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Mercado Financeiro

Mercado deve permanecer atento à crise política entre Rússia e Ucrânia e às decisões do Fed nesta terça-feira

Invasão na Ucrânia tende a elevar as tensões entre EUA e Rússia

Data de publicação:25/01/2022 às 00:30 -
Atualizado 4 meses atrás
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Embora tenha caído mais durante o pregão e encerrado o primeiro dia da semana com sinais de alguma recuperação, a Bolsa (B3) fechou o pregão da véspera com desvalorização de 0,92%. Mas o mercado financeiro não está dando sinais de que deve baixar a guarda nesta terça-feira, 25. As bolsas asiáticas fecharam em baixa expressiva, mesmo caminho seguido pelos futuros em Wall Street.

A atenção dos investidores segue voltada para o aperto monetário que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve significar "o princípio do fim" para a os estímulos injetados na economia. As decisões sobre a política monetária dos Estados Unidos devem ser conhecidas nesta quarta-feira, 26.

mercado
Bolsa deve seguir a toada do mercado internacional com Fed e crise geopolítica nesta terça-feira, 25 - Foto: Divulgação

Além desse tema, segue na pauta o risco político gerado pela crise militar entre Rússia e Ucrânia. Uma invasão da Ucrânia pela Rússia tenderia a elevar a tensão nas relações entre EUA e a ex-URSS e causaria desarranjo no mercado de energia.

A Rússia é grande produtora de gás, que é escoado para a Europa por meio de gasodutos que atravessam a Ucrânia. Uma crise de desabastecimento tenderia a aumentar a procura pelo petróleo, com aumento de pressão sobre os preços do barril, já em contínua alta.

Uma escalada na cotação do petróleo pode jogar mais lenha no processo inflacionário global, reacendendo as expectativas sobre uma possível elevação dos juros em uma economia que enfrenta um cenário de incertezas com a disseminação da pandemia causada pela variante ômicron.

Mercado espera sinais do Fed na quarta-feira

Inflação e juros nos Estados Unidos também devem ganhar mais destaque no radar do mercado financeiro, que passou por um processo de forte aversão a risco neste início de semana. Os mercados tiveram momentos de negócio pesado, em meio ao ambiente de risco geopolítico e expectativas com as decisões do Fed na quarta-feira, avalia Gustavo Bertotti, head de Renda Variável da Messem Investimentos.

A expectativa de especialistas é que o Fed anuncie medidas mais duras de política monetária, para conter a inflação, como a aceleração do processo de retirada de estímulos monetários, o tapering, para março. Mês que poderia ocorrer também a primeira rodada de aumento de juros, que se estenderia ao longo de 2022, com maior número de elevações. Algumas previsões apontam para até cinco aumentos neste ano.

"Bolha" deve diminuir de tamanho no mercado acionário americano

O clima de forte expectativa com as decisões do Fed manteve deprimidas as bolsas americanas na véspera, que tiveram súbita reação nos momentos finais do pregão, após permanecer a maior parte do dia em baixa.

O índice Dow Jones valorizou-se 0,29%, para 34.364 pontos; o S&P 500 avançou 0,28%, para 4.410 pontos, e o índice Nasdaq, da bolsa eletrônica, subiu 0,63%, para 13.855 pontos. A recuperação das bolsas americanas contribuiu também para uma redução da queda do mercado doméstico.

Para os especialistas, não resta outra alternativa à entidade monetária americana que não seja sinalizar que a "bolha" começa agora a diminuir de tamanho, como reflexo da maior inflação registrada nas últimas décadas nos EUA.

Um aperto de política monetária americana, principalmente um ciclo de elevação dos juros, desencorajaria o investimento em ações não apenas nos Estados Unidos como também em mercados de outros países. Especialmente em um cenário de risco geopolítico crescente em que os investidores, movidos pelo aumento de aversão ao risco, procurariam proteção em ativos seguros, como os títulos do Tesouro americano.

Em paralelo, a temporada de balanços corporativos segue em andamento. Após dados dos gigantes bancários que decepcionaram o mercado, novos números devem ser apresentados por empresas como 3M, Johnson & Johnson e Microsoft, primeira big tech a divulgar seus lucros.

Futuros/bolsas americanas

  • S&P 500: - 0,91%
  • Dow Jones: - 0,46%
  • Nasdaq 100: - 1,56% (dados atualizados às 8h08)

Cenário interno: risco fiscal e institucional no "fim da festa"

De acordo com Filipe Teixeira, sócio da Wisir Research, em seu morning call, a "esculhambação fiscal", confirmada pelo Orçamento 2022, com cortes em setores importantes como Educação, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente e Saúde, contrasta com o fundo eleitoral recorde e o "prosseguimento das farras das emendas parlamentares".

"O Executivo parece ter mesmo lavado às mãos, entregando a chave do galinheiro às raposas de forma definitiva", afirma Teixeira.

O clima de fim de festa para o governo Bolsonaro, desidratado semanalmente pelas pesquisas eleitorais, também indica a sensação de risco institucional crescente, com a falta de líderes congressistas capazes de reestabelecer a confiança e a credibilidade da Casa.

"A impressão que fica é que, já em janeiro não há agenda nacional. Todo o 'esforço' deve ser direcionado para o troca-troca partidário e suas respectivas campanhas eleitorais", enfatiza.

Outro ponto destacado pelo sócio da Wisir são as intervenções do Poder Judiciário, que parecem interpretar a Constituição a cada dois anos, "o que se reflete em nossa insegurança fiscal ao redor do mundo".

Enquanto isso, os números de casos de covid-19 voltaram a explodir no País. Somente em São Paulo, o número de pacientes internados na UTI da rede municipal aumentou quase 600% em um mês, segundo o boletim epidemiológico da capital - 363 ante 52 no mês passado.

Combustíveis na mira dos investidores

Um dos grandes pontos de atenção do mercado internamente é a questão dos combustíveis. Passado os primeiros dias após o lançamento do balão de ensaio sobre uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) sobre os combustíveis, as discussões internas no governo apontam para outros estudos que tragam maior eficiência e com efeitos de mais longo prazo, segundo Rafael Furlanetti, sócio diretor institucional da XP.

"Apesar de as primeiras reações no meio político terem sido simpáticas à tese de desobrigar a compensação pela redução de tributos sobre combustíveis, no próprio Palácio do Planalto a ordem é aprofundar a análise de alternativas com maior efetividade", reforça.

Uma reunião com a cúpula do governo está prevista para ocorrer nesta quinta-feira para buscar um posicionamento sobre o tema junto ao Congresso, que retoma suas atividades na próxima semana.

Europa: bolsas em alta

Diferentemente dos futuros americanos e das principais praças asiáticas, as bolsas na zona do euro operam no positivo.

Durante a manhã, o instituto alemão Ifo divulgou que o índice de sentimento das empresas da Alemanha subiu de 94,8 pontos em dezembro para 95,7 pontos em janeiro, após recuar por seis meses consecutivos

O resultado deste mês superou a expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam o indicador a 94,7 pontos.

Bolsas europeias/principais praças

  • Stoxx 600 (Europa): + 0,72%
  • FTSE 100 (Londres): + 0,79%
  • DAX (Frankfurt): + 0,69%
  • CAC 40 (Paris): + 0,87% (dados atualizados às 8h04)

Bolsas asiáticas fecham em queda com EUA

As bolsas asiáticas fecharam em forte baixa nesta terça-feira, seguindo o pregão volátil da véspera em Wall Street. / com Júlia Zillig e Agência Estado

Fechamento/principais índices asiáticos

  • NIkkei (Tóquio): - 1,66% (27.131 pontos)
  • Hang Seng (Hong Kong): - 1,67% (24.243 pontos)
  • Kospi (Seul): - 2.56% (2.720 pontos)
  • Xangai Composto (China continental): - 2,58% (3.433 pontos)
  • Shenzhen Composto (China continental): - 3,31% (2.313 pontos)
  • S&P/ASX 200 (Sydnei): - 2,49% (6.961 pontos)
Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.