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Fundos de Investimentos

Confira 5 fundos brasileiros que faturam com a inflação americana

Inflação americana está nos níveis mais altos em quatro décadas

Data de publicação:16/09/2022 às 05:00 -
Atualizado 9 dias atrás
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Em meio à persistente pressão inflacionária nos Estados Unidos, que já levou o índice de preços ao consumidor (CPI) a uma taxa anual de 8,3% em agosto - nos maiores patamares em 40 anos -, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) segue com a missão de trazer a inflação de volta a meta de 2%. A forma de controlar os preços é a mesma que conhecemos no Brasil: aumentar os juros.

As taxas de juros por lá estão entre 2,25% e 2,50% ao ano, depois da instituição promover uma alta de 0,75 ponto percentual em sua última reunião. Na próxima semana, entre 20 e 21, membros do Fed se encontram de novo e o mercado tem como certa mais uma elevação nas taxas, pelo menos na mesma magnitude da última. Neste contexto, fundos de investimento brasileiros apostando na inflação americana.

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Inflação americana está nos níveis mais altos em quatro décadas | Foto: Reprodução

Há um tipo específico de fundo que tem como principal estratégia as operações baseadas no cenário macroeconômico: fundos multimercado macro. Neste tipo de produto, o gestor pode realizar aplicações em diversos tipos de ativos, tendo com base indicadores econômicos e o cenário macro de médio e longo prazo. Entre os ativos em que investem, estão os títulos da renda fixa dos Estados Unidos.

Quais são os fundos macro que apostam na inflação americana?

Apostar na inflação americana significa que os fundos acreditam que o CPI continuará subindo por algum tempo e, com isso, os juros também ficam maiores, impactando no desemprenho das Treasuries (títulos públicos dos Estados Unidos), que passarão a entregar retornos mais atrativos.

Há dezenas de fundos apostando neste cenário e, segundo levantamento da Mais Retorno, até o dia 12 de agosto, 17 deles entregavam um resultado acima de 20% no acumulado do ano. Empresas e gestores de renome e bastante populares também têm adotado essa estratégia. É o caso da XP, Ibiúna, Vinland, Opportunity e Vista Capital.

Confira, abaixo, cinco fundos destas gestoras que apostam da inflação americana.

FundoRentabilidade no mêsRentabilidade no anoRentabilidade em 12 meses
XP MACRO FIM+0,47%+18,63%+23,49%
IBIUNA HEDGE ST ADVISORY FIC FIM+3,31%+16,97%+23,68%
VINLAND MACRO ADVISORY FIC FIM+1,14%+16,37%+21,44%
OPPORTUNITY TOTAL FIC FIM+1,13%+9,80%+13,12%
VISTA HEDGE FIC FIM+0,91%+21,36%+22,86%
Fonte: Mais Retorno | Dados acessados em 15/09/2022

Inflação americana deve continuar em alta?

De acordo com a economista Ariane Benedito, não é possível afirmar se a inflação americana já chegou ao seu pico, mas há mais fatores que apontam para uma manutenção da escalda dos preços do que o seu arrefecimento. Na última terça-feira, a divulgação do CPI de agosto surpreendeu negativamente o mercado, com uma alta de 0,1% no mês, enquanto as projeções apontavam para baixa de 0,1%.

Outro importante indicador de inflação, o índice de preços ao produtos (PPI, na sigla em inglês) foi divulgado na quarta-feira e veio em linha com as expectativas, com queda residual de 0,1%. Ariane destaca, entretanto, que a composição do indicador permanece desfavorável. "Quando olhamos para o núcleo da inflação ao produtor, que exclui os choques, o sentido da inflação ainda é de alta", pontua.

A economista explica que o contribuiu para uma deflação no PPI foi a desvalorização da cotação do petróleo, mas outros itens continuaram elevados. Além disso, ela destaca que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) anunciou uma redução em sua produção a partir do próximo mês e isso, em um momento em que a guerra entre Rússia e Ucrânia permanece com seus efeitos globais, pode causar novas altas no petróleo, impactando a inflação americana como um todo.

Indicadores de atividade econômica e emprego dos Estados Unidos também seguem mostrando uma continuidade na força consumidora do país, afirma Ariane. Com mais demanda e a oferta restrita de alguns produtos, com destaque para o petróleo, a tendência é de maior pressão sobre os preços.

O momento é bom para investir na renda fixa americana?

Se a inflação continua, permanece também o ciclo de aperto monetário e a economista ressalta que muitas casas de investimento já projetam um aumento de um ponto percentual nas taxas de juros na próximo reunião do Fed. Juros maiores levam a retornos também maiores nos títulos públicos da maior economia do mundo.

Ariane considera que, neste cenário, o mercado passa por um bom momento de entrada nas Treasuries. Para ela, os fundos e investidores ainda podem ter boas rentabilidades com esses ativos. "Só deixa de ser uma boa oportunidade quando o Fed sinalizar que deve começar a reduzir as taxas", diz. Mas as expectativas são de que isso não deve acontecer tão cedo.

Em contrapartida, a economista aconselha que o investidor mantenha sua carteira sempre diversificada, com partes do patrimônio destinados a diferentes classes de ativos, apostando também na variação geográfica e setorial.

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