Mercado Financeiro

O setor de educação foi, sem dúvidas, um dos segmentos mais impactados pela pandemia que explodiu em 2020. Com a redução da mobilidade social, coube às escolas e universidades a busca por alternativas digitais.

A evolução do índice de brasileiros vacinados somada com uma redução das restrições de funcionamento por parte das instituições, porém, coloca as empresas de educação no centro de uma possível retomada econômica.

Hoje, vamos fazer uma análise do segmento, além de apresentar as principais companhias listadas na bolsa de valores nas quais você pode investir caso entenda que essa é uma tese interessante. Reforço, contudo, que a nossa abordagem não se configura em recomendação de investimento, ok?

Quais são as empresas do setor de educação na bolsa?

Até o momento em que este artigo foi produzido, eram seis empresas educacionais com capital aberto: Cogna, Yduqs, Ser Educacional, Ânima, Cruzeiro do Sul Educacional e Bahema.

De um modo geral, ações do setor tendem a "andar juntas" na bolsa na medida em que, de certa forma, estão expostas a cenários similares. Ainda assim, cada instituição tem as suas particularidades. Vamos conhecê-las a partir de agora.

Cogna

A maior empresa educacional do Brasil é a Cogna (COGN3). A companhia representa a antiga Kroton e atua em todos os níveis de ensino, com boa representatividade na educação infantil.

Ao todo, a companhia possui mais de um milhão de alunos distribuídos em suas marcas de educação. Neste grupo destacam-se a rede Saber, focada na educação básica, e a Vasta Educação, que possui bandeiras bem populares como Pitágoras e Anglo.

Engana-se quem pensa que, por ser a maior rede educacional do país, a Cogna se acomodou. Recentemente, a companhia criou uma nova parceria com a Eleva Educação, sinalizando o interesse em seguir crescendo.

  • Ticker: COGN3
  • Governança corporativa: Novo Mercado
  • Valor de mercado: R$7,62 bilhões
  • Valorização (12 meses): -56,8%
  • Dividend Yield (12 meses): 0%
  • Participação no Ibovespa: 0,33%

Yduqs

A segunda principal companhia educacional da nossa bolsa de valores é a Yduqs (YDUQ3), que nada mais é do que a antiga marca Estácio. A companhia possui mais de 600 mil alunos sob gestão.

A Yduqs, desde a sua fundação, vem se caracterizando por uma série de aquisições, entre as quais se destaca o Ibmec, importante instituição de ensino superior voltada para Administração, Economia e Finanças. Também fazem parte do grupo outras marcas como UniToledo e Damásio Educacional. Mais recentemente, seguindo sua linha de aquisições, mas de olho em novas oportunidades para o futuro, a Yduqs anunciou uma nova aquisição: a QConcursos.

Apesar de ainda não ser a maior companhia educacional, atrás da Cogna, a Yduqs tem maior valor de mercado atualmente em função das suas ações terem sido menos penalizadas pelos investidores desde a explosão da pandemia.

  • Ticker: YDUQ3
  • Governança corporativa: Novo Mercado
  • Valor de mercado: R$9,85 bilhões
  • Valorização (12 meses): -8,49%
  • Dividend Yield (12 meses): 1,47%
  • Participação no Ibovespa: 0,43%

Ser Educacional

A Ser Educacional (SEER3) foi fundada no ano de 1993. A companhia possui foco no ensino superior e está posicionada majoritariamente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, embora tenha a Universidade de Guarulhos na região sudeste também.

Durante a pandemia, a Ser Educacional explorou bastante o ensino digital, crescendo sua base de alunos em mais de 100%. Os resultados trimestrais podem ser acessados no site oficial da companhia.

  • Ticker: SEER3
  • Governança corporativa: Novo Mercado
  • Valor de mercado: R$2,15 bilhões
  • Valorização (12 meses): -1,52%
  • Dividend Yield (12 meses): 2,18%
  • Participação no Ibovespa: sem participação.

Ânima

Passando para a nossa quarta empresa educacional, temos então a Ânima (ANIM3). A companhia possui uma série de bandeiras de ensino em seu portfólio, destacando-se pela variedade oferecida aos alunos.

Podemos mencionar, entre elas, a Universidade São Judas, a UniBH, UniCuritiba ou a Unisul, com foco nacional. No entanto, a Ânima possui também escolas internacionais. É o caso da HSM, focada em gestão e negócios, ou da Le Cordon Bleu, universidade com origem francesa especializada em Gastronomia.

  • Ticker: ANIM3
  • Governança corporativa: Novo Mercado
  • Valor de mercado: R$5,02 bilhões
  • Valorização (12 meses): +34,41%
  • Dividend Yield (12 meses): 0%
  • Participação no Ibovespa: sem participação.

Cruzeiro do Sul Educacional

A Cruzeiro do Sul Educacional (CSED3) é mais conhecida pela universidade que leva o nome da companhia (Universidade Cruzeiro do Sul), mas conta também com outras bandeiras. É o caso da UNIFRAN, da UNICID ou da Universidade Positivo, por exemplo.

A companhia possui mais de 350 mil alunos matriculados em suas universidades e concentra a maior parte das unidades nas regiões Sul e Sudeste. A Cruzeiro do Sul Virtual mostra ainda que a empresa está de olho no EAD como tendência para o futuro.

  • Ticker: CSED3
  • Governança corporativa: Novo Mercado
  • Valor de mercado: R$5,05 bilhões
  • Valorização (12 meses): -0,62%
  • Dividend Yield (12 meses): 0%
  • Participação no Ibovespa: sem participação.

Bahema Educação

Por fim, a empresa de educação de menor porte na bolsa de valores é a Bahema Educação (BAHI3), companhia com foco na educação básica — educação infantil, ensino fundamental e ensino médio.

Após uma reformulação completa da sua diretoria em 2016, a empresa anunciou sua primeira aquisição no ano de 2017. Desde então, foram mais de dez negócios realizados — muitos deles durante 2020, ano marcado por uma forte crise para o segmento. Portanto, podemos esperar novas negociações para o crescimento da empresa ao longo dos próximos anos.

Entre as marcas do seu portfólio podemos destacar a Escola da Vila, a Escola Mais, a Escola Parque e a Escola Mais, além do BIS (Brazilian International School). Neste universo, a Bahema Educação conta com mais de dez mil alunos.

  • Ticker: BAHI3
  • Valor de mercado: R$210,4 milhões
  • Valorização (12 meses): -18,41%
  • Dividend Yield (12 meses): 0%
  • Participação no Ibovespa: sem participação.

Quais são as vantagens do setor educacional?

Com o retorno das aulas presenciais, as empresas do setor educacional passam a ser a "bola da vez" no mercado financeiro. E muito disso se deve ao potencial de crescimento das companhias, pois ainda há muito espaço para fusões e aquisições dentro do segmento.

Outro ponto importante é que essas empresas possuem uma função social relevante. Isto é, elas oferecem educação, algo de extrema relevância para a nossa sociedade. Essa visão positiva contribui para que as companhias sejam bem vistas pelo público, além de conseguir condições especiais junto ao governo e às instituições financeiras.

Por fim, ainda há muito espaço para trabalhar no ensino fundamental e no ensino médio, áreas em que há uma alta demanda por parte da população e uma oferta ainda restrita em termos de qualidade.

Quais são os riscos do setor educacional?

Se há uma estrutura positiva para o crescimento das empresas educacionais, isso não representa que as companhias estejam livres dos riscos. A própria pandemia é uma prova disso: há uma forte dependência da mobilidade social. Mesmo com o crescimento do Ensino à Distância (EAD), esse cenário não pode ser descartado.

Outro ponto a ser considerado está na forte correlação com a economia. Em momentos de maior desafio, há uma tendência natural de redução na busca por matrículas em função do receio do endividamento. Para alunos que já estejam matriculados, é comum verificar um aumento nos índices de inadimplência.

Por fim, não podemos ignorar a importância dos planos de incentivo do governo, casos do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES). Um eventual encerramento desses programas certamente traria um impacto negativo para o setor educacional como um todo.

Vale a pena investir no setor educacional?

Pelo que observamos dentro do contexto brasileiro, as empresas do setor educacional listadas na bolsa de valores tiveram um bom plano para enfrentar as dificuldades causadas pela pandemia. Muitas delas aceleraram o processo de digitalização, enquanto que outras aproveitaram inclusive para novas aquisições.

Esses movimentos já mostram que ainda há espaço para crescimento, algo que pode contribuir com a geração de valor para o acionista. No entanto, tudo depende diretamente da execução estratégia por parte dos gestores.

Existem ainda alguns fatores subjetivos que devem ser avaliados. A evolução do EAD, por exemplo, pode ser uma oportunidade, mas também uma ameaça. Como cada companhia vai lidar com essa tecnologia? O foco de atuação é outro fator a ser analisado. O cenário no ensino superior é diferente da educação básica.

Considerando tudo que apresentamos ao longo do artigo, podemos concluir que o setor educacional está preparado para explorar o cenário econômico visando crescimento organizacional. Contudo, ainda que você goste da tese, vale sempre reforçar a diversificação de investimentos como ferramenta para mitigar o risco ao qual o seu patrimônio estará exposto.

Imagem do autor

Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.

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