Mercado Financeiro

O mercado financeiro, ao iniciar a jornada de negócios desta quarta-feira, 6, já terá conhecimento do IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) de setembro, que a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulga logo cedinho, às 8h da manhã.

A expectativa em torno desse índice, que sofre forte influência da variação de preços no atacado, aumentou depois que outro indicador que segue os mesmos critérios de cálculo, o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) de setembro, também medido pela FGV, apontou variação negativa de preços ou deflação de 0,64%, mês passado.

Foto: Envato inflação de 2021
Expectativa é de que queda apontada no IGP-M de setembro apareça também no IGP-DI, que reflete preços no atacado - Foto: Envato

Nem toda a variação de preços no atacado, como a dos IGPs, chega ao que o consumidor paga no varejo. Ainda assim, a variação negativa do IGP-M animou os especialistas e, mesmo com as seguidas altas do dólar, a expectativa é que essa desaceleração se reflita também no IGP-DI e daí chegue, ainda que parcialmente, aos índices ao consumidor, como o IPCA.

Outro dado que o mercado financeiro acompanha nesta quarta-feira é o referente às vendas no varejo em agosto, que o IBGE divulga às 9h. São números que o mercado associa à expectativa de inflação, porque maior ou menor disposição de consumo, sobretudo no varejo, é um dos fatores que influenciam a trajetória inflacionária.

Bolsa está andando de lado

São dados que atraem o interesse do mercado, mas sem impacto suficiente para alterar o humor dos investidores. O mercado financeiro, segundo analistas, tende a continuar na mesmice, com a bolsa de valores andando de lado, como define o jargão de mercado, e o dólar mais inclinado a seguir o ritmo cadenciado de valorização. A menos que alguma expectativa ou fato novo, no cenário externo ou doméstico, leve a uma reviravolta nos mercados.

A Bolsa de Valores de São Paulo passou a impressão na véspera de que compensaria parte da forte perda de 2,22% da segunda-feira, 4. Chegou a subir 1,18% durante o dia, mas perdeu sustentação na hora final do pregão, destoando do bom desempenho das bolsas internacionais, e encerrou o dia quase no zero a zero, com alta residual de 0,06%, com o Ibovespa acomodado em 110.457,64 pontos.

O dólar avançou mais 0,71%, para R$ 5,49 na venda, e atingiu a maior cotação de fechamento desde 23 de abril, quando foi cotado por R$ 5,50.

Cenário doméstico

O mercado financeiro permanece atento ao cenário doméstico, principalmente aos trabalhos no Congresso e aos desdobramentos do episódio de contas offshore em paraíso fiscal que envolve o ministro Paulo Guedes, da Economia, e Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central.

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou ontem convite para que ambos prestem informações sobre as offshores que têm no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe.

Na véspera, os advogados de Guedes informaram que irão protocolar uma petição à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) com esclarecimentos sobre a existência de uma offshore milionária em seu nome. A defesa afirma que o ministro “jamais atuou ou se posicionou de forma a colidir interesses públicos com privados”.

A defesa do ministro, porém, afirma que os documentos que serão protocolados "deixam claro que o ministro, desde dezembro de 2018, se afastou da sua gestão, não tendo qualquer participação ou interferência nas decisões de investimento da companhia". Os advogados afirmam que também comprovarão a inexistência de qualquer remessa ou retirada de valores desde que o ministro assumiu o cargo, em 1º de janeiro de 2019.

Auxílio Brasil

Um dos assuntos que integra a pauta de acompanhamento interno dos investidores, o programa social do governo Auxílio Brasil, ganhou novos capítulos.

Na véspera, o presidente Jair Bolsonaro sancionou com vetos o projeto de lei que autoriza o governo federal a usar a reforma do Imposto de Renda como fonte de recursos para compensar a criação do Auxílio Brasil, programa desenhado para substituir o Bolsa Família.

A lei faz alterações na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2021 (LDO 2021), com o objetivo de viabilizar o Auxílio Brasil. Os ajustes valerão apenas para este exercício fiscal.

A medida autoriza o uso de propostas legislativas em tramitação como fonte de compensação para criação ou aumento de despesa obrigatória para programas de transferência de renda.

A intenção do governo é usar a arrecadação oriunda das mudanças no Imposto de Renda para bancar o Auxílio Brasil. A reforma no IR já foi aprovada pela Câmara dos Deputados, mas sofre resistência no Senado.

Outra movimentação voltada para o tema foi o envio de um projeto de lei ao Congresso, por parte de Bolsonaro, que que altera o Plano Plurianual (PPA) para o período de 2020 a 2023 e inclui na legislação o Auxílio Brasil.

Apresentado em 30 de agosto de 2019, o Plano Plurianual estabelece as diretrizes para gastos e investimentos considerados estratégicos nos próximos quatro anos. A prioridade do PPA 2020-2023 é a "primeira infância". Como o Bolsa Família já é um programa do PPA, a mudança atualizaria o projeto para abarcar o novo formato e o novo nome.

Lei da Improbidade Administrativa

A Câmara aprovou, na noite anterior, o texto-base do projeto que altera a Lei da Improbidade Administrativa. Quinze anos após o STF vedar a prática do nepotismo, o texto abre brecha para políticos contratarem seus próprios parentes para cargos públicos.

De acordo com o texto, um prefeito que nomear a própria mulher para trabalhar em um cargo de natureza política na prefeitura só será punido caso seja comprovado "dolo com finalidade ilícita", ou seja, se for provado que a contratação teve como finalidade cometer irregularidades. Deputados analisam agora os destaques ao texto.

Seis partidos foram contra a rejeição da emenda do Senado, que deixam claro a prática de nepotismo como improbidade administrativa - PSL, PSB, PDT, PSOL, Novo e Rede.

Marco Legal das Ferrovias

Outra votação realizada na noite anterior, desta vez no Senado, foi a aprovação, em votação simbólica, o projeto que cria o novo Marco Legal das Ferrovias para o Brasil.

O principal avanço do texto é liberar um novo regime ferroviário no País, chamado de autorização. Nele, novos traçados são construídos exclusivamente pelo interesse da iniciativa privada, sem licitação.

Muito comum em países como Estados Unidos e Canadá, o modelo nasce para atender demandas específicas de transporte de cargas, identificadas pelos próprios produtores e empresas.

Com fardo regulatório mais leve, esse regime é baseado nos princípios da livre concorrência e da liberdade de preços - ou seja, sem intervenção do poder público na definição das tarifas de transporte.

No exterior

No cenário internacional, a quarta-feira inicia com perdas para os mercados globais. Os futuros de ações dos Estados Unidos caem à medida que os rendimentos dos Treasuries aumentam, pelo terceiro dia consecutivo, em meio a uma elevação nos custos de energia, o que está alimentando uma nova onda de pressões inflacionárias.

A atividade do setor de serviços americano tem mostrado uma recuperação mais rápida do que o esperado e as pressões de preço dos custos crescentes de petróleo e gás natural estão contribuindo para uma redução de compras de títulos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Os investidores aguardam também os dados do payroll na sexta-feira, 8, para obterem mais pistas sobre as perspectivas da política da autoridade monetária.

A volatilidade aumentou nos mercados à medida que os investidores se preparam para uma recuperação mais lenta, mas ainda robusta, e um aperto gradual da política monetária para conter o custo de vida.

O impasse político dos EUA sobre o teto da dívida do país e a agenda econômica do presidente Joe Biden estão contribuindo para as incertezas.

Enquanto isso, o petróleo bruto se estabilizou perto de sua maior alta em sete anos e o bitcoin subiu além da marca de US$ 51 mil.

Do outro lado do mundo, as bolsas asiáticas fecharam em baixa. O índice japonês Nikkei caiu 1,05% em Tóquio, aos 27.528,87 pontos, enquanto o Hang Seng recuou 0,57% em Hong Kong, aos 23.966,49 pontos.

O sul-coreano Kospi cedeu 1,82% em Seul, aos 2.908,31 pontos, seu menor nível em nove meses, e o Taiex registrou perda de 0,41% em Taiwan, aos 16.393,16 pontos. Na China, as bolsas continuam sem operar em razão do feriado da Semana Dourada.

A crise de liquidez da Evergrande, a gigante do setor imobiliário chinês, continua no radar, mas os negócios com suas ações em Hong Kong estão suspensos desde o começo da semana, diante da possibilidade de que uma subsidiária da empresa seja adquirida.

A bolsa australiana, a principal da Oceania, também ficou no vermelho hoje. O S&P/ASX 200 caiu 0,58% em Sydney, aos 7.206,50 pontos, pressionado pelo setor financeiro.

No mesmo continente, o BC da Nova Zelândia elevou sua taxa básica de juros, da mínima histórica de 0,25% para 0,50%, juntando-se à Coreia do Sul e à Noruega no aperto da política monetária. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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