Mercado Financeiro

Futuros operam em forte baixa com avanço de variante ômicron pela Europa

Expectativas estão voltadas para a divulgação do IPCA-15 na quinta-feira

Data de publicação:20/12/2021 às 07:00 - Atualizado um mês atrás
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O mercado financeiro amanheceu azedo nesta segunda-feira, 20, iniciando a semana que precede o feriado de Natal. O problema é a ômicron, que avança na Europa, com as decisões de bloqueio total (lockdown) do governo holandês, além da volta de ação de medidas restritivas na Alemanha, França, Dinamarca e Noruega.

Os mercados futuros estavam em forte queda por volta das 6h30. O S&P 500 recuava 1,75%, Nasdaq caia 1,72% e o STOXX 600, da Europa, mergulhava 2,51%.

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Mercado estará de olho na prévia da inflação para saber para onde vão os juros - Foto: Arquivo

Nos Estados Unidos também pesa a dificuldade do presidente Joe Biden em aprovar seu pacote de apoio a infraestrutra, orçado em US$ 1,75 trilhão. O senador democrata Joe Manchin retirou seu apoio ao pacote e, como consequência, o banco Goldman Sachs emitiu nota citando um Congresso dividido para a votação do acordo. O banco, com isso, cortou as previsões de crescimento do país para 2022.

Caso o pacote não seja aprovado, a instituição espera que o PIB americano cresça a um ritmo anualizado de 2% no primeiro trimestre de 2022, ante os 3% com o pacote. Para o segundo trimestre, a nova previsão, sem o plano de US$ 1,75 trilhão, é de queda de 3,5% para 3%, também com impactos no terceiro trimestre, de 3% anteriormente divulgado, para 2.75%.

Cenário local: inflação no radar

No cenário local, a perspectiva é de uma redução no ritmo de negócios, por conta da proximidade das festas de fim de ano, mas não de expectativas, sobretudo em relação à inflação.

Em termos de novos dados econômicos, o foco principal de investidores e analistas de mercado nesta semana é o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15) de dezembro que o IBGE divulga na quinta-feira, 23, praticamente fechando a semana do Natal.

A atenção do mercado financeiro estará concentrada nesse anúncio porque o IPCA-15 é considerado a prévia do IPCA, que mede a inflação oficial no mês cheio, de 1º ao último dia. A inflação preliminar que será conhecida quinta-feira foi medida de 16 de novembro a 15 de dezembro.

Há sinais de desaceleração da inflação, como indicou a prévia do IGP-M divulgada semana passada pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). Como o IGP-M é visto como retrato do comportamento de preços no atacado que chegarão ao varejo, ainda que parcialmente, o mercado financeiro redobrou a atenção com o IPCA-15.

Inflação e juros para 2022

O motivo é que, embora tenha antecipado novo aumento de 1,50 ponto porcentual na taxa Selic para a primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de 2022, em fevereiro, o Banco Central deixou claro que acompanhará o cenário de preços até lá para tomar a decisão final.

Por enquanto, a expectativa de analistas e economistas do mercado financeiro é que a Selic chegue ao fim do atual ciclo de elevação, previsto em março, no intervalo entre 11,50% e 11,75% ao ano. Em relação ao juro básico atual de 9,25%, isso daria um aumento entre 2,25 e 2,50 pontos porcentual distribuídos nas próximas duas reuniões.

A tendência, segundo especialistas, é que o Banco Central acompanhe com lupa a evolução de preços para dosar a calibragem da Selic, de modo a não deprimir ainda mais o ritmo da economia. A atividade já anda em marcha lenta e pode permanecer estagnada no próximo ano, de acordo com as estimativas de uma ala de economistas e consultores.

Lá fora

Nova York: Biden e ômicron

Nesta segunda-feira, os futuros das bolsas americanas recuam forte, os títulos do Tesouro de 10 anos caem para 1,36% e o preço do barril do petróleo recua cerca de 5%, aos US$ 70.

Os investidores avaliam os últimos comentários do senador Joe Manchin, que deixou os democratas com poucas opções para reavivar a agenda de Biden depois de rejeitar o pacote de impostos e despesas de cerca de US$ 2 trilhões.

As ações globais recuaram na semana anterior, em parte devido à perspectiva de redução do estímulo do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), à medida que as autoridades se voltam para o combate à inflação.

Em relação à ômicron, os casos começaram a aumentar no país, com o estado de Nova York e o distrito de Columbia publicando casos diários recordes por dias consecutivos. Por lá, os bloqueios não devem ser necessários por enquanto, mas, os hospitais podem estar sob pressão, disse o conselheiro médico de Biden, Anthony Fauci.Bolsas americanas/índices futuros

Bolsas americanas/índices futuros

  • S&P 500: - 1,36%
  • Dow Jones: - 1,20%
  • Nasdaq 100: - 1,54% (dados atualizados às 7h50)

Europa: novos lockdowns

No front do vírus, a principal preocupação dos mercados é que a propagação da ômicron imponha restrições de tal ordem nos países que coloquem em xeque a retomada da atividade econômica global.

O aumento de casos da variante ômicron levou a Holanda a iniciar um novo lockdown no dia anterior para tentar conter a propagação da bova cepa. A decisão acompanha as medidas e restrições adotadas por outros países europeus diante do aumento de casos de contaminação pela nova variante.

O secretário de saúde do Reino Unido, Sajid Javid, se recusou a descartar restrições mais fortes antes do Natal.

Na Alemanha, a partir desta segunda-feira, apenas cidadãos alemães, residentes e passageiros em trânsito terão permissão para entrar no país vindos do Reino Unido. Todos os viajantes que chegarem ficarão em quarentena por 14 dias, independente do status de vacinação.

Restrições de viagens também foram impostas para chegadas na Dinamarca, Noruega e França. A Áustria permitirá a entrada de viajantes vacinados a partir de hoje.

Ásia: bolsas fecham em queda

As bolsas asiáticas fecharam em baixa nesta segunda-feira, à medida que investidores retiram posição na renda variável por conta de riscos associadas à variante ômicron.

Ações de companhias do setor automotivo janonês, como Yamaha (-5,73%) e Mazda (-4,88%), e do setor bancário, como Shinsei Bank (-8,36%) e Nomura Holdings (-5,06%), estiveram entre as principais baixas.

"A Ômicron ameaça ser o 'Grinch' que vai roubar este Natal", disse o analista Vishnu Varathan, do Mizuho Bank, em relatório. O mercado "prefere segurança a surpresas desagradáveis", explica, ao destacar incertezas por conta da cepa do coronavírus.

Durante o fim de semana, diversos países do mundo adotaram novas medidas para tentar conter a disseminação da variante. Na Ásia, a China iniciou uma campanha para acelerar a aplicação de terceira dose das vacinas contra a covid-19.

Outra preocupação está na perspectiva de que as condições financeiras serão menos acomodatícias em 2022, após bancos centrais de EUA, zona do euro, Reino Unido e Japão adotarem medidas que reduzem de alguma forma a acomodação provida pela política monetária durante a crise.

O Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês), porém, foi na direção contrária ao cortar a sua taxa de juros de referência (conhecida como LPR) para empréstimos de um ano, de 3,85% para 3,80%, a primeira mudança do instrumento em 20 meses.

"O corte irá alimentar imediatamente os empréstimos comerciais de taxa flutuante pendentes e também deve levar a empréstimos mais baratos para novos tomadores de empréstimos de taxa fixa", prevê a Capital Economics. / com Júlia Zillig e Agência Estado

Principais bolsas asiáticas/fechamento

  • Nikkei: - 2,13% (27.937 pontos)
  • Xangai Composto: - 1,07% (3.593 pontos)
  • Shenzen Composto: - 1,77% (2.478 pontos)
  • Taiex: - 0,81% (17.669 pontos)
  • S&P/ASX 200: - 0,16% (7,292 pontos)
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