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Ace Capital: eleição presidencial será apertada e ainda não está definida, diz a gestora em carta aos cotistas

Gestora diz que o ‘resultado da eleição é, no mínimo, incerto, o que requer um grau maior de cautela dos investidores

Data de publicação:13/09/2022 às 05:00 -
Atualizado 11 dias atrás
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Mais do que esmiuçar os cenários econômicos globais e brasileiro, a Ace Capital dedicou a maior parte de sua carta de agosto aos cotistas à análise da corrida presidencial no País. A menos de um mês para o primeiro turno, os gestores da Ace Capital chamam a atenção para a dispersão de resultados embaralhados no grande número de pesquisas eleitorais. Condição que requer mais cautela dos investidores.

“É tanta informação, e com tanta variância, que se multiplicou o uso de agregadores, na esperança de que a verdade esteja na média. Mas, apesar da dificuldade de fazer previsões certeiras com dados tão erráticos, estamos nos deparando com muito menos cautela nas conclusões que acreditamos que o momento pede” diz o relatório da Ace.

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Eles destacam que eleição não é um evento estático, imutável, mas sim uma metamorfose ambulante, e utilizar os resultados das pesquisas hoje como uma predição certa e segura dos resultados é contraindicado. “A despeito da visão majoritária de amplo favoritismo do ex-presidente Lula, em nossa perspectiva o resultado da eleição é, no mínimo, incerto.”

Os gestores acreditam que Lula tem um ponto de partida mais favorável, porém a tendência atual beneficia Bolsonaro. Eles explicam que o momento econômico atual é bastante favorável a Bolsonaro, e isso deve continuar e se intensificar nas próximas semanas. “Acreditamos que essa eleição será muito mais apertada do que julgam a maioria dos analistas e agentes de mercado.”

Ambiente econômico global para a Ace Capital

Nos Estados Unidos, o destaque fica com o discurso recente do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, ao reforçar a preocupação da instituição com a persistência inflacionária em níveis elevados e a disposição de responder prontamente e de forma agressiva à inflação.

Mais do que isso, dirigentes do Fed em comentários que se sucedem falam em deixar a taxa básica de juro em nível elevado até ter sinais evidentes de que a inflação está controlada, independentemente do que estiver ocorrendo do lado da atividade.

Na Europa, a volatilidade extrema do preço do gás continua sendo o principal “driver” dos mercados e da percepção sobre os riscos econômicos. No nível de preços atuais, o preço do gás terá impacto grande sobre a renda das famílias, e sobre o setor industrial, principalmente as indústrias química e metálica.

Ainda assim, levando em consideração o nível já extremamente elevado de inflação, e a força do mercado de trabalho, o Banco Central Europeu está se mostrando ainda mais preocupado com os efeitos de segunda ordem que estes diversos choques de oferta podem ter sobre a inflação.

O debate por lá também está evoluindo para acelerar o ritmo de aperto, de forma a levar o quanto antes o juro para patamar contracionista. O que será feito ainda que a solução tenha de passar por atividade mais fraca e desemprego mais alto, se necessário.

“Seguimos com uma visão bastante cautelosa com o cenário global. Os desafios persistem: crescimento global em desaceleração, com inflação alta e persistente.”

Dados favoráveis no Brasil

Os dados econômicos do Brasil divulgados no último mês seguiram positivos como os da atividade doméstica, que continuaram firmes, dando sequência a onda de revisões para cima do PIB de 2022.

Revisamos para cima nossas projeções de crescimento do PIB para 2022 e 2023 para 2,7% e 0,5%, respectivamente. Apesar do grande aperto monetário realizado, que vai trazer efeitos no fim desse ano ou início do ano que vem, a resiliência da atividade corrente tem suscitado muitas discussões sobre o PIB potencial do país e o efeito cumulativo das reformas realizadas desde 2016 sobre o mesmo.

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Para a inflação o cenário também é favorável, a projeção da casa está em 5,8% para o IPCA de 2022 e 4,5% para o IPCA de 2023, já considerando que não haverá volta do PIS/Cofins sobre os combustíveis. Grande parte dessa revisão baixista em relação aos momentos de maior pessimismo do ano (a projeção deles chegou a 9,5% para 22 e 5,4% para 23), foi devido às reduções dos impostos federais e ou estaduais sobre energia elétrica, telecomunicações e combustíveis.

Mas os gestores ressaltam que houve uma melhora real no comportamento dos preços, com uma inflexão consolidada na inflação de bens industrializados e alimentação, que já apontam para dinâmica mais benigna. A inflação de serviços, por sua vez, segue pressionada e a força do mercado de trabalho levanta algumas dúvidas em relação à velocidade de desaceleração desse importante grupo de preços.

Entretanto, com o ambiente de crescimento mais forte e cenário inflacionário mais positivo, e o impacto sobre as expectativas, o Banco Central poderá ficar mais confortável para encerrar o ciclo de alta de juros, mantendo a Selic em 13,75%.

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Sobre o autor
Regina Pitoscia
Editora do Portal Mais Retorno.