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O que esperar do mercado financeiro em setembro? Cenário externo e eleições estão no radar

Quanto mais próximas as eleições mais volatilidade devem apresentar os mercados

Data de publicação:01/09/2022 às 05:00 -
Atualizado 3 meses atrás
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O mercado financeiro dá partida aos negócios de setembro, nesta quinta-feira, a um mês das eleições presidenciais, marcadas, em primeiro turno, para 2 de outubro. Ainda assim, para especialistas, por enquanto o mercado segue pautado, em boa parte, por expectativas e eventos no cenário internacional. Mas não deve ficar assim por muito tempo.

A expectativa é que, à medida que os dias correm, mais a disputa eleitoral passe a influenciar as decisões de investidores e gestores do mercado financeiro. Com uma pitada cada vez maior de volatilidade.

Mercado financeiro
Resultados da economia americana e chinesa também devem interferir no mercado financeiro - Foto: Reprodução

Gustavo Bertotti, economista-chefe da Messem Investimentos, diz que os diversos mercados, de ações ao de dólar, passando por juros, têm sido mais influenciados por fatores externos. E tudo indica que o foco, no radar dos investidores, continuará no exterior, centrado em três regiões: Estados Unidos, Europa e China. 

O rumo dos juros nos Estados Unidos voltou a atiçar o interesse dos mercados depois que o presidente do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), Jerome Powell, retomou o tom mais duro sobre política monetária americana na conferência da Jackson Hole. Sua fala em defesa do combate à inflação nesse evento levou a uma revisão de expectativas de uma condução mais branda dos juros americanos.

Uma alta mais forte dos juros ou por tempo mais prolongado nos Estados Unidos impacta os ativos e a economia em escala global. A taxa dos fed funds, que está na faixa de 2,50% ao ano, serve de referência para a movimentação de capitais em todos os mercados financeiros.

A próxima reunião do banco central americano que vai decidir o rumo dos juros está marcada para este mês. “Até lá, a principal dúvida do mercado é se o Fed vai seguir ou não a política monetária mais dura sinalizada por seu presidente, Powell, na conferência de Jackson Hole”, diz Bertotti.

Outro fator que deve pautar as decisões do mercado, segundo o economista da Messem, é a decretação de novos lockdowns na China e indicadores econômicos sobre o desempenho da economia chinesa. “Há indícios de desaceleração de atividade na China, o que, somado às condições econômicas desfavoráveis na Europa e nos Estados Unidos, traz de volta um pouco o temor de uma recessão global”, analisa.

A mesma preocupação se estende à Europa, que vive uma escalada inflacionária e está apenas no início do ciclo de elevação dos juros. “É uma inflação de oferta”, diz Bertotti, causada principalmente pela guerra na Ucrânia, que, com a alta dos juros, pode levar também a uma recessão.

Eleições vão mexer com o mercado financeiro

O economista-chefe da Messem diz que, internamente, o ponto de atenção é a disputa presidencial, que por enquanto não entrou totalmente no radar do mercado. “Até agora é uma questão que está descolada das decisões, porque o mercado está olhando mais os indicadores econômicos, que estão positivos”, avalia.

À medida que a corrida eleitoral for avançando, prevê Bertotti, a perspectiva é que o acirramento da disputa entre os dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas aumente a tensão política e traga maior volatilidade aos mercados.

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.

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