Economia

O Banco Central (BC) manteve sua estimativa de inflação para 2021 no cenário de referência, que utiliza juros conforme o Boletim Focus e câmbio atualizado de acordo com a Paridade do Poder de Compra (PPC).

Segundo o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado na manhã desta quinta-feira, 30, este cenário indica um IPCA de 8,5% para este ano. O porcentual é o mesmo que constou na ata e no comunicado do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom).

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BC acredita que a inflação de 2021 fique em 8,5%, segundo o Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quinta-feira, 30 - Foto: Envato

O cenário de referência indica que o IPCA ficará em 3,7% em 2022 e em 3,2% em 2023 - também igual à ata e ao comunicado.

Para 2021, a meta de inflação perseguida pelo BC é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto porcentual (taxa de 2,25% a 5,25%). Para 2022, a meta é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (taxa de 2,00% a 5,00%). Para 2022, a meta é de 3,25%, com margem de 1,5 ponto (taxa de 1,75% a 4,75%).

No último relatório Focus, divulgado na segunda-feira passada, os economistas consultados semanalmente pelo BC projetaram alta de 8,45% no IPCA de 2021, de 4,12% em 2022 e de 3,25% em 2023.

Curto prazo

O Banco Central também divulgou, no RTI, suas projeções de inflação de curto prazo, que abarcam os meses de setembro a novembro de 2021. A previsão do BC do IPCA para setembro é de 1,11%. Já a projeção para outubro é de 0,45% e, para novembro, de 0,41%.

No Focus mais recente, divulgado na última segunda-feira, as projeções do mercado financeiro para o IPCA eram de alta de 1,10% em setembro, 0,53% em outubro e 0,40% em novembro.

O mercado ainda aguarda, nesta quinta-feira, os comentários do presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, sobre o relatório, em entrevista coletiva que acontece a partir das 11h.

Teto da meta

O Banco Central informou que, em seu cenário de referência, a probabilidade de a inflação de 2021 ficar acima do teto da meta, de 5,25%, está em 100%, ou seja, não há mais como entregar o objetivo deste ano.

Com isso, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, precisará divulgar uma carta aberta ao ministro da Economia, Paulo Guedes, explicando o estouro da meta deste ano. Da mesma forma, a hipótese de a inflação ficar abaixo do piso da meta em 2021, de 2,25%, é zero.

Para 2022, a perspectiva de estouro do teto de 5% da meta é de 17%. Já a possibilidade de estouro do piso de 2,00% da meta é de 11%. Para 2023, a chance de estouro do teto de 4,75% da meta é de 13%. Já a possibilidade de estouro do piso de 1,75% da meta é de 15%.

PIB

Segundo o RTI, o BC atualizou marginalmente sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2021. A expectativa para o crescimento da economia este ano passou de alta de 4,6% para avanço de 4,7%.

Entre os componentes do PIB para 2021, a autoridade monetária alterou de 2,5% para 2,0% a projeção para o crescimento da agropecuária. No caso da indústria, a estimativa de recuperação passou de 6,6% para 4,7% e, para o setor de serviços, de 3,8% para 4,7%.

Do lado da demanda, o BC alterou a estimativa do consumo das famílias de alta de 4,0% para 3,3%. No caso do consumo do governo, o porcentual projetado foi de 0,4% para 0,9%.

O documento indica ainda que a projeção de 2021 para a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) - indicador que mede o volume de investimento produtivo na economia - foi de 8,1% para 16,0%. Todas as estimativas anteriores constavam do RTI divulgado em junho.

O BC trouxe pela primeira vez as projeções da autoridade monetária para o PIB de 2022, com estimativa de alta de 2,1%. O RTI projeta avanço de 3,0% para a agropecuária, crescimento de 1,2% para a indústria e progresso de 2,5% nos serviços.

Para o próximo ano, o BC espera alta de 2,2% no consumo das famílias e de 2,5% no consumo do governo. Já a Formação Bruta de Capital Fixo deve apresentar queda de 0,5%.

No último relatório Focus, divulgado na segunda-feira passada, os economistas consultados semanalmente pelo BC projetaram alta de 5,04% no PIB de 2021 e de 1,57% no PIB de 2022.

"O hiato do produto em patamar menos negativo, que reduz o espaço para a recuperação cíclica, e o movimento de aperto monetário ora em curso, cujos efeitos ocorrem de maneira defasada, são fatores que contribuem para a desaceleração da taxa de crescimento", diz o BC, no RTI sobre o PIB de 2022.

"Esta previsão ainda apresenta grau elevado de incerteza e está apoiada nas seguintes hipóteses: continuidade do arrefecimento da crise sanitária, diminuição gradual dos níveis de incerteza econômica ao longo do tempo, manutenção do regime fiscal e ausência de restrições diretas ao consumo de eletricidade", completa.

Transações correntes

O Banco Central também atualizou suas estimativas para o balanço de pagamentos em 2021, segundo o relatório. A projeção para o resultado das transações correntes do País passou de déficit de US$ 3 bilhões para US$ 21 bilhões.

A estimativa anterior constou no RTI de junho. Já a projeção para o Investimento Direto no País (IDP) neste ano foi de US$ 60 bilhões para US$ 55 bilhões.

Conforme o RTI publicado nesta quinta-feira, a estimativa para o saldo líquido de investimento de estrangeiros em carteira - incluindo ações e títulos de renda fixa - continuou em superávit de US$ 21 bilhões.

O BC trouxe pela primeira vez as projeções da autoridade monetária para as contas externas de 2022, com estimativa de saldo negativo de US$ 14,0 bilhões nas transações correntes e entrada de US$ 60 bilhões em IDP no próximo ano. A projeção do BC para os investimentos em portfólio em 2022 é positiva em US$ 23 bilhões. / com Agência Estado

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