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Vale a pena investir em ações de consumo e varejo pensando nas vendas de fim de ano?

A avaliação e recomendação de compras dividem opiniões

Data de publicação:25/11/2021 às 08:00 - Atualizado 8 dias atrás
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Um segmento de atividade econômica que passa sazonalmente por aquecimento de vendas, puxado pelas festas de fim de ano, é o de consumo e varejo. É o que mais se beneficia de aumento de demanda ligada às compras para comemorações natalinas, o que em geral redunda em maior faturamento e lucros em números estampados em balanços.

Nem por isso as ações de empresas do setor são consideradas de maneira geral interessantes para compor a carteira de investimentos. A avaliação e recomendação de compra divide opiniões de analistas.

Inflação em alta tem tirado a renda do consumo, diz especialista

O cenário micro das empresas do setor no curto prazo é positivo, afirmam especialistas. O fator que põe em dúvida a dinâmica de desempenho é a deterioração do quadro macroeconômico de inflação e juros em alta.

Há um ano, no mesmo período, o segmento de comércio esteve animado com a perspectiva de avanço da vacinação contra coronavírus e, em sua esteira, de retomada da atividade econômica. Passado um ano, as incertezas com a pandemia se reduziram, mas foram substituídas pelas dúvidas com os rumos da economia, desde inflação, juro, até o crescimento em 2022.

Inflação leva renda de consumo e varejo

“Cautelosamente otimista”, define-se Daniella Eiger, head do setor de Varejo e co-head de Equity Reasearch da XP. Uma pesquisa, segundo ela, apontou que o consumidor está com intenção de comprar, mas “falta espaço no orçamento”, já que a inflação em alta leva boa parte da renda.

Segmentos de varejo voltados ao público de classes de renda mais alta e ao consumo discricionário, como de sapatos e roupas, “podem surpreender”. Uma demanda segmentada que pode favorecer empresas como o grupo Soma (vestuário), Vivara (joias/relógios), Arezzo (calçados) e Renner (roupas), em que o público-alvo, consumidor de alta renda, não depende de condições macroeconômicas para suas decisões de compra.

Embora aponte as dificuldades de análise focada em “uma visão curto-prazista”, Daniella afirma que o momento seria propício sobretudo para os negócios do Grupo Soma, que tem em sua linha produtos específicos voltados para a época, como “vestidos para festas e eventos”. São itens de consumo dirigidos para um público que tem uma resiliência maior, que compra não apenas nesse período de fim de ano, mas continuará consumindo no próximo ano.

“O setor de vestuário em geral pode ter uma performance melhor”, comparado com os de produtos de maior valor agregado, reforça Rodrigo Moliterno, head de Renda Variável da Veecha Investimentos. Ele, contudo, se diz “um pouco cético” com o setor de consumo e varejo. “A festa de fim de ano não deve ser o salvador da pátria do comércio, porque “a inflação em alta tem tirado a renda para o consumo”.

Supermercados vão melhor

Os supermercados, segundo ele, devem performar bem, porque fazem parte de um “segmento de consumo à parte, um subsetor do varejo”, que consegue repassar preços ao consumidor porque lidam com alimentos, “o último item que se deixaria de consumir”.  Não à toa, “está muito melhor que os outros setores de comércio de varejo”, observa.

Para Felipe Leão, especialista da Valor Investimentos, o ambiente micro, para quem observa o cenário de curto prazo, é favorável, ao apontar para um cenário de fluxo maior, “mas não há como não ficar com um pé atrás.”

O motivo de preocupação, “mesmo que o micro seja bom”, de acordo com o especialista, é que o “cenário macro permanece desafiador, com inflação alta e juros altos que dificultam o acesso ao crédito”. Leão afirma que, no fim das contas, o cenário macro pode afetar os benefícios desta época do ano para o comércio. Mais preocupante, segundo ele, é que algumas estimativas de mercado já apontam para “uma Selic de 12%” no ano que vem, “o que é muito ruim” para as empresas do setor de varejo.

Como Daniella, head do setor de Varejo da XP, Leão entende também que podem ser mais bem-sucedidas, nesse cenário desafiador, empresas que têm um mix premium para atender as classes A e B, formadas por clientes que não sofrem influência do cenário macro em seu padrão de consumo.

Mesmo nesse cenário de adversidades para a economia, Daniella dá algumas dicas de opção, dentre as empresas de varejo, para quem quer exposição à bolsa de valores com ações representativas do setor. “O Grupo Soma, além de menos afetada pelo ambiente macro, está negociando (ações) a múltiplos bem interessantes” – ou valuation, valor da ação no mercado em relação ao valor patrimonial da empresa.

As ações de Arezzo e Vivara também são apontadas como interessantes pela head de Varejo da XP, porque as empresas têm foco em consumidores que não sofrem influência do cenário macro em suas decisões de compra.

A visão é mais cautelosa, de acordo com Daniella, em relação à C&A e às empresas que têm braço forte de vendas no e-commerce, como Magazine Luiza, Lojas Americanas, Via. A renda mais restrita do consumidor pode afetar a rentabilidade da C&A e as empresas com tíquetes mais altos, observa, além do que o comércio eletrônico tende a enfrentar maior concorrência “com novos entrantes” no mercado.

“A Lojas Renner (com uma parcela de público-alvo consumidor em classe de renda mais alta) fica no meio-termo” entre as empresas que resistem ao cenário macro e as que tendem a ter a demanda afetada pela perda de rendimento do consumidor.

Sobre o autor
Tom Morooka
Tom MorookaColaborador do Portal Mais Retorno.
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