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Não é de hoje que as ações do varejo estão no vermelho, mas sim nos últimos 3 anos; confira

Entre as causas estão recessão, pandemia, inflação e juros em alta

Data de publicação:22/03/2022 às 00:30 -
Atualizado 2 meses atrás
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As empresas do varejo são as que mais vêm sofrendo na B3 nos últimos anos. Em março (dados até o dia 21), a Via( VIIA3) acumula desvalorização de 6,33%, a Lojas Renner (LREN3), baixa de 4,62% e a Magazine Luiza (MGLU3), queda de 3,16%. Recessão, pandemia, alta da inflação e dos juros levaram a perdas no setor.

Os resultados negativos se estendem em todos os períodos de levantamento, até 36 meses. Em seis e em 12 meses, as quedas são as mais acentuadas: MGLU3 acumula desvalorização de 64,45% em seis meses, e de 75,67% em 12 meses. VIIA3 não ficou muito atrás, com baixa de 59,15%, em seis meses, e de 70,88%, em 12 meses.

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Os dados são de levantamento exclusivo da ferramenta Comparador de Ativos, da Mais Retorno, que possibilita a comparação de todos os ativos financeiros distribuídos e negociados no mercado financeiro brasileiro.

Causas da queda

Magazine Luiza (MGLU3), Via (VIIA3) e Lojas Renner (LREN3) vêm acumulando severas quedas, sob pressão de inflação elevada e de continuidade do ciclo de alta da Selic. A taxa básica de juros está em 11,75% ao ano e, segundo estimativas, poderia chegar a 13,00%.

A inflação em persistente alta e os juros elevados, que achatam a renda e inibem o consumo, são os inimigos mais recentes do setor de varejo. Quanto mais a inflação e os juros sobem, mais as ações das companhias de varejo caem, por causa da queda do poder aquisitivo do consumidor.

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A inflação tem influência direta em quase todos os ativos da Bolsa, “especialmente nessas três ações de empresas varejistas”, analisa Alexandre Binde, especialista da SVN Investimentos. “À medida que o IPCA sobe e encarece toda a cadeia, as ações de empresas varejistas caem, independentemente do momento de cada uma delas.”

Trajetória de Ibovespa e IPCA destoam das ações de varejo

Enquanto os papeis das empresas de varejo embicam para baixo, o Ibovespa, que é uma espécie de média do mercado de ações, segue trajetória positiva em todos os períodos analisados – menos em um, em 12 meses, quando cai 1,06%. A melhor performance está em 24 meses, com valorização acumulada de 54,54%.

O traçado do Ibovespa contrasta com as ações do varejo porque o índice é formado preponderantemente por papeis de empresas de commodities, que vem em escalada de alta, e do setor bancário.

A trajetória do IPCA supera a das ações de varejo em todos os períodos analisados e a do Ibovespa, em três. Em um deles, em 36 meses, acumula avanço de 21,14%, comparada com a valorização de 15,32% do Ibovespa. A performance mais vistosa do Ibovespa é a de 24 meses, quando soma alta de 54,54%, diante de uma elevação de 10,54% do IPCA.

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Ações do varejo estão em queda há três anos, segundo levantamento exclusivo do portal Mais Retorno - Foto: Reprodução

Ações do setor ensaiam recuperação, mas patinam

Após o forte baque da recessão e dos juros altos de meados da década de 2010 – o PIB caiu 3,50% em 2015 e 3,30% em 2016, sob uma Selic de 14,25% ao ano entre julho de 2015 e outubro de 2016 -, as empresas do setor varejista vêm tentando reagir, sem sucesso.

A pandemia que restringiu a mobilidade das pessoas em 2020 e as consequências dela, com alta da inflação por redução na oferta e elevação dos juros para combatê-la, vêm castigando o varejo nos últimos anos.

Aumento de market share ajudou Magalu após crise

A ação que mergulhou mais forte na época foi Magazine Luiza - também foi a que engatou uma recuperação mais rápida. A estratégia bem-sucedida consistiu em um aumento de market share, com aposta no e-commerce, analisa Binde.

A demora na percepção de potencial dos negócios online, via comércio eletrônico, foi um dos fatores que atrasaram a reação pós-crise da Via. Havia motivos para isso. “O grupo vinha confortável, com mais de mil lojas físicas, e estava em vias de ter problemas financeiros a frente”, analisa.

Estratégia que beneficiou a Lojas Renner

Após um resultado muito bom antes da crise, em 2014, a Lojas Renner apostou em ações de encantamento de cliente e expansão de lojas físicas, para ganhar maior competitividade.

À medida que a inflação desacelerou, as companhias do setor varejista começaram a performar. “Foi quando as ações dessas empresas ficaram esticadas”, afirma Binde, porque muitos investidores correram para elas, apostando na recuperação do varejo. Uma trajetória que durou até a chegada da pandemia da covid-19, no início de 2020.

O impacto foi geral, mas os benefícios sociais e econômicos concedidos pelo governo deram um alívio na economia, o que “levou a uma guinada na Bolsa", porém, por pouco tempo. A inflação voltou, o juro subiu e a clientela cativa do varejo está endividada, analisa Binde.

Inovações acirram concorrência

O especialista da SVN diz que o varejo tradicional vai passar por grandes desafios. “Empresas como Mercado Livre e Shopee estão crescendo rápido no mercado e ‘roubando’ clientes de outros players”, analisa.

Ele não acredita, contudo, que o varejo tradicional esteja com os dias contados. Como os gráficos mostram, explica, o mercado também é feito de ciclos. “É preciso compreender isso e procurar alocar em boas empresas que consigam aproveitar cada momento.”

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Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.