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Economia

Inflação das passagens aéreas em 12 meses chega a 122% e perspectivas são de que os preços continuem subindo

Principais fatores que levaram a forte alta foram a taxa de câmbio e o preço do petróleo

Data de publicação:13/07/2022 às 14:35 -
Atualizado 2 meses atrás
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Na última sexta-feira, 8, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho. Este indicador, que reflete a inflação oficial do País, veio abaixo das expectativas do mercado, com uma alta de 0,67%. Em contrapartida, um dos itens pesquisados para a composição do IPCA teve um avanço surpreendente no mês: as passagens aéreas.

Em junho, os bilhetes aéreos saltaram 11,36% e foram a maior alta dentro do grupo de Transportes. No acumulado em 12 meses, no entanto, a escalada dos preços é muito mais expressiva, de 122,40%. Segundo especialistas ouvidos pela Mais Retorno, os principais fatores que contribuíram para essa disparada no valor das passagens foram a forte alta do querosene e a valorização do dólar frente o real.

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Passagens aéreas ficaram quase 123% mais caras em um ano | Foto: Reprodução

A má notícia para o bolso do consumidor que está pensando em viajar é que as projeções para os próximos meses apontam para novas altas. Afinal, tanto o combustível utilizado pelas aeronaves quanto o preço da moeda americana continuam vivendo um movimento de valorização, impactando diretamente os custos das empresas de aviação e turismo.

Por que as passagens aéreas estão tão caras?

De acordo com Victor Oliveira, especialista em investimento CEA e membro do PAAP da Eu me banco, "diversos são os fatores que contribuem para essa grande elevação no preço das passagens aéreas". O principal deles é o aumento no preço do querosene de aviação. Segundo a Gol, companhia aérea, no segundo trimestre de 2022, o preço médio do combustível apresentou uma alta de cerca de 80% em relação ao mesmo período de 2021.

Querosene é um combustível feito a base de petróleo. Dessa forma, com a forte alta observada na cotação da commodity no exterior em decorrência de diversos fatores que impactaram negativamente a oferta do produto, as despesas das empresas de aviação com sua principal fonte energética ficaram mais caras.

Oliveira explica que, após o pior momento da pandemia de covid-19, a demanda por viagens de avião cresceu significativamente e as companhias ainda não conseguiram aumentar a oferta de voos para dar conta de toda a demanda. Assim, pela lei de oferta e demanda, os preços também ficam mais caros.

"Como o querosene de aviação representa cerca de 40% do custo de uma passagem aérea e a demanda está elevada, é natural que as companhias aéreas consigam repassar aumentos de custos para o consumidor", afirma o especialista.

Além disso, a economista da CM Capital, Ariane Benedito, destaca que os custos dessas companhias são em dólar. Em um contexto onde a taxa de câmbio do dólar para o real permanece em patamares historicamente elevados, as despesas das aéreas brasileiras ficam ainda mais elevadas e parte do preço precisa ser repassado para as passagens aéreas.

Quais as perspectivas para os próximos meses?

Ariane comenta que, com base nos resultados apresentados nos balanços corporativos das companhias aéreas referentes ao primeiro trimestre de 2022, a equipe econômica da corretora calcula que os preços das passagens aéreas ainda estão 35% represados. De acordo com a economista, há espaço para que essa porcentagem seja repassada nos próximos meses por conta da forte demanda.

Ela pontua, também, que o dólar ainda está muito abaixo do nível em que pode chegar na visão do mercado. Embora no início do segundo trimestre a moeda americana tenha apresentado desvalorização frente o real, Ariane explica que há muitos fatores no radar que podem promover novas e expressivas altas para a moeda - como as eleições e as expectativas de aumento de juros nos Estados Unidos.

Para Oliveira, no terceiro trimestre de 2022, os preços das passagens aéreas vão depender mais da volatilidade do querosene de aviação. "Caso ele continue aumentando, o valor da passagem vai acompanhar o aumento de custos", afirma.

Já no último trimestre, como há um aumento na demanda por passagens aéreas em virtude do período de fim de ano e férias, o aumento dos preços também pode ser puxado por uma demanda ainda mais aquecida.

"Embora não haja, em um primeiro momento, expectativa de queda do preço das passagens aéreas, alguns fatores podem levar a uma queda do petróleo e, por consequência do querosene de aviação, abrindo espaço para redução do preço das passagens. Como exemplo de fatos que poderiam reduzir o preço do barril de petróleo, cito: potencial expansão da produção de petróleo pela OPEP+; queda da demanda por petróleo em virtude da expectativa de recessão global; encerramento do conflito Rússia e Ucrânia com um acordo sem penalizações às exportações russas."

Victor Oliveira, especialista em investimento CEA e membro do PAAP da Eu me banco

Como a alta nos preços das passagens aéreas impacta as empresas do setor?

A economista da CM Capital destaca que o setor de aviação e turismo não está entre as recomendações de compra da corretora. Para ela, se trata de um setor muito instável e há possibilidades de que os custos dessas companhias continuem numa trajetória de alta. Assim, apesar do repasse nas passagens aéreas, a tendência é que os resultados dessas empresas ainda seja negativo por um tempo.

Ariane ressalta que nesta segunda-feira, 11, a Gol apresentou um relatório aos investidores revisando suas expectativas para o balanço do segundo trimestre. No documento, a companhia estima que, no período, reportará um prejuízo por ação de R$ 1,80.

De acordo com a economista, esses números impactam diretamente a distribuição de proventos pela empresa. Neste contexto, os investidores passam a penalizar as ações dessas companhias aéreas na Bolsa de Valores e, assim, o valor de mercado também recua. Ariane pontua ainda, que, esses resultados negativos devem ser observados em todo o setor, não apenas com a Gol.

No primeiro trimestre de 2022, afirma Oliveira, as companhias aéreas conseguiram obter um resultado melhor do que no mesmo trimestre de 2021, com receitas inclusive superiores às aferidas no mesmo período de 2019, antes da pandemia. Com o aumento de custos, no entanto, "as margens estão muito mais pressionadas hoje do que há três anos", aponta o especialista.

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