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Fundos de ações: sair ou investir neste momento? Especialistas opinam

Resgate desse tipo de fundos somou R$ 52,4 bilhões no primeiro semestre, segundo a Anbima

Data de publicação:25/08/2022 às 05:00 -
Atualizado 5 meses atrás
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Para os investidores de renda variável no Brasil, não habituados à montanha russa do segmento, o ano de 2022 tem causado fortes emoções. A começar pelo próprio movimento da Bolsa – no primeiro semestre, o Ibovespa acumulou queda de 6%, trafegando entre os 101 mil pontos a 122 mil, e depois chegando a 112 mil.

Para quem investe em fundos de ações, o sentimento não foi diferente. E muita gente acabou zerando suas posições nesse tipo de ativo com o desempenho de muitos deles decepcionando os cotistas. o esperado nos últimos 12 meses.

fundos de ações
Resgate líquido dos fundos de ações atingiu R$ 52,4 bilhões no primeiro trimestre de 2022 - Foto: Reprodução

Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o montante líquido resgatado foi de R$ 52,4 bilhões nos seis primeiros meses de 2022.

Embora tenha ocorrido essa movimentação, o que é melhor fazer nesse momento? Manter ou sair dessese ativos? Para todos os especialistas entrevistados pela Mais Retorno, a recomendação foi unânime: não mexer com os investimentos em fundos de ações.

Visão de longo prazo

Segundo eles, a aversão ao risco dos investidores aumentou diante das incertezas do cenário externo - com ciclo monetário agressivo nos Estados Unidos, inflação global nas alturas, guerra na Ucrânia, crise energética, recessão, entre outros - e também dos fatores internos como níveis elevados da Selic e da inflação que, apesar de estar arrefecendo, ainda segue mostrando fôlego.

Somam-se a isso ainda as dúvidas do desempenho da economia nos próximos meses com as eleições locais.

Erik Sala, analista de fundos da DVinvest, aponta que um dos grandes erros dos investidores é não olhar para esses fundos com visão de longo prazo – no mínimo de 10 anos.

“O investidor costuma ficar apavorado quando há uma sequência de quedas na rentabilidade dos fundos, o que acaba muitas vezes incentivando decisões precipitadas de saída. Vale lembrar que a Bolsa é o melhor lugar para recuperar as perdas. Só é preciso ter paciência e estômago”.

Erik Sala, da DVinvest

Sala refere-se a uma citação de Peter Lynch, um dos investidores mais influentes do mundo, que diz "no mercado de ações, o órgão mais importante é o estômago, não o cérebro".

Em outras linhas, o mais importante, na renda variável, é ter resistência e resiliência, com estômago para lidar com as oscilações e a volatilidade do mercado.

Confira 20 fundos de ações com retorno atraente

A seleção de fundos foi feita a partir de estudos e base de dados da Economatica. São fundos com boa perfomance nos períodos de 12, 24 e 36 meses.

FundoClasseGestoraRentabilidade
12 meses

(19 Ago21 a 19Ago22)
Rentabilidade
24 meses

(19 Ago20 a 19Ago22)
Rentabilidade
36 meses

(19 Ago19 a 19Ago22)
Opportunity
Carteira FIA
LivreOpportunity73,86%104,65%106,48%
Am3g FI AçõesLivreBNP Parribas47,02%83,45%79,09%
Clic FIALivreMercantil
do Brasil
44,78%109,17%65,94%
Warren Apollo FIA BDR Nível IÍndice AtivoWarren44,52%43,89%45,13%
America Fc FIALivreKP Gestão de Recursos38,11%50,28%63,95%
Fmhe FIA IeInvestimento no ExteriorBTG Pactual36,17%56,97%63,47%
Xingo FIALivre3G Radar
35,93%64,68%51,52%
Xingo FIC
FIA 360
Livre3G Radar 34,65%62,34%50,31%
KP Bz Equities FIALivreKP Gestão de Recursos34,37%42,98%48,37%
Ti Hedge FIALivreKinitro
Capital
33,75%11,72%-16,20%
Franklin Clearbridge Infrastructure Value FIA IeInvestimento no ExteriorWestern Asset33,37%62,07%57,53%
Eclipseon FIA IeInvestimento no ExteriorUjay Capital30,08%44,19%30,49%
Charles River FIALivreCharles River22,40%63,29%100,23%
Tarpon Gt
Master FIA
LivreTPE21,40%59,05%113,54%
Absolute Pace
Lb Master FIA
LivreAbsolute20,52%50,39%95,20%
JPP FIALivreJPP Gestão18,25%42,72%42,87%
Absolute Pace Long Biased CSHG II Fc FIALivreAbsolute18,05%40,43%70,49%
Absolute Pace Lb Adv Fc FIALivreAbsolute17,97%40,71%69,95%
FIA BRB PetrovaleAções SetoriaisPlural
Investimentos
17,96%81,64%124,06%
Absolute Pace Long Biased CSHG Fc FIALivreAbsolute17,90%40,69%71,39%
Fonte: Economatica

Oportunidades

Para os especialistas, vários pontos reforçam a tese de manutenção dos investimentos em fundos de ações. Um deles é o fato de que a Bolsa está negociando bem abaixo dos seus pares internacionais, o que pode se tornar uma oportunidade interessante para quem quer entrar na renda variável nesse momento.

“Com o fim do ciclo da Selic e a inflação recuando, o cenário fica mais favorável para permanecer ou entrar no mercado acionário, inclusive via fundos”, diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

Luiz Felippo, sócio e analista de fundos da Nord Research, aponta que o fato de a renda fixa ter ficado atrativa com o avanço da taxa de juros levou muita gente a diminuir a exposição em renda variável - incluindo nos fundos de ações - e olhar com mais carinho para o CDI.

"Há muitos investidores que ainda estão machucados após o comportamento da Bolsa nos últimos dois anos, o que acaba reduzindo a tolerância ao risco. Porém, vale lembrar que o mercado de renda variável é cíclico e o cenário atual não vai perdurar para sempre".

Luiz Felippo, da Nord Research

Conhecimento nunca é demais

Para alocar em um fundo de ações, os especialistas fazem várias recomendações. Uma das mais importantes é conhecer os fundos com bastante propriedade, incluindo o histórico dos gestores que estão à frente deles.

Moliterno ressalta que normalmente, os investidores entregam o assunto nas mãos dos gestores e em períodos de baixa, acabam ficando insatisfeitos com os resultados por não conhecer a fundo as estratégias daquele ativo e já querem mudar de posição.

"Ao investir em um fundo de ações, o investidor está delegando essa missão ao gestor. Mas é importante que ele tenha conhecimento de informações importantes, como por exemplo, quais parâmetros esse fundo irá seguir. Há diversas classes dentro do guarda-chuva dos fundos de ações".

Rodrigo Moliterno, da Veedha

Em relação aos gestores, Sala, da DVinvest, aponta que os investidores costumam olhar o histórico deles de gestão dos fundos de apenas 12 meses, o que não é suficiente para dizer que ele seja bom ou não.

"O prazo de um ano é pouco para avaliar esse histórico. Costumo comparar a atuação de um gestor de fundos com um médico. Ele vai evoluindo com o passar dos anos, se tornando cada vez mais capacitado com o passar do tempo".

Comportamento

Segundo os especialistas, muitos investidores acabam assumindo posições, de compra ou venda, em momentos inadequados, o que acaba trazendo prejuízo.

O que muitas vezes coloca o investidor em pânico quando enfrenta uma fase de queda nos ativos é a sua exposição. "No caso dos fundos de ações, esse resgate expressivo pode ter acontecido porque muitos investidores podem ter alocado boa parte de seus investimentos ligados à Bolsa".

Por isso é importante diversificar a carteira. "Existe uma coisa que é conhecer o caminho e outra que é percorrê-lo. O dia a dia na Bolsa é difícil, cheio de emoções. Cada investidor tem um perfil de tolerância ao risco e ele deve levar isso em conta na hora de pulverizar as posições", ressalta Felippo.

O analista traz um exemplo de como avaliar essa resistência ao risco. "O investidor deve ter consciência sobre qual o tamanho da perda de investimentos que ele consegue aguentar e se sentir confortável. Se for suportar prejuízo de até 15%, o ideal é alocar 30% em renda variável. Em momentos delicados sempre há boas oportunidades".

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