Economia

Em relatório divulgado nesta quinta-feira, 30, último dia de setembro e também do terceiro trimestre, o Goldman Sachs afirmou que o Banco Central (BC), na primeira reunião do ano que vem, pode elevar a Selic, taxa básica de juros, para um patamar entre 8,75% e 9,25%, pelo menos, na tentativa de convergir a inflação para o centro da meta em 2022.

A análise, redigida por Alberto Ramos, destaca que, neste momento, a estratégia mais adequada para que o Comitê de Política Monetária (Copom) consiga frear a escalada de preços é "manter o atual ritmo de ajuste, aliado a um ciclo de aperto monetário mais aprofundado e prolongado que se encerra em um patamar significativamente restritivo".

Foto: Envato selic juros futuros
As projeções acima da meta de 2022 para a inflação devem levar o BC a elevar a Selic ao patamar dos 9%

No último Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, 27, a mediana das expectativas dos economistas do mercado financeiro ouvidos pelo BC para a inflação deve seguir numa trajetória acima do teto da meta estabelecida pela instituição até o fim de 2022, quando o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar o ano em 4,12%.

Na mesma pesquisa, os economistas projetam que a Selic deve chegar a 8,50% na reunião do Copom de 21 de fevereiro do próximo ano, caindo para 6,75% no final de 2023 e 6,50% ao fim de 2024. Para os especialistas, o patamar neutro da taxa básica de juros, quando não estimula e nem desestimula a economia, é em 6,50%.

O relatório do Goldman Sachs ressalta que, neste cenário de taxa de juros, a inflação é projetada bem acima da meta de 3,75% em 2021 - a previsão é que, até o fim do ano, o IPCA chegue próximo dos 8,50%. Além disso, concretizada as projeções do Focus de uma Selic a 8,50% em 2022, a inflação para o próximo ano também deve se manter acima da meta, de 3,50%.

Dessa forma, a análise de Ramos considera que uma trajetória de normalização da taxa Selic que alcance entre 9,00% e 9,50% até o primeiro trimestre de 2022 "seria consistente com o cumprimento ainda do ponto médio da meta para 2022, mais exigente".

Inflação

O Goldman Sachs destaca ainda que os preços administrado aumentaram mais do que as metas de 2021 a 2024, sendo, atualmente, o principal fator que impacta na alta da inflação. Em 2021, a valorização dos produtos desse segmento gira em torno de 13,7%, caindo até 3,4% em 2024, ante uma meta de 3,00%.

Já a inflação entre os preços livremente determinados deve recuar de uma alta de 6,7% neste ano para 2,5% em 2024, contra a mesma meta de 3,00%.

Incerteza Econômica

Refletindo o cenário macroeconômico brasileiro, o Indicador de Incerteza da Economia da FGV (IIE-Br) saltou 14,3 pontos em setembro, chegando ao 133,9 pontos. Este foi o maior avanço mensal para o indicador desde abril de 2020, primeiro mês a sentir os impactos da pandemia de covid-19.

Para o Goldman Sachs, o aumento da incerteza política e econômica está ocorrendo juntamente com a deterioração dos indicadores de sentimento e o aperto das condições financeiras domésticas.

De acordo com relatório, essa situação reflete uma "combinação de atrito político e institucional intensificado, crise de geração de energia, inflação acelerada, aumento rápido das taxas de juros, quadro fiscal incerto e perspectiva de deterioração para o crescimento em 2022. Isso é um mau presságio para a dinâmica de crescimento nos próximos trimestres".

Embora os números de setembro tenham chegado a um patamar bastante elevado e, como resultado, o indicador esteja bem acima do limite de 110, migrando para a categoria de alta incerteza, a análise ressalta que a incerteza econômica no Brasil era alta antes mesmo do início da pandemia.

A confiança do consumidor, segundo a leitura da FGV divulgada na manhã desta quinta-feira, diminuiu em 6,5 pontos em setembro, caindo para 75,3 pontos.

Os níveis de confiança dos empresários com os setores da economia também tiveram um desempenho majoritariamente negativo.

O setor manufatureiro teve uma queda de 0,6 ponto no mês, indo para 106,4 pontos no total. A confiança neste segmento "foi prejudicada pelo aumento da inflação e das taxas de juros, cadeia de suprimentos prolongada e interrupções logísticas, além do aumento acentuado dos custos de energia", afirma o relatório do Goldman Sachs.

Os níveis de confiança dos empresários nos setores de varejo e serviços apontaram uma queda de 6,8 e 2,0 pontos na leitura da FGV, caindo para 94,1 e 97,3 pontos, respectivamente.

O destaque positivo ficou por conta do setor de construção, que apresentou uma pequena variação de 0,1 ponto em setembro e, com cinco aumentos mensais consecutivos, totaliza 11,4 pontos.

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