Logo Mais Retorno
Fundos de Investimentos

Se os juros subiram, por que 91 fundos de renda fixa fecharam no vermelho em 2021, com queda até acima de 10%?

Papéis prefixados na carteira perderam valor com a alta dos juros

Data de publicação:25/01/2022 às 00:30 -
Atualizado 4 meses atrás
Compartilhe:
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter Mais Retorno
  • Telegram Mais Retorno
  • WhatsApp Mais Retorno
  • Email Mais Retorno

Em estudo exclusivo feito pela Mais Retorno, do universo de 761 fundos de renda fixa analisados, 91 entregaram resultado negativo aos cotistas, em 2021. E dos que apresentaram resultado positivo 457, o equivalente a mais da metade do total analisado, renderam abaixo de 4,42% do CDI, o benchmark ou alvo que o gestor desses fundos mira ao traçar a estratégia de carteira do fundo.

Os fundos de renda fixa não tiveram vida fácil em 2021, ano de aceleração inflacionária em ritmo de persistente alta que levou o Banco Central a dar um cavalo-de-pau na Selic. A alta nas taxas de juro provocou queda e performance negativa de boa parte dos fundos dessa classe de ativos. Entenda.

FundoPatrimônio R$
em milhões
Rendimento 2021
BRADESCO FIC FI PREFIXADO LONGO 79,489-10,89%
BB RF LP PRÉ 5 ANOS PRIVATE 33,488-10,75%
BB TOP RF IDKA PRÉ 5 ANOS LP FI 101,075-10,50%
VITREO INFLAÇÃO LONGA 338,886 -9,53%
ICATU VANGUARDA PREFIXADO 158,583 -9,35%
ICATU VANGUARDA INFLAÇÃO LONGA 178,589 -7,43%
ITAÚ JUROS REAIS B5+ 312,130 -7,42%
ITAÚ INDEX JUROS REAIS B5+ 146,836 -7,06%
FI CAIXA BRASIL IMA B5+ TÍT. PÚBLICOS1.353,637 -7,00%
VTR DOUBLE INCOME 19,117 -6,96%
Fonte: Mais Retorno

No estudo da Mais Retorno foram considerados fundos de renda fixa com mais de um ano em operação, aberto ao público em geral, com o mínimo de 60 cotistas e patrimônio a partir de R$ 17 milhões.

Ele mostra que os que mais sofreram foram os fundos de renda fixa com carteira formada por títulos com taxas prefixadas e de prazos de vencimento mais longos.

fundos de renda fixa
457 fundos de renda fixa não conseguiram pagar o mesmo rendimento do CDI, de 4,42% - Foto: Reprodução

Três fundos lideraram as quedas. O campeão em performance negativa foi o Bradesco FIC FI RF Prefixado Longo, que recuou 10,89%, seguido do BB RF LP Pré 5 Anos Private FIC FI, com queda de 10,75%, e do BB Top RF IDKA Pré 5 Anos LP FI, com 10,50% negativo.

Nem memo os fundos de renda fixa mais avantajados em patrimônio escaparam de performance negativa em 2021. O FI Caixa Brasil IMA B5+ Títulos Públicos RF LP, escorado em seu patrimônio de R$ 1,353 bilhão, o maior volume dentre os dez fundos, ocupou o nono lugar em rentabilidade negativa, com queda de 7%.

A diferença que separa o desempenho dos três fundos do topo é relativamente estreita, assim como a que intercala a distância entre os demais que completam a lista de dez com pior rendimento. Vai de - 9,53%, do Vitreo Inflação Longa FI RF, na quarta posição, a – 6,96%, do VTR Double Income FI RF, em décimo lugar.

Em uma avaliação geral, sem uma análise mais detalhada das carteiras ou de estratégias, Carlos Heitor Campani, especialista em Finanças e professor do Coppead/URFJ, afirma que esses fundos  indicam a formação de carteiras com títulos prefixados de longo prazo, os que mais sofreram com os solavancos no mercado de juros no ano passado.

São títulos de vencimentos mais elásticos que embutem taxa nominal de juro prefixada, como os da carteira do Bradesco FIC FI RF Prefixado Longo, ou papeis que embutem em uma mesma remuneração juro real e inflação. “É o caso dos fundos do Itaú e do Icatu, que tiveram rentabilidades muito semelhantes”, analisa Campani. Os fundos a que refere, o Itaú RF Juros Reais B5+ FIC FI acumulou rendimento negativo de 7,42% e o Icatu Vanguarda FIC FI Inflação Longa RF LP, ganho negativo de 7,43%.

Fundos de renda fixa com prefixados sofreram mais

“Os fundos com a carteira como o do Bradesco sofreram mais porque o gestor trabalhava com um juro nominal prefixado” (título com juro real e inflação embutidos em uma só taxa), estratégia que ficou em desvantagem em relação à de outros, que estão carregando na carteira títulos com rendimento híbrido, formado por taxa de juro real, composta de correção monetária mais uma parcela positiva de juro.

Campani explica que por trás dos resultados negativos dos fundos de renda fixa com esse perfil de títulos em carteira está a arrancada dos juros, na esteira da escalada da Selic, que subiu de 2,00% em março para 9,25% ao ano em dezembro de 2021. “Por mais que o mercado acreditasse que o juro fosse subir, a alta foi muito maior do que se esperava, o que causou rendimento negativo em muitos desses fundos.”

Mas de que forma a aceleração dos juros chega como prejuízo à performance dessa classe de fundos? “É porque quando a taxa de juros sobe o título emitido com juro mais baixo que está na carteira do fundo desvaloriza”, explica o especialista. “O fundo com títulos de taxas prefixadas tem queda de rendimento, sobretudo aqueles em que o juro real e a inflação (correção monetária) formam uma só taxa nominal”, reforça. “Os com exposição ao IPCA tiveram um colchão amortecedor.”

O especialista em finanças ressalta que é uma análise geral a de que os fundos de renda fixa com títulos prefixados sofreram com a escalada dos juros em 2021. “É preciso destacar que conta também o trabalho diário de gestão, capaz de entregar resultados positivos em meio ao cenário de adversidades como foi o de 2021 para os fundos de renda fixa.”

Os resultados positivos dos fundos

Entre os 10 fundos de renda fixa mais rentáveis em 2021, o retorno foi duas ou três vezes superior ao da poupança, de 2,94% e o dobro do CDI, os Certificados de Depósito Interbancário, de 4,42%, usado nas operações de empréstimos diários entre bancos e referência para o rendimento das aplicações em renda fixa.

Os três com maior rentabilidade foram: Schroder Premium 45 Advisory FI RF CP LP, 10,92%; BTG Pactual Debêntures Incentivadas FIC Incentivados Investimento Infra RF; 10,37% e Capitânia Infra 90 FIC Incentivados Investimentos Infraestrutura RF CP; 10,32%.

Todos os três com rentabilidade nominal superior à inflação de 10,06% em 2021. Mesmo com o desconto do imposto de renda, conseguiram dar boa dose de proteção aos cotistas.

Leia mais

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.