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Economia

Copom eleva Selic a 13,75% ao ano, mas o que o BC sinalizou para a taxa daqui em diante?

Em setembro poderá haver ajuste residual de 0,25% na taxa, dependendo do comportamento da inflação

Data de publicação:03/08/2022 às 18:38 -
Atualizado 14 dias atrás
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O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic em 0,50 ponto porcentual a 13,75% ao ano, o que era fato consumado para o mercado financeiro. Desde 2017, a taxa não atingia esse mesmo nível. Esse é o 12º ajuste consecutivo aplicado ao juro básico da economia, desde que o Banco Central iniciou o atual ciclo de alta, em março de 2021, quando ele estava em 2% ao ano.

A dúvida maior era sobre os próximos passos do Banco Central na política monetária: se haverá ou não novos ajustes na taxa daqui para frente. Em comunicado expedido tão logo foi anunciada a nova Selic, o Comitê ressaltou que vai avaliar a necessidade de um ajuste residual (0,25%) na taxa em sua próxima reunião em setembro.

Selic
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Estado

Justificativas para o ajuste da Selic

Para os diretores do Copom, os cenários de inflação são fontes de preocupação, tanto as pressões inflacionárias globais, como as incertezas domésticas em relação ao risco fiscal e estímulos fiscais que resultem em aquecimento indesejado da economia nesse momento.

Ao mesmo tempo, a análise é de que uma reversão, ainda que parcial, do aumento no preço das commodites, ou uma desaceleração da economia mundial maior do que a projetada possam contribuir para frear a inflação. No entanto, é o comportamento da inflação, neste e nos próximos dois anos, que mais tem pesado nas decisões sobre os juros.

" O Copom considera que, diante de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista", diz um trecho do comunicado.

Além disso, a autoridade monetária afirmou que "irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas".

Sem deixar de observar os indicadores de atividade e emprego no País, o Comitê vai avaliar a necessidade um ajuste residual, de menor magnitude em sua reunião de setembro.

"O Copom enfatiza que seguirá vigilante e que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas. Nota ainda que a incerteza da atual conjuntura, tanto doméstica quanto global, aliada ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos acumulados ainda por serem observados, demanda cautela adicional em sua atuação", finaliza o documento.

Próxima reunião

Essa taxa, que vai vigorar até dia 21 de setembro quando haverá a a próxima reunião do Copom, equivale a uma taxa mensal de 1,08% e será a base para a remuneração das aplicações em renda fixa e referência para as operações de crédito.

Os investimentos de renda fixa devem ficar mais atraente, em contrapartida os empréstimos para quem precisa de recursos para produzir ou consumir fica mais caro, travando a atividade econômica.

Como a Selic afeta a economia do País

O governo utiliza a taxa Selic como ferramenta de controle da inflação: quando busca incentivar a oferta de empréstimos interbancários, ele provoca uma queda nas taxas de juros dos bancos em resposta à redução da taxa Selic.

Desse modo, ele estimula o consumo e acelera a economia, pois com mais dinheiro circulando no mercado em função da queda nos custos dos empréstimos e financiamentos oferecidos por essas instituições, maior o poder de compra das pessoas que acabam consumindo mais, o que leva ao aumento do índice geral dos preços.

O crescimento do consumo requer um maior nível de produção e emprego para atender o aumento da demanda por produtos e serviços, gerando maior desenvolvimento econômico para o País.

No entanto, como consequência da economia aquecida e de um maior poder de compra da população, os preços começam a crescer excessivamente e a inflação volta, então, a subir. E como o governo age nesse caso?

Ele aumenta a Selic para frear a inflação. Com isso, os empréstimos e financiamentos voltam a ficar mais caros e as pessoas diminuem o consumo, desacelerando o aumento dos preços. Ou seja, provocando uma queda dos índices inflacionários.

Podemos perceber, através de toda essa dinâmica, que o governo usa a taxa Selic como instrumento de controle da inflação.

De forma resumida, quando essa taxa está alta, existe uma menor quantidade de dinheiro disponível no mercado e as pessoas diminuem, assim, o consumo. Logo, a demanda por produtos e serviços é menor gerando uma queda nos preços e a redução da atividade econômica. O mesmo acontece no sentido oposto.

Podemos concluir, com isso, que essa política monetária impacta fortemente no aumento ou redução do crescimento econômico do País.

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Sobre o autor
Regina Pitoscia
Editora do Portal Mais Retorno.