Mercado Financeiro

O mercado financeiro terá uma agenda carregada de eventos domésticos e internacionais ao longo desta semana. A expectativa dos investidores estará focada, principalmente, nas decisões de política monetária, na quarta-feira, 22.

No Brasil será definida a nova Selic e nos Estados Unidos, os juros de curto prazo - a chamada Super Quarta. E a inflação (IPCA-15) na sexta-feira, 24.

Foto: arquivo
Na quarta-feira será conhecida a nova Selic na reunião do Copom

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, inicia a reunião de dois dias nesta terça-feira, 21, para deliberar sobre o rumo da taxa básica de juros, e divulga a nova Selic no fim do encontro, na quarta-feira, após o fechamento dos mercados. A aposta da maioria dos analistas indica uma elevação de um ponto porcentual na Selic, para 6,25% ao ano.

Antes de conhecer o resultado do Copom, o mercado financeiro já estará sabendo, com divulgação às 15h (horário de Brasília), da decisão do Federal Reserve (Fed, banco central americano) sobre os juros americanos. A previsão de analistas é que as taxas de juro de curto prazo, equivalentes à Selic, sejam mantidas entre zero e 0,20% ao ano nos EUA.

Diante dessa possível falta de novidades sobre os juros, a atenção de investidores e gestores de mercado se volta a eventuais sinais sobre redução do ritmo de recompra de títulos pela autoridade monetária, operação que coloca no sistema financeiro americano US$ 120 bilhões por mês. Uma pista que poderia vir no comunicado do Fed, após o anúncio da decisão sobre os juros, ou no pronunciamento do presidente do banco central americano, Jerome Powell.

IPCA-15 e IOF

A agenda econômica da semana destaca ainda a divulgação na sexta-feira, 24, do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de setembro, que de acordo com especialistas em acompanhamento de preços poderá ficar acima da linha de 1%.

No âmbito da rotina diária de negócios, o mercado financeiro começa a nova semana nesta-segunda-feira, 20, ainda sob o impacto do aumento da alíquota de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que provocou forte repercussão negativa na sexta-feira. As novas alíquotas entram em vigor nesta segunda-feira e terão validade até o fim de dezembro.

Na sexta-feira, como resposta às mudanças no IOF, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, recuou 2,07%, colecionando a quarta queda consecutiva, e o dólar avançou 0,33%, para R$ 5,28.

Os investidores estarão acompanhando ainda as idas e vindas dos preços do minério de ferro no mercado internacional, ligadas em geral às decisões do governo da China, que tem impactado sistematicamente as ações de siderúrgicas na B3, principalmente da Vale.

Bolsonaro na ONU

Os investidores acompanham a movimentação sobre a viagem do presidente Jair Bolsonaro à Nova York. O chefe do Executivo embarcou na véspera e participará da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Ele permanecerá nos Estados Unidos de 19 a 22 de setembro.

Ao chegar no hotel Intercontinental Barclay, em Nova York, Bolsonaro entrou pela porta dos fundos. Alguns poucos manifestantes contra o governo aguardavam o presidente com faixas. Não havia apoiadores do presidente no local.

A outros hóspedes que entravam no hotel, o pequeno grupo de manifestantes gritava em português e inglês "Bolsonaro genocida" e "criminoso".

O presidente fará o discurso de abertura da Assembleia-Geral da ONU na terça-feira, 21. Nesta segunda, 20, ele se reúne com o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson.

Bolsonaro antecipou, na quinta-feira, 16, que deve defender a tese do marco temporal das terras indígenas em seu pronunciamento nos EUA.

Em uma transmissão nas redes sociais, o presidente defendeu que um eventual veto do Supremo Tribunal Federal (STF) ao marco temporal "é um perigo para a segurança alimentar do Brasil e do mundo". Tradicionalmente, o chefe de Estado do Brasil faz o discurso de abertura na Assembleia-Geral.

A ida de Bolsonaro a Nova York e sua participação presencial na Assembleia-Geral entrou em pauta durante a semana passada, após uma polêmica envolvendo a obrigatoriedade da vacinação contra a covid-19 para participação no evento, uma vez que a cidade sede da ONU passou a exigir o comprovante de vacinação para uma série de atividades, como circulação em ambientes fechados.

Na quinta-feira, 16, no entanto, a própria organização confirmou que não exigirá comprovante de vacinação contra a covid-19 das autoridades que estarão presentes no evento. 

Covid-19: Prevent Senior

Uma ex-funcionária da rede Prevent Senior ouvida pela Polícia Civil de São Paulo disse que a estratégia da operadora de saúde ao conduzir um estudo com hidroxicloroquina em pacientes com covid-19 tinha como objetivo reduzir custos com internações e, ao mesmo tempo, dar "visibilidade" à empresa como referência no tratamento do vírus.

O depoimento da testemunha, que não teve a identidade revelada por motivos de segurança, faz parte do inquérito aberto para investigar as mortes ocorridas em hospitais do plano de saúde.

No depoimento, a ex-funcionária listou uma cadeia de comando com 11 médicos da direção da empresa que seriam responsáveis por pressionar toda a equipe médica da rede a adotar o tratamento precoce com o chamado "kit covid", composto por hidroxicloroquina e azitromicina, fármacos sem eficácia comprovada contra o novo coronavírus.

A orientação, disse ela aos policiais, era enviar o medicamento para a casa dos pacientes com sintomas, mesmo antes de qualquer teste diagnosticar a doença.

"Tais medidas de combate à pandemia visaram apenas a redução de custos com a internação de pacientes, uma vez que o hospital é do próprio convênio e internações geram custos", diz o relato da testemunha. Segundo ela, a prática era recorrente nas unidades da rede.

A Prevent Senior passou a ser alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid depois de um grupo de 15 médicos, todos ex-funcionários da rede, enviar um dossiê aos senadores afirmando que pacientes receberam tratamento com cloroquina sem serem informados, o que é ilegal.

Em entrevista à GloboNews, profissionais afirmaram ainda que a operadora de saúde omitiu mortes pela doença no estudo em que pretendia comprovar a eficácia do kit covid. Segundo eles, nove pacientes vieram a óbito, mas o estudo relata apenas dois casos.

Essa pesquisa foi citada pelo presidente Jair Bolsonaro, defensor do tratamento, como indício de que as drogas funcionavam em casos de covid. Enquanto isso, o presidente desestimulava outras medidas para combater a disseminação do vírus, como uso de máscaras, isolamento social e a vacinação.

As mortes de pacientes tratados com hidroxicloroquina na Prevent Senior já vinham sendo investigadas por autoridades de São Paulo desde antes da instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, após reportagens sobre o tema serem veiculadas pela GloboNews, em abril deste ano. Uma dessas frentes é na Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) da capital.

A rede privada informou, por nota, que "vai pedir investigações ao Ministério Público que apurem as denúncias infundadas e anônimas levadas à CPI por um suposto grupo de médicos". Disse ainda que uma advogada teria proposto um "acordo" para evitar a divulgação das informações. "Devido à estranheza da abordagem, a Prevent Senior tomará todas as medidas judiciais cabíveis."

NY: futuros em queda

Nos Estados Unidos, os futuros negociados nas bolsas de Nova York operam em baixa com os investidores apreensivos sobre a reunião do Fed, que pode sugerir uma antecipação do movimento de redução dos atuais estímulos.

Além do caso Evergrande – segunda maior incorporadora chinesa que pode dar um calote no mercado e contaminar o setor – e da perspectiva de redução do estímulo do Fed, os mercados financeiros também enfrentam riscos de incertezas sobre as perspectivas da agenda econômica de US$ 4 trilhões do presidente Joe Biden, bem como a necessidade de suspender o teto da dívida dos EUA.

De acordo com Filipe Teixeira, sócio da Wisir Research, os investidores já estavam preocupados com a desaceleração da recuperação global da pandemia e da inflação alimentada pelos preços das commodities.

A secretária do Tesouro, Janet Yellen, disse que o governo dos Estados Unidos ficará sem dinheiro para pagar suas contas em outubro, alertando para uma “catástrofe econômica”, a menos que os legisladores tomem as medidas necessárias.

Hong Kong fecha em baixa: China e Japão estão fechados

A Bolsa de Hong Kong fechou em forte baixa nesta segunda-feira, em dia de liquidez reduzida em meio aos feriados em várias partes da Ásia, inclusive na China e no Japão, à medida que os problemas financeiros da gigante do setor imobiliário chinês Evergrande continuam pesando nos negócios.

O Hang Seng sofreu um tombo de 3,3% em Hong Kong, aos 24.099,14 pontos. Apenas a Evergrande despencou mais de 10%, arrastando ações de outras empresas do ramo imobiliário negociadas no território semiautônomo.

Em meio à crise de liquidez que atinge a Evergrande, um de seus principais credores fez provisões para o calote de uma parte dos empréstimos que lhe concedeu, enquanto outros planejam dar mais prazo para que a companhia pague suas dívidas.

Os mercados acionários da China, do Japão, da Coreia do Sul e de Taiwan, por sua vez, não operaram nesta segunda-feira em função de feriados.

Na Oceania, a bolsa australiana encerrou o pregão desta segunda-feira no menor nível em três meses, com acentuadas perdas lideradas por mineradoras. O S&P/ASX 200 caiu 2,10% em Sydney, aos 7.248,20 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

Imagem do autor

Colaborador do Portal Mais Retorno.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Veja mais Ver mais