Economia

Na manhã desta segunda-feira, 27, foi divulgada mais uma edição do Relatório Focus do Banco Central, com a mediana das expectativas dos economistas do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos do País. No boletim, as projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do Brasil, ficaram em 8,45% até o fim de 2021. Esta é a 25ª semana consecutiva com as estimativas para o índice em alta.

Na semana passada, os economistas ouvidos pelo BC projetavam uma inflação de 8,35% até o final do ano. Há um mês, esse valor era estimado em 7,27%.

Foto: Envato inflação de 2021
Projeções para a inflação de 2021 seguem na esteira de alta, mas especialista afirma que, nos próximos meses, o movimento deve desacelerar

De acordo com Alexandre Almeida, economista da CM Capital, os principais vilões para a escalada dos preços no País ainda são os combustíveis e a energia elétrica. Um levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostra que, até a última sexta-feira, 24, o preço médio da gasolina subiu pela 8ª semana consecutiva, chegando a R$ 6,092 por litro.

Já a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por conta da grave crise hidrológica que atinge o Brasil, elevou o valor da energia elétrica, por meio de uma tarifa extra denominada de "escassez hídrica". A nova bandeira, que passou a valer no primeiro dia de setembro e vai até 30 de abril de 2022, cobra R$ 14,20 a cada 100 kWh, ante os R$ 9,492 cobrados até o fim de agosto.

O economista afirma, entretanto, que, em meados de outubro e novembro, o mercado já deve passar a observar uma "pequena desaceleração na inflação". Almeida explica que a pressão advinda dos preços administrados (principalmente combustíveis e energia elétrica), "já não deve pesar tanto na conta quanto pesaram nos últimos meses, incluindo setembro".

Neste sentido, a equipe econômica da CM Capital projeta um IPCA ao redor de 8,30% ao fim do ano.

Taxa de juros

Embora na última quarta-feira, 22, o Comitê de Política Monetária (Copom) tenha elevado em um ponto percentual, a 6,25%, a taxa básica de juros da economia brasileira, Selic, o Relatório Focus desta semana manteve suas projeções para a taxa em 8,25%, sem mudanças em relação a segunda-feira passada. Há quatro semanas, os economistas ouvidos pelo BC estimavam uma Selic de 7,50% até o fim de 2021.

Alexandre Almeida afirma que as expectativas para a taxa de juros já estavam ancoradas em torno de 8,25% antes mesmo da ata da última reunião do Copom, uma vez que, no comunicado divulgado no começo de agosto, o colegiado já havia sinalizado a intenção de manter a Selic acima do patamar neutro, com altas de 100 pontos base a cada reunião.

O economista explica que uma taxa de juros acima da neutra é aquela que, descontada a inflação oficial do País, permanece positiva. O BC vem elevando a Selic ao longo de 2021 numa tentativa de, justamente, controlar a escalada de preços.

Apesar do provável início da desaceleração do IPCA nos próximos meses, Almeida destaca que as expectativas para o índice em 2022 seguem acima da meta do BC, de 3,50% ao ano. No Focus, a mediana das projeções para a inflação no próximo ano estão em 4,12%, ante 4,10% na semana passada e 3,95% há quatro semanas.

Neste cenário, o economista enxerga a possibilidade da taxa de juros chegar próxima aos dois dígitos em 2022, para estimular a desaceleração dos preços. A equipe econômica da corretora projeta a Selic em torno de 9,25% no ano que vem, levando em conta que o IPCA deve começar a desacelerar, mas que ainda pode permanecer próximo ao teto da meta do BC, de 5%.

Os especialistas ouvidos pelo BC mantiveram as projeções para a Selic em 8,50% para o próximo ano, ante 7,50% há um mês.

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Repórter na Mais Retorno

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