Logo Mais Retorno
Mercado Financeiro

Em dia de inflação americana, Bolsa fecha em baixa de 0,40% e dólar cai para R$ 5,40

Internamente, investidores digeriram dados do varejo e acompanharam a PEC dos Benefícios

Data de publicação:13/07/2022 às 17:31 -
Atualizado um mês atrás
Compartilhe:

Em um dia marcado pelo pessimismo no exterior, a Bolsa seguiu a mesma trilha e fechou o pregão desta quarta-feira, 13, em queda de 0,40%, aos 97.881 pontos. O dólar, por sua vez, recuou 0,61%, cotado a R$ 5,40.

O motivo mais relevante que deprimiu a sessão nas principais bolsas ao redor do mundo foi a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de junho dos Estados Unidos, que subiu 1,3% na análise mensal e 9,1% na avaliação anual, o que representou o maior pico no ano a ano desde 1982.

Bolsa
Dado da inflação acima do esperado reforçou o temor do mercado de que o Fed possa adotar uma postura ainda mais dura em sua política monetária - Foto: Reprodução

Após o resultado, alguns analistas do mercado passaram a apostar em uma alta ainda mais agressiva na taxa de juros dos EUA pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que sinalizou que adotaria um ajuste entre 0,50 e 0,75 ponto porcentual.

O CME Group chegou a calcular a chance de 51,1% de que a autoridade americana eleve os juros em 100 pontos-base no dia 27 de julho, à faixa entre 2,50% e 2,75%.

Porém, um aumento desta magnitude ainda é visto como menos provável pela maioria dos especialistas, que apostam em nova alta de 75 pontos-base. Citigroup, Wells Fargo e ING, porém, não descartam a possibilidade de elevação maior.

A perspectiva de que o Fed vai acelerar ainda mais o aperto monetário reforça temores de que os EUA entrarão em recessão em breve, como apontam instituições como S&P Global e Bank of America (BofA), que hoje revisaram para baixo suas projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) americano.

Ainda no cenário americano, outro destaque do dia foi a divulgação do Livro Bege pelo Fed durante à tarde. Segundo o documento, que constitui um sumário de opiniões que embasa as decisões monetárias do BC americano, em todos os distritos foram reportados aumentos "substanciais" de preços em todos os estágios de consumo.

Alta de custos em alimentos, commodities e energia em especial, combustíveis seguiu significativa, ainda que várias empresas tenham registrado desaceleração na inflação para tais categorias. Mesmo mais lento que nos meses recentes, os aumentos permaneceram "historicamente elevados", diz o documento.

Brasil: ações, PEC dos Benefícios e dados do varejo

No âmbito interno, a queda de mais de 1% das ações dos grandes bancos ajudou a girar o rumo do Ibovespa para o terreno negativo. Itaú, Bradesco e Santander fecharam o dia em queda de 0,31%, 2,16% e 1,44%, na sequência.

Além do desempenho dos papeis da Bolsa, os investidores digeriram os dados sobre o varejo divulgados pelo IBGE durante a manhã. De acordo com o instituto, as vendas no setor subiram 0,1% em maio ante abril, bem abaixo das projeções do mercado, que estimavam alta de 0,9.

Isso impactou no desempenho de gigantes do setor como Magazine Luiza e Via, que concluíram a sessão em queda de 3,75% e 1,96%, respectivamente.

No cenário fiscal, o presidente da Câmara, Arthur Lira, retomou a votação da PEC dos Benefícios pela análise dos destaques. Entre as movimentações, a Casa rejeitou um destaque apresentado pelo PSOL que retiraria do texto o limite de R$ 26 bilhões em gastos com o Auxílio Brasil.

Os deputados também deram sinal vermelho às sugestões para tornar a parcela de R$ 600 do programa social e derrubar o estado de emergência.

A Câmara ainda vai analisar mais um destaque em primeiro turno, que também prevê tornar o auxílio de R$ 600 permanente. Depois, os deputados votam a PEC em segundo turno e analisam mais cinco sugestões de mudanças no texto-base, no mesmo teor das anteriores.

O dia na Bolsa

Maiores altas

EmpresaTickerVariação
AmbevABEV3+5,58%
CarrefourCRFB3+3,77%
VibraVBBR3+2,95%
BRFBRFS3+2,91%
Natura & CoNTCO3+2,73%

Maiores baixas

EmpresaTickerVariação
3R PetroleumRRRP3-5,78%
QualicorpQUAL3-4,66%
Rede D'OrRDOR3-4,11%
CieloCIEL3-3,27%
Magazine LuizaMGLU3-3,75%
Fonte: B3

Mercado internacional

Com a repercussão negativa da inflação americana, as principais bolsas de Nova York e da Europa encerraram as atividades desta quarta-feira em queda.

 Com o CPI americano em foco, a alta anual de 7,6% da inflação ao consumidor alemão em junho, o avanço de 0,9% da produção industrial britânica em maio ante abril e a alta de 0,8% da indústria da zona do euro no mesmo período ficaram em segundo plano.

Na seara monetária europeia, o presidente do Banco da França e dirigente do Banco Central Europeu (BCE), François Villeroy de Galhau, afirmou que a inflação seguirá alta em 2023, mas em cenário mais positivo que o atual. / com Agência Estado

Fechamento - bolsas americanas

  • S&P 500: -0,52% (378,85 pontos)
  • Dow Jones Industrial Average: 0,68% (30,771 pontos)
  • Nasdaq 100: -0,14% (11.728 pontos)

Fechamento - bolsas europeias

  • Stoxx 600 (pan-europeu): -1,01% (412,81 pontos)
  • DAX (Frankfurt): -1,16% (12.756 pontos)
  • FTSE 100 (Londres): -0,74% (7.156 pontos)
  • CAC 40 (Paris): -0,73% (6.000 pontos)

Leia mais

Fundos monoação perdem do papel com a taxa de administração (maisretorno.com)
Passagens aéreas: preços disparam 123% em um ano e devem subir mais (maisretorno.com)
EUA: inflação sobe 1,3% em junho e atinge maior alta anual desde 1981 (maisretorno.com)
PEC Kamikaze: Câmara mantém estado de emergência no texto (maisretorno.com)
Dólar sobe e euro quebra paridade com a moeda americana após CPI (maisretorno.com)
Por que o BofA cortou suas projeções para as commodities metálicas? (maisretorno.com)

Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.