Economia

Na ata do Copom, uma novidade foi destacada por Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, no trecho que revela a preocupação do comitê em relação ao comportamento da inflação, cogitando uma alta acima de 0,75 ponto porcentual já na reunião do dia 17, na semana passada.

O mercado também entendeu que, nesse momento, o Banco Central está mais atento à inflação, que mostra
força sobre preços industriais e de energia, e também à economia, que não foi tão  afetada pela pandemia e por isso retomou rapidamente o caminho da recuperação. Ficou claro ainda outro recado, o de que o BC não vai vacilar em relação à alta dos preços, acelerando e aplicando reajustes mais acentuados nos juros ainda neste ano.

Foto: Envato
Banco Central será menos tolerante com o avanço da inflação - Foto: Envato

“Com a ata sabemos que temos um Copom menos permissivo com a inflação, do que a ideia que tínhamos antes da reunião da semana passada, quando havia dúvidas se o juro seria levado para ponto neutro no fim do ano, em torno de 6,5%, diz o estrategista.

Cruz explica que dado o cenário, a Selic terá mesmo de ir, pelo menos, para 6,5% ao ano para haver um conforto para o alcance da meta no ano que vem. Não apenas isso, mas que os ajustes terão de ser promovidos de forma mais acelerada, já que as
projeções de alta da inflação, tem subido por 11 semanas consecutivas.

Da mesma opinião é a chefe de economia da Rico Investimentos, Rachel Sá, a de que o  Copom usou a ata para ir além, indicando que estará pronto para acelerar ou intensificar a alta de juros ainda neste ciclo, se preciso.

 “A economia está voltando mais rápido, intensificando impactos da alta das commodities, desequilíbrios na cadeia de
produção e da crise hídrica, mesmo diante da apreciação recente do real”, afirma Rachel.

“Isso poderia ocorrer diante da disseminação mais ampla dessa alta de preços – especialmente
conforme o setor de serviços retome a normalidade – e da desancoragem das expectativas para o ano que vem”, diz ela.

Dois principais pontos da ata reforçam esse entendimento: o de que os riscos atuais são mais altos para a inflação subindo além da meta, e o fato de que a economia pode se provar ainda mais resiliente, intensificando esse cenário.

Na análise do time do banco BTG Pactual, as diversas medidas de inflação estão bem acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta, destacando que o crescimento persistente dos preços tem se revelado acima do esperado, principalmente entre os bens industriais.

Riscos aumentam com crise hídrica

“Além disso, o comitê adicionou em seu balanço de riscos a deterioração do cenário hídrico, que contrata bandeira tarifária patamar vermelha 1 no mês de dezembro de cada ano, e a ociosidade da economia indo em direção aos patamares de 2019 de forma mais célere, o que já se reflete no comportamento dos preços do setor de serviços”, reforça o BTG.

De maneira geral, os juros estão voltando a subir no Brasil, mas é importante ressaltar que o objetivo do Banco Central é reduzir os estímulos vigentes hoje na economia, e eventualmente entrar em um território bastante inicial de aperto
monetário, na opinião de Rachel.

“Se o BC for bem-sucedido em sua tarefa de controlar a inflação, especialmente no ano que vem, é um movimento positivo: economia voltando ao normal, crescimento saudável da inflação e do crédito, sem a necessidade de impulsos adicionais”, reforça a chefe de economia da Rico.

De acordo com análise do banco BTG Pactual, o comitê avaliou nessa reunião se seria necessário um ajuste mais tempestivo da Selic, mas não executou por entender que a melhor estratégia seria a manutenção do risco atual de redução de estímulos enquanto observa a evolução do balanço de riscos.

“Este ponto nos faz entender um direcionamento para o lado hawkish, enfatizando sua preocupação com a trajetória altista dos preços e demonstrando a possibilidade de promover ajustes na magniturde suficiente para ancorar as expectativas da
inflação de 2022 no centro da meta”, avalia o time do BTG.

Rachel diz que, diante de tudo isso, o investidor deve esperar a intensificação dos impactos vistos na semana passada, especialmente na renda fixa, “com a redução da inclinação de taxas de curto prazo e menores de longo prazo” e
também no câmbio, reforçando a tendência de apreciação do real.

Nesta quinta-feira o BCB divulgará o Relatório Trimestral de Inflação, que dará mais insumos sobre o cenário do Copom, auxiliando no refinamento das expectativas dos agentes de mercado.

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