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YDRO11: conheça o ETF do Itaú que investe em empresas de hidrogênio

Aumento da consciência ambiental desperta interesse por ativos com teses de ESG

Data de publicação:18/03/2022 às 00:30 -
Atualizado um mês atrás
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Você curte investimentos temáticos? Então talvez se interesse em conhecer mais sobre o YDRO11, um ETF desenvolvido pelo Banco Itaú que permite a exposição do seu capital a negócios que tenham relação com o mercado de hidrogênio.

Com o crescimento da importância de pautas ambientais e energéticas ao longo dos últimos anos, o hidrogênio ganhou destaque e já possui diversos produtos ao redor do mundo que visam explorar o "petróleo verde", como vem sendo chamada essa tecnologia por muitos dos investidores e especialistas do mercado financeiro.

YDRO11
YDRO11 tem forte vínculo com peocupação ambiental dentro dos critérios ESG - Foto: Shutterstock

Vamos então entender um pouco mais sobre o contexto do YDRO11, que é o primeiro produto desenvolvido no Brasil para permitir investimentos nessa tese inovadora.

O que é o YDRO11?

YDRO11 é o código de negociação na bolsa de valores para representar o It Now S&P Kensho Hydrogen, que é o nome dado ao ETF gerenciado pela Itaú Asset Management com a proposta de acompanhar o mercado de hidrogênio.

Vale lembrar que ETF é uma sigla para Exchange Traded Funds. Em tradução livre para o português, o termo representa "fundos negociados em bolsa", que é justamente a função desse produto no mercado financeiro. Isto é, são fundos de investimentos que são negociados na bolsa de valores.

Os ETFs possuem a característica de uma gestão passiva. Ou seja, eles possuem por objetivo replicar um índice do setor — e não ter uma gestão ativa, trocando empresas com frequência em busca de resultados acima da média do mercado. Esse é um aspecto importante e que o investidor deve entender a dinâmica de produto antes de qualquer aporte.

Qual é o índice do YDRO11?

No caso do YDRO11, o índice escolhido é o S&P Kensho Hydrogen Economy. Esse indicador tem como objetivo monitorar o desempenho de um conjunto de 19 companhias com alguma relação com a produção, armazenamento ou transporte de hidrogênio.

As empresas são distribuídas em três países, oferecendo uma diversificação geográfica. Veja abaixo a composição com dados atualizados até fevereiro de 2022:

  • Estados Unidos: 15 companhias, representando 82,7% do índice.
  • Reino Unido: 2 companhias, representando 8,6% do índice.
  • Canadá: 2 companhias, representando 8,7% do índice.

Outro ponto interessante dessa estrutura é que há ainda uma diversificação setorial. A ponderação do índice se divide em empresas industriais (48,2%), materiais (39,1%) e de energia (12,7%).

O S&P Kensho Hydrogen Economy chegou a apresentar uma rentabilidade superior a 200% entre janeiro e fevereiro de 2021. Já o ETF YDRO11 foi lançado em setembro de 2021. A taxa de administração do fundo é de 0,50% ao ano, enquanto que o investimento mínimo é de uma cota, que foi lançada a R$50, tornando-se um investimento bem acessível.

YDRO11: por que a tese de hidrogênio está em evidência?

Os produtos lançados no mercado financeiro não são aleatórios, mas baseados em tendências identificadas pelas instituições financeiras. Não é diferente no caso do hidrogênio, que surge como uma fonte energética limpa como substituta dos combustíveis fósseis — principalmente o petróleo.

Vamos entender um pouco melhor esse contexto e por qual motivo não apenas o Itaú, mas outros bancos e corretoras também estão estruturando produtos nesta categoria — como a Vitreo, por exemplo, que lançou um fundo atrelado ao hidrogênio verde.

O uso do hidrogênio é positivo para o meio ambiente

Como sabemos, já faz algum tempo que os problemas ambientais estão entre as pautas relevantes do nosso planeta. Isso vale especialmente para o combate aos poluentes emitidos pelas empresas e pelas tarefas de rotina.

Vale lembrar que, no uso dos combustíveis fósseis, há uma forte emissão de gás carbônico. Esse é um dos principais fatores prejudiciais contra a camada de ozônio, gerando o que se chama de "efeito estufa". Esse cenário, além de prejudicial para o meio ambiente, traz uma série de consequências para a vida humana — entre elas, por exemplo, o aumento da temperatura.

O uso do hidrogênio permite uma fonte energética relevante (capaz, inclusive, de atender às principais indústrias globais), mas com uma vantagem significativa: algumas variações desse tipo de combustível não emitem gás carbônico no seu uso, mas sim água. E esse apelo é um grande diferencial no contexto atual.

Importante mencionar, entretanto, que existem diversos tipos de hidrogênio. E alguns deles, pensando no uso energético, ainda exigem o uso de combustíveis fósseis na sua produção, algo que não resolve o problema. Contudo, o hidrogênio verde não tem essa necessidade, motivo pelo qual vem ganhando tanto destaque.

Aumento da consciência ambiental

A preocupação com o meio ambiente não é uma questão nova, mas a conscientização do problema é um fator que também contribui para o hidrogênio ocupar um local de destaque no mercado financeiro atualmente.

Uma prova disso é o aumento da preocupação dos investidores na busca por empresas consideradas como ESG (Environmental, Social and Governance). A sigla significa "Ambiental, Social e Governança", em tradução livre para o português.

As empresas também buscam se adaptar às exigências modernas, reduzindo a emissão de poluentes. E essa busca acaba por, de certa forma, incluir a discussão sobre o uso de fontes energéticas limpas — casos da energia solar, energia eólica e, mais recentemente, do hidrogênio.

Vale a pena investir em hidrogênio via YDRO11?

Juntando esse cenário de busca por melhorias em relação ao meio ambiente com a capacidade de ser uma fonte de energia limpa do hidrogênio, fica mais fácil compreender os motivos pelos quais esse produto vem ganhando destaque. E, se há uma perspectiva positiva para o futuro, os investidores passam a se interessar pela exposição ao tema.

É verdade que a produção do hidrogênio verde, considerada como a melhor solução para esse contexto energético, ainda é cara. No entanto, o desenvolvimento de novas tecnologias vem contribuindo com uma redução do preço de produção. E isso pode destravar um valor interessante para quem busca investir no produto.

Ademais, assim como hoje vemos negociações frequentes de commodities envolvendo petróleo, ouro ou minério de ferro, é bem plausível que o hidrogênio seja inserido nesse tipo de comercialização. E pode, quem sabe, se tornar um novo tipo de investimento direto, sem precisar de um ETF que seleciona empresas do segmento (caso do YDRO11).

Entretanto, assim como qualquer fundo temático, há uma grande exposição por parte do investidor à commodity selecionada. Isto é, ao que vai acontecer com o hidrogênio. O desenvolvimento de uma produção mais barata dessa fonte energética pode destravar um valor interessante, mas a descoberta de alternativas ou mesmo problemas nessa produção podem trazer um efeito reverso.

Portanto, caso você valorize a tese de hidrogênio para os próximos anos, pode sim utilizar o YDRO11 como forma simples de ter exposição às principais companhias do setor. No entanto, não se esqueça de diversificar para não concentrar demais o seu capital em uma temática isolada que, embora seja promissora, ainda traz incertezas.

Sobre o autor
Stéfano Bozza
Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.