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Especialistas apontam falta de transparência nos estudos que norteiam a privatização da Eletrobras

Para eles, não há um mercado maduro para a venda desse ativo por R$ 130 bi

Data de publicação:18/02/2022 às 09:35 -
Atualizado 3 meses atrás
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Segundo especialistas do mercado, faltou transparência na elaboração dos estudos que norteiam a operação de privatização da Eletrobras. O tema voltou a ter destaque com o julgamento no Tribunal de Contas da União (TCU) na última terça-feira, 15.

Assim como a maioria da Corte, especialistas divergem da posição do ministro Vital do Rêgo, que defendeu a inclusão da venda de potência pelas usinas da estatal no valor que será pago de outorga à União.

Especialistas apontam falta de transparência nos estudos que nortearam a privatização da Eletrobras
Especialistas apontam falta de transparência nos estudos feitos para privatizar a Eletrobras - Foto: Agência Brasil

A avaliação é de que não há um mercado maduro no País para venda deste ativo e, portanto, não seria possível concordar que a empresa deveria ser vendida por R$ 130 bilhões, conforme sugeriu o ministro. O preço estimado pelo governo é R$ 67 bilhões.

A privatização da Eletrobras é estratégica para o governo do presidente Jair Bolsonaro , que prometeu em sua campanha acelerar o processo de privatizações. No entanto, ele entra em seu último ano de gestão sem conseguir passar nenhuma empresa pública para a iniciativa privada. Em recente entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que "faltou apoio para a agenda liberal do governo".

Fora do padrão

Para a economista e ex-diretora de privatização do BNDES. Elena Landau, nunca se usaram cálculos para precificar a potência no País e, portanto, isso não poderia ser feito no âmbito da privatização da Eletrobras.

No entanto, Landau concorda com Vital do Rêgo ao considerar que faltou transparência durante o processo de privatização da estatal. "O processo foi muito malconduzido. O número final do valor de outorga chegou ao TCU sem transparência, não houve estudo prévio. Poderia existir um documento para mostrar ao ministro por A mais B que o cálculo dele não é aplicável, mas há uma falha de origem."

Para a economista, o principal problema são as dúvidas sobre o valor final de outorga chegarem para análise do TCU. "Isso é suprimido nos estudos prévios, com consultores e audiência pública. Após um debate, com avaliações diferentes, é possível chegar a um preço final", afirma a economista.

No setor, há uma visão de que o posicionamento do ministro é muito "futurístico". Isso porque o produto (a potência) não é comercializado hoje, e não há nenhuma garantia de que será no futuro.

Rodrigo Ferreira, presidente executivo da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), também avalia que não existe metodologia para avaliar e mensurar a potência. "O setor está discutindo leilões de potência, de capacidade, em que esse tipo de atributo da geração será valorado. Mas não temos ainda condição no setor elétrico de fazer valoração de potência de projetos existentes", comenta.

Judicialização

Victor Gomes, economista e advogado especializado no setor de energia do escritório Reis Gomes, avalia que questionamentos levantados pelo TCU sobre alteração nos preços finais da operação podem ser usados como argumento em possíveis ações judiciais para barrar a desestatização da Eletrobras. Contudo, ele acredita que o governo tem argumentos técnicos para rebater as alegações.

"Parece muito sólida a posição do governo de não considerar o valor referente à potência no valuation (avaliação de empresas). As hidrelétricas têm esse ativo de potência, mas não foram habilitadas pelo governo para participar dos leilões de reserva de capacidade. Então, é um produto que, de fato, existe, mas não pode ser vendido e nada indica que será no futuro", afirma. "É comum que processos de privatizações sejam desafiados no Judiciário."/ com Agência Estado

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