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Finanças Pessoais

Influenciadores de investimentos entram na mira da CVM

4,2 milhões de pessoas utilizam as redes sociais para ajudar na tomada de decisão sobre como investir

Data de publicação:16/05/2022 às 16:22 -
Atualizado 2 meses atrás
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Segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), 1,1 milhão de pessoas físicas passaram a investir em renda variável entre o período de 2020 e 2021. Pegando carona nessa expansão, cresceu também a importância dos influenciadores como principais fontes de informação para os investidores.

Ainda de acordo com a CVM, 4,2 milhões de pessoas utilizam as redes sociais para ajudar na tomada de decisão sobre os melhores investidores. Por conta dessa expansão, a comissão apertou a fiscalização em cima do trabalho feito por esses profissionais.

influenciadores
Para Jonathan Mazon, trabalho dos influenciadores de investimentos deveriam estar sob a supervisão da CVM - foto: Divulgação

Juntamente com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a comissão criou um convênio para monitorar as atividades de influenciadores digitais que fazem recomendações de investimentos nas redes sociais.

Soma-se a isso o envio de um ofício circular, que traz orientações importantes sobre o tema e a inclusão de estudos sobre os influenciadores em sua agenda regulatória para este ano.

Pontos de preocupação

Um dos pontos que chama a atenção dos reguladores do mercado financeiro é o crescimento exponencial do número de seguidores desses influenciadores. Segundo pesquisa da Anbima, os influenciadores de investimentos ganharam 36 seguidores por minuto em 2021.

De acordo com o estudo, foram feitas 406 mil publicações sobre o tema nos perfis estudados no período, o que representa um post a cada dois minutos.

“Os dados mostram o quanto este tema tem ganhado relevância no Brasil e no mundo”,

]Jonathan Mazon, advogado sócio do Junqueira Ie Advogados, que atua com mercado de capitais e governança

Conforme o especialista, o que chama a atenção dos investidores é que esses influenciadores possibilitam acesso a informações para quem não atua no mercado financeiro.

Para Mazon, é importante que tanto o influenciador quanto o seguidor busquem o respaldo de especialistas que conheçam as normas e leis de cada país para evitar dores de cabeça futuras.

Quais são os prós e contras do trabalho dos influenciadores?

Para Jonathan Mazon, um dos pontos positivos é que educação financeira não requer registro na CVM e o mercado demanda por democratização do conhecimento para o público que ainda não tem familiaridade com o mundo da Bolsa de Valores.

No entanto, a partir do momento em que o influenciador começa a fazer recomendações de investimentos, o terreno se torna perigoso para quem o segue.

“É necessário garantir, por exemplo, que os profissionais que divulgam suas análises com regularidade e recebem remuneração, ainda que indireta, estejam sujeitos às regras e à supervisão da CVM”, ressalta.

Jonathan Mazon

Na visão do especialista, um dos grandes desafios é a transparência sobre a forma de como esses influenciadores digitais são remunerados pelas suas atividades. “Ou seja, tanto os influenciadores quanto os negócios endossados por eles devem divulgar ao público a existência desses contratos”.

“Por meio da Análise de Impacto Regulatório (AIR) que a CVM planeja realizar em 2022, a autarquia estará diante da sensível missão de definir a fronteira entre educação financeira e o exercício irregular da atividade de analista no Brasil”, conclui.

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Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.