Mercado Financeiro

Mercado ao vivo: Bolsa sobe com Vale e exterior mais aliviado em relação à ômicron; dólar cai

Ibovespa segue o otimismo do mercado internacional e caminha para mais um fechamento positivo

Data de publicação:07/12/2021 às 10:54 - Atualizado um mês atrás
Compartilhe:
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter Mais Retorno
  • Telegram Mais Retorno
  • WhatsApp Mais Retorno
  • Email Mais Retorno

Após engatar a terceira alta consecutiva na véspera, a Bolsa abriu o pregão desta terça-feira, 7, na mesma toada otimista, seguindo o apetite por risco no exterior, que respira um pouco mais aliviado com a redução dos temores sobre a nova variante ômicron do coronavírus, que vem apresentando sintomas leves e menos letalidade.

No cenário doméstico, os investidores digerem novos dados de inflação, com o IGP-DI em queda de 0,58% em novembro - número bem abaixo das expectativas dos analistas -, acompanham o primeiro dia da reunião do Copom, que definirá a nova taxa Selic, e estão atentos aos desdobramentos da PEC dos Precatórios, que segue com novos impasses entre a Câmara e o Senado. Às 13h25, o Ibovespa subia 0,70%, aos 107.610. Já o dólar caía 0,89%, cotado a R$ 5,639.

Mercado ao vivo: confira a Bolsa e o dólar nesta terça-feira, 7 de dezembro
Bolsa opera em alta, seguindo o exterior e pode engatar mais um fechamento positivo - Foto: B3/Divulgação

A alta da Bolsa também é influenciada pela valorização das ações da Vale e da Petrobras, influenciadas pelo avanço generalizado do preço das commodities no mercado internacional. Às 14h46, os papéis da mineradora subiam 2,90% e as da petroleira, 1,52%.

Ao longo da manhã, o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de novembro, que apresentou queda de 0,58% em novembro, ante alta de 1,60% em outubro. O recuo foi maior do que o esperado pelos analistas, que apostavam em uma mediana negativa de 0,44%.

O mercado volta as atenções para o indicador, divulgado no primeiro dia de reunião do Comitê de Política Econômica (Copom) – o último encontro do ano – que definirá a nova Selic, taxa básica de juros do País, que atualmente está em 7,75%.

A opinião do mercado é quase unânime de que o Banco Central irá aplicar um ajuste de 1,5 ponto porcentual na Selic, totalizando 9,25%, algo já adiantado inclusive pela própria autoridade monetária. Esse patamar tem sido sinalizado nas últimas três edições do boletim Focus, publicado pelo Banco Central, que traz as projeções dos economistas.

Alguns analistas até ensaiaram revisão nas previsões de Selic nos últimos dias, tanto para cima em razão dos sinais de inflação persistente, quanto para baixo, por causa do PIB fraco no terceiro trimestre, mas as estimativas convergiram para um aumento de 1,50 ponto.

Juros futuros

A?curva de juros opera mista nesta terça-feira, com os curtos em alta e os longos em queda. O impasse da PEC dos Precatórios, no entanto, limita uma melhora mais acentuada.

Por volta das 14h50, a taxa do contrato de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 subia 0,01% a 11,41% ao ano, ante 11,33% na abertura. Já o DI para janeiro de 2025 recuava 0,14%, projetado em 10,81%, ante 10,86%, e o DI para janeiro de 2027 caía 0,18%, estimado em 10,81% ante 10,92% no início dos negócios.

Sobe e desce da Bolsa

Com uma alta generalizada nos preços das commodities no mercado internacional, as ações das empresas do setor sobem no pregão desta terça-feira. Seguindo a Vale, as demais gigantes do setor também apontavam alta: CSN, Usiminas e Gerdau valorizavam2,74%, 2,03% e 2,70%, respectivamente. Além da Petrobras, a PetroRio avançava 2,13%, às 14h55.

Já os grandes bancos embicaram em movimento de queda. No mesmo horário, Itaú ,Santander e Bradesco recuavam 1,29% e 1,75% e 1.04%, nessa ordem.

No varejo, as ações da Via valorizavam 3,74%, às 15h, após a empresa comunicar a aprovação de um programa de recompra de até 18 milhões de ações da companhia, que representam até 1,26% do total. O Magazine Luiza também operava no azul, com avanço acentuado de 4,79%.

No entanto, um dos principais destaques do dia são as ações da Méliuz, que registravam salto de 13,91% no mesmo horário, buscando recuperar as perdas dos últimos pregões, assim como a Via e a Magalu.

Com os temores da nova variante ômicron amenizados, assim como lá fora, as empresas ligadas ao setor de turismo apontam avanços na Bolsa. No mesmo período, a Gol, Azul e CVC subiam 2,84%, 1,05% e 0,87%, nesta sequência.

Entre os destaques das altas do dia, junto com a Méliuz estão os papéis do Banco Inter - que está anunciando o lançamento de três ETFs - da Locaweb e Banco Pan, subindo 10,33%, 5,88% e 5,46%, respectivamente, às 15h10.

No bloco das maiores baixas estão a Multiplan, MRV, Carrefour, Energisa e Localiza, com queda de 2,86%, 3,41%, 1,86%, 1,97% e 2,23%, nesta ordem, às 15h15.

PEC dos Precatórios: impasses

Contando o prazo no relógio para obter a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios ainda neste ano, o governo trabalha para viabilizar o texto.

Senadores pressionam o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, a não fatiar a PEC e forçar uma votação rápida na Câmara, vinculando o espaço fiscal aberto pela medida em 2022. Pacheco se reuniu na noite anterior com o presidente da Câmara, Arthur Lira, e não fechou uma solução para o impasse.

A promulgação é alvo de um imbróglio entre Câmara e Senado e pode alongar a implantação do Auxílio Brasil de R$ 400. A proposta é estratégica para o Executivo por abrir margem para novos gastos em ano eleitoral.

O texto foi alvo de críticas por adiar a partir do próximo ano o pagamento de precatórios, que são dívidas reconhecidas pela Justiça, e por mudar a regra de cálculo do teto de gastos, a principal âncora fiscal do País.

Os senadores promoveram alterações para "amarrar" o espaço fiscal da PEC ao novo programa social e a despesas da Previdência, com o argumento de evitar uma "farra eleitoral" no ano que vem.

Lira, por outro lado, quer adotar uma manobra para fatiar a promulgação e garantir a folga de R$ 106,1 bilhões em 2022 sem a vinculação, deixando as alterações para votação só no ano que vem.

A estratégia dos senadores foi fazer a alteração no mesmo artigo que limitou o pagamento de precatórios, blindando a PEC de ser fatiada.

"Esse fatiamento é uma gambiarra. Queremos impedir o governo de fazer loucuras", disse o senador José Aníbal. "Se o Pacheco descumprir o acordo, ele não preside mais o Senado", afirmou a líder da bancada feminina no Senado, Simone Tebet.

No Congresso, parlamentares discutem a possibilidade de Lira levar a PEC alterada pelo Senado direto para o plenário. Líderes da Câmara, no entanto, não veem clima para isso ocorrer, pois faltaria um acordo com a oposição.

STF: emendas de relator-geral liberadas

Ainda no cenário fiscal, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF) liberou na véspera a execução das emendas de relator-geral do orçamento (RP-9) previstas para o ano de 2021. O dispositivo é a base do esquema do orçamento secreto e consiste na liberação de dinheiro público a deputados e senadores em troca de apoio ao governo de Jair Bolsonaro no Congresso.

A distribuição dos recursos ocorre sem critérios claros, cabendo a um grupo de parlamentares alinhados aos interesses do Palácio do Planalto definir como e onde as verbas federais devem ser aplicadas.

Weber atendeu em caráter provisório ao pedido de Lira e Pacheco para suspender o trecho da decisão que impedia novas indicações neste ano, sob o argumento de que paralisaria setores essenciais da administração pública.

A relatora do caso também solicitou que a ação seja levada ao plenário da corte para que a decisão possa ser analisada pelos demais ministros. No despacho, a ministra também prorrogou por 90 dias o prazo para que o Congresso, a Presidência da República e os Ministério da Casa Civil e da Economia adotem as medidas necessárias para dar "ampla publicidade" às indicações feitas por parlamentares via RP-9.

A Comissão Mista de Orçamento ignorou a decisão da Corte ao rejeitar propostas que dariam mais transparência aos critérios utilizados para distribuir bilhões de reais a um seleto grupo de parlamentares.

Os congressistas também se recusaram a limitar a abrangência das áreas que poderão receber recursos públicos nessa modalidade. Ao contrário: o parecer do relator, deputado Hugo Leal, aumentou o rol de despesas contempladas, estimadas em mais de R$ 16 bilhões.

A aprovação do parecer de Leal pela comissão representa mais um passo do Congresso para manter, em 2022, o mecanismo atual das emendas de relator. A cúpula do Legislativo tenta destravar as verbas suspensas pelo Supremo e concordou em divulgar apenas parte desses repasses, prometendo um novo modelo para o futuro.

Lá fora

No ambiente internacional, o clima é positivo. As bolsas americanas operam em alta, com as preocupações em torno da variante ômicron do coronavírus. No pregão da véspera, setores mais ligados ao quadro pandêmico, como aéreas e petroleiras, tiveram ganhos importantes.

Além disso, os investidores repercutem os dados econômicos divulgados ao longo da manhã pelo Departamento do Comércio dos EUA, que apontaram que o déficit comercial do país caiu 17,6% em outubro ante setembro, a US$ 67,1 bilhões. O resultado veio acima da expectativa dos analistas, que previam um déficit de US$ 66,9 bilhões.

Já o saldo negativo da balança de setembro foi revisado para cima, de US$ 80,9 bilhões para US$ 81,4 bilhões. As exportações do país aumentaram 8,1% na comparação mensal de outubro, a US$ 223,6 bilhões, enquanto as importações avançaram 0,9% no período, a US$ 290,7 bilhões.

Sobre a ômicron, o Goldman Sachs destaca que do "lado mais tranquilizador, a concentração de infecções recentes entre os grupos mais jovens e menos vacinados sugere pelo menos alguma imunidade da vacina contra infecções".

Além disso, segundo o banco, a maioria dos especialistas prevê uma proteção vacinal significativa contra hospitalização, especialmente após reforços, enquanto a gravidade da doença condicionada ao estado de vacinação parece semelhante ao da variante delta ou mais benigna.

A percepção corrobora as falas de Anthony Fauci, o principal assessor da Casa Branca sobre temas relacionados à pandemia, à CNN na véspera. Segundo ele, os sinais até agora são "encorajadores", e a maioria dos casos indica que as pessoas apresentam sintomas leves.

Depois de tombar mais de 20% na última sessão seguindo o anúncio de que deixará Nova York, as ações da Didi subiram quase 10% no dia anterior. As disputas entre EUA e China ganharam mais um contorno, com a confirmação oficial do boicote diplomático de Washington à Olimpíada de inverno de Pequim em 2022 por alegações de violações de direitos humanos.

Na Europa, o Stoxx 600 opera em alta com a divulgação de números sobre a economia da zona do euro. O Produto Interno Bruto (PIB) da região cresceu 2,2% de julho a setembro em comparação com os três meses imediatamente anteriores, segundo dados divulgados pela Eurostat, agência de estatísticas da União Europeia.

O resultado confirmou a segunda estimativa do indicador divulgada em 16 de novembro e aponta que a economia europeia se expandiu em um ritmo forte no terceiro trimestre, recuperando quase a totalidade da perda registrada durante a recessão por conta da pandemia.

No continente asiático, as bolsas fecharam majoritariamente em alta nesta terça-feira, após o Banco Central da Chinha (PBoC) cortar a taxa de compulsório para injetar liquidez na segunda maior economia do mundo.

Dados chineses positivos também ajudaram a empurrar para o segundo plano as preocupações sobre a ômicron e o mercado imobiliário do país asiático.

Também no radar dos negócios, as exportações na China cresceram 22% em novembro ante igual mês de 2020, segundo informou hoje a Administração Geral das Alfândegas do país asiático. O resultado superou as expectativas dos analistas consultados, que projetavam avanço de 16,1%. As importações subiram 31,7% na mesma base comparativa. / com Tom Morooka e Agência Estado

Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.