Mercado Financeiro

O mercado de ações, embora animado com a perspectiva de retomada da economia, se move basicamente com expectativas, por enquanto, já que não conta com fato novo nesta quinta-feira, 24, capaz de puxar o Índice Bovespa (Ibovespa) para patamares mais altos, acima de 130 mil pontos.

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Investidores estão de olho em novos fatos para direcionar suas estratégias - Foto: Arquivo

Investidores estão mais confiantes com a capacidade do governo de honrar os compromissos com os títulos que emite para financiar a dívida pública, que estaria mais controlada.

Enquanto isso, o mercado de ações continua reagindo a fatos pontuais do dia a dia, ao comportamento de empresas de determinados segmentos, tanto positiva como negativamente, ora do setor de varejo, ora do setor de commodities, ora do setor financeiro, e assim por diante. 

O cenário externo, de onde poderia surgir algum fato mais contundente para movimentar o mercado financeiro doméstico, tampouco oferece novidades.

Principalmente nos Estados Unidos, onde o discurso das principais autoridades econômicas e monetárias sobre a inflação e os juros está alinhado na direção de que não haverá mudanças por enquanto nas taxas de juro do país.

Especialistas insistem, contudo, que o investidor deve permanecer mais atento ao comportamento das bolsas americanas e aos juros dos títulos de dez anos do Tesouro americano, os Treasuries, uma referência para as taxas de juro de todos os países.

Dólar abaixo de R$ 5

A animação com a possível chegada de capital estrangeiro, atraído pela alta dos juros referenciados na Selic de 4,25% ao ano, mantém o dólar abaixo de R$ 5, ainda que encostado nesse patamar.

Especialistas dizem que investidores estrangeiros permanecem fora, como mostram dados cambiais que indicam fluxo financeiro negativo, de acordo com Cristiane Quartaroli, economista do Banco Ourinvest.

As condições de atração de capital, para ela, vão além de taxas de juro atraentes, já que os fatores de risco interno, políticos e econômicos, continuam muito grandes.

Os investidores sabem também que, se o fator de atração for o juro externo, o capital estrangeiro que aportar no País tomará o rumo da renda fixa, principalmente os títulos da dívida pública federal.

Além de taxas de juros mais elevadas que a Selic em títulos de vencimentos mais longos, a preocupação com o risco desses papeis ficou menor depois da definição do Orçamento para este ano e do aumento de receitas com arrecadação de impostos.

NY: futuros em alta

No cenário externo, os contratos negociados nas bolsas de Nova York operam em alta com os investidores ainda pesando a perspectiva de recuperação e suporte de política econômica monetária antes de uma série de relatórios econômicos importantes.

Nesta quinta-feira, serão divulgados os relatórios sobre os pedidos de bens duráveis dos Estados Unidos, pedidos iniciais de auxílio desemprego e os estoques no atacado.

No fechamento da véspera, o Dow Jones caiu 0,21%, a 33.874,24 pontos, o S&P 500 recuou 0,11%, a 4.241,84 pontos, e o Nasdaq registrou ganho de 0,13%, a 14.271,73 pontos, renovando a máxima história de fechamento pelo segundo dia consecutivo.

O presidente da distrital de Atlanta do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Raphael Bostic, previu uma elevação da taxa básica de juros no final de 2022 e outras duas em 2023, o que pressionou os mercados.

Na mesma linha, o presidente do Fed de Dallas, Robert Kaplan, planejou um aumento nas taxas no próximo ano, enquanto seu homólogo de Atlanta disse que a autoridade econômica pode decidir desacelerar a compra de ativos nos próximos meses

Sobre inflação, um dia após Powell amenizar a cautela nas mesas de operações, Bostic endossou os argumentos, mas ponderou que a tendência de pressão nos preços deve se estender por um período mais longo do que o previsto inicialmente, possivelmente nove meses.

Enquanto isso, a secretária do Tesouro, Janet Yellen, disse que seu departamento pode esgotar as medidas de emergência para evitar a violação do limite da dívida americana já em agosto, a menos que o Congresso aja para evitar um possível default.

CPI:  convocações e quebra de sigilo

Os investidores acompanham os desenrolar dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado que a cada dia avança novos passos.

Na véspera, o colegiado aprovou várias convocações e pedidos de quebra de sigilo. Entre as convocações estão representantes das plataformas Google, Facebook e Twitter para que essas empresas prestem esclarecimentos sobre a veiculação e exclusão de conteúdos falsos ou desinformativos que circulam por suas redes.

Por trás da iniciativa, que partiu do vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues, está a tentativa de enquadrar o presidente Jair Bolsonaro e os materiais sobre a pandemia do novo coronavírus postados por ele nessas plataformas.

Outra convocação aprovada foi do tenente-coronel Alex Lial Marinho, ex-coordenador-geral de logística de insumos estratégicos do Ministério da Saúde, assim como a quebra de sigilos telefônico, fiscal, bancário e telemático.

Documentos recebidos pela CPI apontam que o ex-coordenador teria “atuado fortemente” pela entrada da vacina indiana Covaxin no Brasil.

O Executivo adquiriu o imunizante por um preço 1.000% maior do que, seis meses antes, era anunciado pela própria fabricante.

Com o mesmo objetivo de apurar as circunstâncias da negociação, a CPI aprovou o convite para que o deputado Luis Miranda, e seu irmão, Luis Ricardo Fernandes Miranda, prestem depoimento à comissão. Luis Ricardo é servidor do Ministério da Saúde. A oitiva acontece na próxima sexta-feira, 25.

A CPI também deu sinal verde para a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de várias empresas ligadas ao empresário Carlos Wizard, suspeito por ser um dos possíveis financiadores do suposto “gabinete paralelo” de assessoramento ao presidente Jair Bolsonaro em assuntos da pandemia.

Os pedidos de quebra de sigilo foram justificados por Renan como "imprescindíveis", devido a apontada participação do empresário no grupo que, contra a indicação do Ministério da Saúde, atuava em favor do tratamento precoce contra covid-19

Bolsas asiáticas fecham mistas

As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam sem direção única nesta quinta-feira, após operarem dentro de uma faixa estreita, seguindo comportamento semelhante ao de Wall Street e adotando tom cauteloso antes de novos dados de inflação dos EUA.

O índice japonês Nikkei ficou estável em Tóquio hoje, em 28.875,23 pontos, e o chinês Xangai Composto também praticamente não se alterou, com alta marginal de 0,01%, aos 3.566,65 pontos.

Em outras partes da Ásia, o Hang Seng subiu 0,23% em Hong Kong, aos 28.882,46 pontos, o sul-coreano Kospi se valorizou 0,30% em Seul, ao nível recorde de 3.286,10 pontos.

O Taiex avançou 0,41% em Taiwan, aos 17.407,96 pontos, mas o Shenzhen Composto - índice chinês de menor abrangência - recuou 0,50%, aos 2.415,36 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana foi para o vermelho na última hora do pregão, embora o governo local tenha decidido contra a imposição de um lockdown para conter a covid-19 em Sydney, cidade mais populosa do país. O S&P/ASX 200 caiu 0,32%, aos 7.275,30 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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