Economia

O Comitê de Política Monetária (Copom) reforçou que o ritmo e ajuste da taxa de juros é o mais adequado para garantir o retorno da inflação para a meta, segundo a ata da última reunião do colegiado divulgada pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira, 28. A Selic deve chegar a 8,5% ao ano em 2021, conforme as estimativas da autoridade.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Copom sinaliza que deve continuar adotando um tom mais duro na condução da taxa de juros do País nas próximas reuniões, segundo ata divulgada nesta terça-feira - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Nesse sentido, a ata não trouxe nenhuma novidade, pois esses movimentos já tinham sido sinalizados no comunicado da semana passada, quando o BC elevou a Selic em 1 ponto porcentual, para 6,25% ao ano, somando a quinta elevação consecutiva.

De acordo com o comitê, “o cenário básico e o balanço de riscos do Copom indicam ser apropriado que o ciclo de aperto monetário avance no território contracionista”.

Esse ritmo também deve dar o tom da próxima reunião, que, segundo o BC, deve optar por um novo ajuste de 1 ponto porcentual na Selic, que hoje está em 6,25% ao ano. Porém, não descarta avanços ainda mais fortes.

“O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária”, destacou o BC no documento.

Segundo o último boletim Focus, divulgado no dia anterior, as expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 são 8,3%, 4,1% e 3,25%, respectivamente.

Sobre a decisão do último ajuste na Selic, o comitê ressalta que “essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para 2022 e, em menor grau, para 2023”.

Preços

Segundo a ata, o Copom reconhece o alto patamar da inflação ao consumidor. “A alta nos preços dos bens industriais – decorrente de repasses de custos, das restrições de oferta e do redirecionamento da demanda em direção a bens – ainda não arrefeceu e deve persistir no curto prazo”.

A normalização gradual do setor de serviços, dinâmica já esperada, também influenciou na alta dos preços. Além disso, de acordo com o BC, as pressões sobre componentes voláteis como alimentos, combustíveis e, especialmente energia elétrica, ainda persistem.

PIB

Sobre o PIB, o Copom ressaltou que, após o resultado do segundo trimestre, que veio “ligeiramente melhor do que o esperado”, o mercado passou a revisar as projeções do indicador para baixo, “ainda que evoluindo favoravelmente”.

“Parte dessas revisões decorre de uma antecipação do crescimento esperado para alguns dos setores mais atingidos pela pandemia; outra parte deriva da menor produção industrial decorrente da manutenção de dificuldades nas cadeias de suprimentos”, destaca o comitê.

Mesmo assim, o BC segue mantendo a visão de uma retomada robusta da atividade no segundo semestre, à medida que os efeitos da vacinação contra a covid-19 sejam sentidos de forma mais abrangentes.

Para o próximo ano, o comitê acredita que o crescimento da economia brasileira será beneficiado por três fatores: a continuidade da recuperação do mercado de trabalho e do setor de serviços; o desempenho de setores como agropecuária e indústria extrativa, menos ligados ao ciclo de negócios; e resquícios do processo de normalização da economia, conforme a crise sanitária arrefece.

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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