Economia

IPCA-15 sobe 1,17% em novembro e atinge maior variação para o mês desde 2002, aponta IBGE

Maior impacto individual no indicador veio da alta dos preços da gasolina

Data de publicação:25/11/2021 às 12:37 - Atualizado 13 dias atrás
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Considerado uma prévia da inflação mensal, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 1,17%, 0,03 ponto porcentual abaixo da taxa registrada em outubro. Os dados foram publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 25.

Essa foi a maior variação para um mês de novembro desde 2002, quando o índice atingiu 2,08%. Em 12 meses, o indicador acumula alta de 10,73% e no ano, de 9.57%. A prévia mensal veio ligeiramente acima da mediana das estimativas dos analistas, que eram de 1,13%.

Foto: Fotos Públicas
Forte contribuição da gasolina é destaque no indicador de novembro, segundo IBGE - Foto: Fotos Públicas

Segundo o IBGE, os nove grupos de produtos e serviços pesquisados apontaram alta no período. A maior variação (2,89%) e o maior impacto (0,61 p.p.) vieram de Transportes. Em seguida, os impactos mais relevantes foram de Habitação (1,06%) e Saúde e cuidados pessoais (0,80%), com reflexos de 0,17 p.p. e 0,10 p.p., respectivamente.

O grupo Vestuário (1,59%) obteve a segunda maior variação no mês e o grupo Alimentação e bebidas (0,40%) desacelerou em relação a outubro (1,38%). Os demais grupos ficaram entre o 0,01% de Educação e o 1,53% de Artigos de residência.

Transportes

O resultado dos Transportes (2,89%) foi influenciado, principalmente, pela alta nos preços da gasolina (6,62%), o maior impacto individual no índice do mês (0,40 p.p.). No ano, o combustível acumula alta de 44,83% e, em 12 meses, de 48,00%.

Também houve altas nos preços do óleo diesel (8,23%), do etanol (7,08%) e do gás veicular (2,59%).

Habitação

No grupo Habitação, a maior contribuição foi do gás de botijão (4,34%), cujos preços subiram pelo 18° mês consecutivo, acumulando 51,05% de alta no período iniciado em junho de 2020.

energia elétrica (0,93%) teve variação menor que a de outubro (3,91%) e contribuiu com 0,05 p.p. no índice do mês. Desde setembro, está em vigor a bandeira tarifária Escassez Hídrica, que acrescenta R$ 14,20 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos.

Saúde e vestuário

O resultado do grupo Saúde e cuidados pessoais (0,80%) foi influenciado pelas altas dos itens higiene pessoal (1,65%) e produtos farmacêuticos (1,13%). Em outubro, a variação do primeiro havia sido negativa (-0,26%) e a do segundo próxima à estabilidade (0,02%).

Em Vestuário (1,59%), houve altas em todos os itens pesquisados, com destaque para as roupas femininas (2,05%), masculinas (1,88%), e infantis (1,30%), além dos calçados e acessórios (1,28%). No ano, o grupo acumula variação de 8,64%, enquanto, no mesmo período de 2020 (de janeiro a novembro), o acumulado foi de -1,31%.

Alimentação e bebidas

A desaceleração do grupo Alimentação e bebidas (de 1,38% em outubro para 0,40% em novembro) deve-se às altas menos intensas em alguns subitens, como o tomate (14,02%), o frango em pedaços (3,07%) e o queijo (2,88%). Houve ainda quedas nas carnes (-1,15%), no leite longa vida (-3,97%) e nas frutas (-1,92%).

Na alimentação fora do domicílio (0,15%), destacam-se a aceleração da refeição (de 0,52% em outubro para 0,88% em novembro) e o recuo nos preços do lanche (-1,08%).

Alta em todas as regiões

De acordo com o instituto, todas as áreas pesquisadas apresentaram alta em novembro. A maior variação foi a de Goiânia (1,86%) e o menor resultado ocorreu na região metropolitana de Belém (0,76%).

O que pensa o mercado

Para o economista-chefe da Necton, André Perfeito, apesar da alta no indicador de novembro, não há grandes novidades para o mercado.

“Em termos agregados, sabemos bem que a inflação segue persistente. Gasolina e gás de cozinha continuam tirando o sono do brasileiro”, avalia Perfeito.

Na Ativa Investimentos, a percepção é de que os núcleos seguiram avançando, mas com dinâmica marginalmente melhor. “Ainda assim não há nada que possamos afirmar quanto ao ponto de virar para uma desinflação”, analista Étore Sanchez, economista-chefe da casa de análises.

Em termos de política monetária, Sanchez ressalta que a divulgação do indicador não trouxe grandes contribuições. “Seguimos projetando que o BC elevará a Selic em 2 pontos porcentuais”, projetou o economista da Ativa.

Tatiana Nogueira, economista da XP, destaca que a inflação de serviços surpreenderam negativamente, enquanto os preços industriais avançaram mais do que esperado. "Os desvios concentraram-se na alimentação fora do domicílio e nos cuidados pessoais, itens geralmente voláteis", destaca.

"Os itens que repetem a variação da prévia para o IPCA não surpreenderam, com pouca variação em nossa projeção para o IPCA de novembro, em 1,03%. Por enquanto, mantemos estimativa do IPCA em 10,1% em 2021", projeta a economista.

Perfeito acredita que um dia sem Nova York para guiar os investidores – por lá os mercados seguem fechados por conta do feriado do Dia de Ação de Graças – o indicador pode ter impacto no mercado, porém limitado, por não trazer nenhuma novidade.

Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.
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