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Renda Fixa

Com a taxa Selic em 13,25%, vale mais a pena investir em títulos prefixados ou pós-fixados?

Especialista explicam que a resposta depende dos rumos da política monetária

Data de publicação:17/06/2022 às 05:00 -
Atualizado 20 dias atrás
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A nova Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, foi fixada em 13,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), na última quarta-feira,15. Nível mais alto desde novembro de 2016, quando a taxa estava em 13,75%.

O ciclo de aperto monetário do BC começou ainda em em março de 2021, como uma forma de tentar controlar a persistente pressão inflacionária, que se mostra com fôlego até hoje: o acumulado em 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) já teve alta de 11,73% até maio. Uma das consequências dos juros altos é uma migração dos investidores para a renda fixa, que passou a oferecer uma maior rentabilidade com riscos reduzidos.

selic
Decisão sobre taxas de juros é destaque na agenda econômica do dia

A renda fixa é favorecida de um modo geral pela alta da Selic, Mas dentro fo segmento, quais títulos valem mais a pena, os prefixados ou os pós-fixados? Segundo especialistas ouvidos pela Mais Retorno, alguns fatores precisam ser levados em conta.

Renda fixa prefixada para quando o ciclo de alta na Selic acabar

Para a estrategista-chefe da Órama, Sandra Blanco, as opções de títulos com rentabilidade prefixada - ou seja, aqueles em que o investidor já sabe qual será o retorno do investimento antes mesmo de fazer a aplicação - são uma boa alternativa em um momento final do ciclo de aperto monetário, quando cessar o processo de alta das taxas.

Como o Copom indicou continuidade de, pelo menos, mais uma alta, a especialista afirma que o investidor deve olhar com mais atenção para os títulos prefixados.

Ela explica que, com o fim do ciclo de altas, o investidor que entrar em um papel prefixado agora estará assegurando um rendimento mais elevado, baseado nessa Selic de 13,25%, ou ainda mais alta em agosto, até o vencimento do título. Período em que a taxa poderá entrar em queda reduzindo o rendimentos dos títulos pós-fixados.

Risco fiscal

Em contrapartida, o especialista em renda fixa da Valor Investimentos, Victor Zucchi, considera que o cenário macroeconômico ainda apresenta muitas incertezas, o que pode tornar o investimento em títulos prefixados mais arriscados. Ele destaca que o País ainda vai passar pelas eleições este ano e que as medidas adotadas tanto no governo atual quanto no próximo podem elevar o risco fiscal brasileiro.

Zucchi pontua que, apesar da desaceleração do IPCA, a inflação segue muito elevada e os projetos desenvolvidos pelos governantes, mesmo que visem a redução na escalada dos preços, podem custar muito dinheiro aos cofres públicos. Como o Copom também olha para o risco fiscal ao tomar suas decisões, essa instabilidade pode gerar novos aumentos da Selic.

Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Research, compartilha da mesma opinião e ressalta que "os (títulos) prefixados só vão começar a performar bem quando tivermos uma trajetória fiscal contracionista, porque quando o governo começa a gastar menos ele se torna mais confiável e as taxas de juros caem, e quando a inflação começar a cair".

Renda fixa pós-fixada surfa nas altas da Selic

De acordo com Zucchi, enquanto a taxa Selic estiver em patamares historicamente altos, vale a pena investir em títulos pós-fixados, principalmente aqueles com prazos de vencimento mais curtos.

A rentabilidade desses ativos - geralmente atrelados ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), uma taxa que acompanha as variações da Selic - é composta por um percentual de uma taxa de juros e, por isso, quanto maior é a taxa, maior será o retorno.

Fontes explica, ainda, que mesmo que o Copom não faça novos ajustes para cima na Selic, as previsões do mercado são de que a taxa continue alta pelo menos até o final de 2023, época em que a inflação deve começar a dar uma trégua. Segundo o último Boletim Focus, divulgado no último dia 6 pelo BC, os economistas projetam que a taxa deve fechar o próximo ano em 9,25% ao ano.

A especialista da Nord Research destaca que, a cada nova perspectiva de alta para a Selic, o mercado precifica para cima os títulos pós-fixados, consequentemente, para baixo os prefixados, que por terem uma taxa definida já no momento da aplicação, não conseguem acompanhar nem a inflação nem a taxa básica de juros.

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Sobre o autor
Bruna Miato
Repórter na Mais Retorno