Logo Mais Retorno
bolsa
Fundos de Investimentos

Com quedas no 3º trimestre, a B3 precisa subir 135% para atingir mesmo nível de média global das bolsas, diz Reach Capital

Para chegar ao mesmo patamar de bolsas de países emergentes, a B3 precisa de uma alta de 69%

Data de publicação:04/11/2021 às 07:00 -
Atualizado um ano atrás
Compartilhe:

Em sua carta trimestral, a gestora de fundos Reach Capital colocou um holofote sobre os principais acontecimentos que resultaram em queda nos preços das ações na B3, no trimestre de julho a setembro. Além de indicar algumas perspectivas para o mercado no curto prazo.

Os preços dos ativos estão descontados, e o Ibovespa tem muito espaço para subir e chegar ao nível de bolsas internacionais. Uma vez desfeito o nó político, a gestora acredita que haverá uma melhoria nos preços das ações.

Foto: Be/Divulgação
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

O trimestre e a B3

Os principais episódios destacados pela Reach e que afetaram o mercado acionário mundial e também local foram basicamente três:

1 - A deterioração da perspectiva de crescimento da China como consequência de uma maior intervenção do governo chinês nas empresas privadas para buscar a prosperidade comum. Essa interferência prejudicou o principal motor de expansão do país que é o desenvolvimento imobiliário, levando a maior incorporadora chinesa à moratória (Evergrande);

2 - Uma inflação em elevação no mundo desenvolvido, superando 5% ao ano nos Estados Unidos e alcançando 3% ao ano na Europa. Com isso, a retirada dos estímulos monetários teve início nos países centrais;

3 - O aumento nos preços de energia e suas principais fontes como petróleo, gás natural e carvão, subindo de forma acentuada por conta da reabertura das economias, poucas chuvas, e baixo investimento em novas jazidas minerais decorrentes de maiores preocupações ambientais nos últimos anos.

Esses três fatores também impactaram diretamente o Brasil e, aqui, foram agravados ainda pela dificuldade política de costurar soluções para enfrentar os desafios econômicos. A crise política, um confronto entre os Poderes, teve seu ápice na semana de 7 de Setembro após os protestos nas principais avenidas do País.

De lá para cá, as instituições brasileiras tiveram vários eventos a superar, em cenário de juros mais altos para debelar a inflação e com propostas legislativas como a PEC dos Precatórios, piorando as expectativas com o quadro fiscal. Essa PEC abre espaço no teto dos gastos para acomodar um auxílio maior aos beneficiários do Bolsa Família e, além dela, houve a mudança do ICMS, aprovada pela Câmara dos Deputados para reduzir o preço de combustíveis.

“Temos um cenário em que fica fácil fazer uma narrativa de que o Brasil está indo muito mal: inflação alta, juros altos, crescimento baixo, medidas populistas, baixa chance de aprovação de reformas e até uma eleição à frente, cujos candidatos hoje favoritos não são exatamente os sonhados pelos principais agentes do mercado financeiro”, afirmam os analistas na carta.

“A pergunta que nos fazemos é: disso tudo, o que é novidade para esses agentes? Será que isso já não está nos preços dos ativos locais?”, são os questionamentos feitos por eles.

Ao analisar a variação dos índices das principais bolsas mundiais em dois anos, inclusive do Ibovespa, a conclusão foi a de que a média de ações brasileiras precisa subir 69% para chegar na média dos países emergentes ou 135% para chegar na média global.

Uma indicação de que esse cenário mais pesado parece já precificado nos ativos.

“Enquanto pessoas físicas vendem bolsa nesses níveis e investem em renda fixa ou compram dólares e remetem seus recursos para fora do país nesses preços, os investidores internacionais parecem fazer o contrário”, pelos levantamentos sobre a entrada de capital estrangeiro na B3.

Tecnologia e inovação

Em relação ao setor de tecnologia e inovação e seus preços, os analistas destacam alguns pontos: a volatilidade nas ações desse segmento tem sido alta, especialmente explicada pelas maiores expectativas de inflação e o consequente movimento de elevação das taxas de juros locais e globais.

“Dado o momento desfavorável, possuímos 28% do portfólio alocado em companhias de crescimento, participação menor do que gostaríamos para o longo prazo, porém maior do que a ideal para a performance dos últimos meses. Tal relação entre juros e empresas de crescimento, no entanto, é praticamente irrelevante no longo prazo”, explicam eles sobre o posicionamento em seus fundos.

Muitas dessas companhias já se encontram com valuations excessivamente descontados em relação ao seu crescimento esperado, sendo esse seu fundamento determinante.

A principal posição da gestora está em Sinqia, uma empresa de tecnologia para o setor financeiro, que caiu de R$ 30 para R$18, sendo responsável pela maior parte da queda do fundo (40%). Ela vem entregando seu plano e deve dobrar de tamanho em 2 anos.

Esse crescimento, segundo os analistas, dilui custos fixos e aumenta seu patamar de margens, uma vez que o custo unitário do produto marginal vendido é irrelevante. A Sinqia tem hoje 7% de uma indústria altamente fragmentada, na qual está se transformando em uma plataforma.

Mesmo num momento macroeconômico desafiador, eles consideram que o risco é baixo em mais de 90% da sua receita que é recorrente, advinda de produtos e serviços essenciais para seus clientes que não podem ser interrompidos (apenas substituídos, com custos muito altos) pois são críticos para as suas operações.

Os analistas ressaltam que, nos últimos 20 anos, o investimento em tecnologia no setor financeiro foi acelerado mesmo nos momentos mais difíceis de Brasil.

Expectativas

A carta traz também perspectivas para o mercado de ações dado o cenário econômico: “Com as soluções políticas sendo endereçadas, acreditamos que existe um espaço importante para a melhoria dos preços dos ativos.

O pano de fundo mundial deve contribuir na medida em que vai ficando claro que a China não terá uma crise, mas apenas uma desaceleração do crescimento; os BCs dos países centrais começaram a enfrentar a inflação e apresentaram seu plano para tal; e o preço da energia é um fator importante, mas a sua elasticidade de preço frente ao PIB é muito menor do que foi no passado.

Sobre o autor
Regina Pitoscia
Editora do Portal Mais Retorno.

Inscreva-se em nossa newsletter