário pode estar refletido no preço”, comenta. “É preciso ver como a empresa vai responder ao longo do ano.”

Vale a pena investir nas ações do Magalu?

Tendo em vista que as ações da Magalu estão sendo negociadas, atualmente, há um valuation bastante atrativo,os analistas da XP comentam que muitos investidores podem pensar que este é o momento para investir na companhia.

Porém, a corretora considera que é necessário cautela e atenção com outros fatores como apetite a risco, prazo de investimento do investidor e comparação de valuation com os papéis de companhias concorrentes. A XP destaca, ainda, as perspectivas de risco para a empresa.

  • Ainda existe um grande risco para os resultados das companhias varejistas, dado que a demanda pode ser mais fraca, devido ao cenário macroeconômico, e a concorrência deve continuar bastante acirrada;
  • Os produtos eletrônicos e de linha branca, que são categorias-chave para o comércio eletrônico, tendem a ser mais cíclicos devido ao tíquete médio mais alto, e a demanda dos consumidores por essas categorias pode ter sido de certa forma antecipada durante a pandemia;
  • As grandes redes varejistas estão mais expostas às classes mais baixas, que também sofrem mais em um ambiente macroeconômico mais difícil;
  • O cenário competitivo deve permaneça desafiador, o que acaba aumentando a pressão na rentabilidade das companhias

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Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.