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Economia

Selic será mantida em 13,75% com o fim do ciclo de alta, e juros americanos sobem 0,75 pp, acredita o mercado

Qualquer decisão que não seja manutenção da Selic será uma grande surpresa

Data de publicação:20/09/2022 às 08:40 -
Atualizado 5 dias atrás
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O mercado financeiro está convencido, senão convicto, de que a taxa básica de juros, a Selic, será mantida em 13,75% ao ano nesta quarta-feira. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne amanhã e, se confirmadas as expectativas do mercado, colocará ponto final no ciclo de aperto monetário, iniciado em março de 2021.

A maioria dos analistas e investidores aposta na estabilidade da Selic, apesar do tom mais duro nas manifestações do Banco Central sobre política monetária nas últimas semanas. Uma postura que destoa da linguagem mais branda sobre os possíveis próximos passos na condução monetária, em comunicado após a última reunião, em agosto.

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Manutenção da Selic é consenso entre especialistas e investidores - Imagem: Reprodução

A manutenção da Selic, no entanto, não é uma visão consensual de mercado. Uma ala minoritária não descarta um ajuste final e residual de 0,25%, que arredondaria o juro básico para 14%.

O argumento que move essa expectativa está ligado a dúvidas sobre o encaminhamento da inflação à meta em 2024 - meta central de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima e para baixo.

Qualquer que seja a decisão do Copom, seja pelo aumento residual, seja pela estabilidade, a opinião de especialistas é que, depois dessa decisão, a Selic será mantida nesse patamar até o fim do ano.  Até o fechamento de 2022, restam mais dois encontros do Copom, em outubro e dezembro.

Manutenção da Selic

Letícia Cosenza, especialista em renda fixa da Blue3, aposta na estabilidade da Selic e em sua manutenção no nível que sair da reunião, qualquer que seja a decisão do Banco Central, até dezembro. “Qualquer decisão que não seja a manutenção será uma grande surpresa”, aponta.

Ela apoia sua expectativa no fato de que “o Banco Central (BC) começou o ciclo de alta dos juros bem antes (dos bancos centrais das maiores economias globais) e estamos vendo a inflação perder força”, avalia. “Já tivemos deflações mensais, em julho e agosto, e provavelmente também em setembro, como efeito das medidas tributárias do governo para a redução dos preços dos combustíveis e da política monetária dura do BC.”

Adauto Lima, economista-chefe da Western Asset, afirma que “o Copom vai manter a Selic em 13,75% e deve sinalizar uma pausa prolongada, com o juro básico nesse patamar, à espera da convergência da inflação para as metas”. Ele argumenta, em favor da manutenção da taxa básica no atual nível, que a inflação tem recuado além das expectativas e a atividade econômica, embora dê sinais de melhora, sente o impacto ainda da política monetária mais restritiva.

O economista da Kinitro Capital, João Savignon, entende que o Copom deve manter o juro e sinalizar o fim do ciclo de aperto monetário, mas que pretende manter o plano de voo de juros altos por mais tempo. Seria uma pausa para avaliar os impactos defasados da Selic elevada sobre a atividade, possivelmente descartando corte de juros no início de 2023.

Decisão dos juros em dose dupla

Nesta Superquarta, além de o Copom decidir o rumo da Selic por aqui, o Fed (Federal Reserve, banco central americano) ocupa-se de tarefa similar nos Estados Unidos.

A expectativa de analistas é que o Fed aumente 0,75 ponto porcentual o juro americano de curto prazo. A taxa dos Fed funds, semelhante à Selic brasileira, oscila atualmente em um intervalo entre 2,25% e 2,50% ao ano.

Letícia, da Blue3, diz que justificaria um alta nesse calibre, que alguns espicham para até 1 ponto porcentual, a inflação ao consumidor acima das estimativas. “O núcleo da inflação também acelerou, contrariando as expectativas de estabilidade”, aponta.

A alta de 0,75 ponto porcentual, que dá como favas contadas, é também a aposta do economista-chefe da Western Asset para a decisão do Fed nesta quarta-feira.

Ponto importante para debate, segundo ele, é olhar a taxa terminal que o Fed vai buscar nesse processo.  Ou seja, se pretende entregar todo o reajuste em 2022 para passar 2023 sem aumento. “Essa é principal dificuldade para saber qual será a taxa terminal do ciclo.”

“O último CPI mostrou uma inflação muito difundida pela economia americana”, analisa Sávio Barbosa, economista-chefe da Kinitro Capital, que engrossa o time de analistas que apostam em uma alta de 0,75 ponto porcentual, “consenso hoje no mercado”.

Segundo ele, existem duas grandes perguntas para as quais se esperam respostas ou pelo menos indicações nessa reunião: o tom da fala de Jerome Powell, presidente do Fed, após a reunião, “importante para formar as expectativas para a próxima”;  e qual será a indicação dos membros do Comitê de Política Monetária dos EUA, o FOMC, do Fed para a taxa de juros terminal.

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Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.