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Economia

Ata do Copom: taxa de juros deve continuar elevada por período prolongado em meio à política monetária contracionista do BC

Pressões inflacionárias globais e risco fiscal interno preocupam o Comitê

Data de publicação:21/06/2022 às 09:45 -
Atualizado 11 dias atrás
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) disse, em ata divulgada na manhã desta terça-feira, 21, que o Brasil ainda deve passar por um longo período de juros em patamares elevados. Na última quarta-feira, 15, o colegiado optou por aumentar a Selic, taxa básica de juros, em meio ponto percentual, chegando a 13,25% ao ano.

No documento divulgado hoje, o Copom reafirmou que, para sua próxima reunião - marcada para para os dias 2 e 3 de agosto -, pode ser apropriado elevar mais uma vez a taxa de juros, em um nível igual ou menor ao aumento da última reunião.

Ata do Copom
Fachada do Banco Central | Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Segundo o órgão do BC, a persistência dos choques inflacionários recentes faz com que "somente a perspectiva de manutenção da taxa básica de juros por um período suficientemente longo não asseguraria, neste momento, a convergência da inflação para o redor da meta no horizonte relevante".

"O Comitê optou então, por sinalizar, um novo ajuste de igual ou menor magnitude. Essa estratégia foi considerada a mais adequada para garantir a convergência da inflação ao longo do horizonte relevante, assim como a ancoragem das expectativas de prazos mais longos, ao mesmo tempo que reflete o aperto monetário já empreendido, reforça a postura de cautela da política monetária e ressalta a incerteza do cenário."

Trecho da ata do Copom de 21/06/2022

Risco fiscal e pressões vindas do exterior preocupam

Na ata, o Comitê ressalta que "a incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país e políticas fiscais que sustentem a demanda agregada podem trazer um risco de alta para o cenário inflacionário e para as expectativas de inflação".

De acordo com o colegiado, os últimos dados sobre a atividade econômica doméstica - com destaque para o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, que veio acima do esperado -, refletem, majoritariamente, "o processo de normalização da economia após a pandemia", tanto no que diz respeito a volta da demanda por produtos e serviços, quando em relação aos estímulos fiscais oferecidos pelo governo.

Assim, nas perspectivas do Copom, a atividade deve passar por um período de desaceleração nos próximos meses, como reflexo das medidas de política monetária mais contracionistas que vêm sendo adotadas. A alta nos juros demora um tempo até ser sentida na economia real, variando de seis a nove meses.

A economia brasileira, no entanto, não é a única que deve passar por uma desaceleração. Segundo a ata do Copom, o colegiado se mostrou preocupado com os impactos que fatores externos podem ter sobre o Brasil.

A alta nos preços das commodities e outros insumos essenciais para a indústria - decorrente, sobretudo, da falta desses produtos causada pela guerra na Ucrânia e os lockdowns na China (parte da política de tolerância zero contra a covid-19) - e uma demanda ainda alta com a retomada da atividade após a pandemia têm levado países desenvolvidos e outros emergentes a, também, elevarem seus juros. A pressão inflacionária afeta o Brasil e o mundo.

Pressões inflacionárias observadas na ata do Copom

O documento especifica que os principais pontos de atenção do Copom em relação aos fatores que podem continuar pressionando a inflação para cima são:

  • Uma maior persistência das pressões inflacionárias globais;
  • A incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do País;
  • Políticas fiscais que impliquem a sustentação da demanda agregada, parcialmente incorporadas nas expectativas de inflação e nos preços de ativos.

Em contrapartida, o Comitê destaca que alguns cenários podem trazer uma pressão baixista para os preços:

  • Possível reversão, ainda que parcial, do aumento nos preços das commodities internacionais em moeda local (com as perspectivas de que o dólar deve operar próximos dos R$ 4,90 em 2022);
  • Desaceleração da atividade econômica, no Brasil e no mundo, mais acentuada do que a projetada, como reflexo das políticas monetárias contracionistas que vêm sendo adotadas pelos países.

Sobre as medidas tributárias em tramitação, como o teto de cobrança para o ICMS sobre combustíveis, energia elétrica, transportes e telecomunicações, podem reduzir "sensivelmente a inflação no ano corrente, embora elevem, em menor magnitude, a inflação no horizonte relevante de política monetária".

Para trazer a inflação para perto da meta de 2023 (de 3,25%), o Comitê avalia que a estratégia requerida "conjuga, de um lado, taxa de juros terminal acima da utilizada no cenário de referência e, de outro, manutenção da taxa de juros em território significativamente contracionista por um período mais prolongado que o utilizado no cenário de referência".

Metas de inflação do BC

MetaPiso da metaTeto da meta
20223,50%2,00%5,00%
20233,25%1,75%4,75%
20243,00%1,50%4,50%
Fonte: Banco Central

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Sobre o autor
Bruna Miato
Repórter na Mais Retorno