Mercado Financeiro

O mercado financeiro não se perturbou com os dados divulgados nesta quinta-feira, 10, que apontaram uma alta do índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos. A elevação de 0,6%, pouco acima do consenso dos analistas, provocou ligeiro estresse nos mercados, mas apenas momentâneo.

Logo, bolsa de valores e dólar, segmentos mais sensíveis a movimentos de inflação e juros, sobretudo nos Estados Unidos, retomaram a rotina de valorização e de queda, respectivamente. Não apenas os mercados locais, mas também nos Estados Unidos, onde as bolsas de valores subiram.

Foto: Arquivo
Bolsa fechou em alta e dólar em queda, mesmo com inflação acima do esperado nos EUA

Aqui, o Ibovespa fechou com ligeira lata de 0,24%, aos 130.222,26 pontos. O dólar, sem forças para reagir, encerrou o dia praticamente na estabilidade, com recuo de 0,07%, cotado a R$ 5,065.

As bolsas americanas terminaram o dia em alta: o índice S&P 500 subiu 0,47%, Dow Jones avançou 0,06%, e Nasdaq 100, saltou 1,05%.

A melhora de humor nos mercados, lá e cá, ocorreu com a percepção de que que a inflação ao consumidor americano ficou acima do esperado puxada por fatores transitórios, explica João Leal, economista da Rio Bravo Investimentos.

(EM INTERNET, ASPA FICA EM UM PARÁGRAGO SEPARADO) “Mais de 50% da alta refletiu a demanda por veículos, em ambiente de restrição na cadeia de produção, e por passagens aéreas, porque as pessoas passaram a viajar com o avanço da vacinação”, afirma Leal.

A percepção de que a pressão foi setorial afastou o temor de uma reação imediata do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) na forma de aumento dos juros ou de desmonte do pacote de estímulos monetários, com redução do ritmo de compra de títulos. Uma iniciativa que injeta bilhões de dólares no sistema financeiro que se espraiam pela economia.

Reviravolta?

O período de calmaria, contudo, pode estar com os dias contados. Na próxima semana acontece o que o mercado chama de Super-Quarta-Feira, que tem na agenda doméstica a reunião do Copom, para decidir o rumo da Selic, e nos Estados Unidos a reunião do FOMC (Comitê de Mercado Aberto do Fed), para deliberar sobre os juros americanos.

Por aqui, o mercado financeiro está convicto de que a Selic terá novo ajuste de 0,75 ponto porcentual, para 4,25% ao ano (HIPERLINK COM A MATÉRIA DO TOM FALANDO DISSO, DE HOJE). A dúvida é com o que o Fed fará com os juros nos EUA, uma incerteza que persistirá até quarta-feira, comenta Jennie Li, estrategista de Ações da XP.

De acordo com Jennie, até lá não haverá declarações nem pronunciamentos que sirvam de algum tipo de sinalização por parte dos dirigentes do alto escalão do Fed, que “guardam período obrigatório de silêncio nos dias que antecedem a reunião do FOMC”.

A estrategista de Ações da XP acredita que a avaliação do Fed, em relação à inflação divulgada ontem, coincida com o entendimento dos mercados de que a alta acima da esperada foi apenas transitória, o que reforçaria a a perspectiva de que os juros permaneçam inalterados nos EUA.

Relatórios trimestrais do Fed têm indicado possível elevação dos juros americanos apenas em 2023. “A previsão é essa, mas o Fed vai analisar a evolução e a natureza da inflação e, se preciso, poderá antecipar o reajuste antes dessa data”, afirma Jennie. Um movimento que, se materializado, tenderia a ter efeitos negativos sobre a bolsa de valores e a dar maior mobilidade ao dólar.

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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